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EXPERIÊNCIA

Preparar pão se tornou a receita favorita durante a pandemia

Ele se tornou o queridinho de quem deseja se aventurar dentro da cozinha durante o isolamento
22/04/2020 07:00 - Naiane Mesquita


 

Há alguns anos, preparar um pão caseiro era atividade comum, rotineira, para milhares de famílias, capazes de se reunirem em volta da mesa e compartilharem receitas.

Com a modernidade e a vida na cidade grande alguns desses detalhes foram perdidos, tornaram-se difíceis de manter no cotidiano atribulado. Agora, em tempos de insegurança, de escolas fechadas, de trabalho em casa e de pouco lazer, a cozinha se tornou novamente o centro da vida de milhares de pessoas, o cômodo mais importante de um lar.  

Preparar um pão caseiro não é uma tarefa fácil, demanda a escolha dos ingredientes, do melhor fermento e do sabor. Claro, a internet está preparada para auxiliar quem busca o conhecimento antigo e novo, das receitas mais calórias às fitness. Nesse caminho de descobertas, Rachel Delvalle encontrou a inspiração na infância. “Quando meus irmãos eram pequenos, minha mãe fazia pão para vender, e eu que vendia os produtos. Lembro de colocar minha irmã caçula ainda bebê no carrinho, e os pães embaixo. Cresci com essa memória”, explica a artista, de 34 anos.

Um pouco antes do isolamento social ser uma necessidade, Rachel passou por problemas financeiros e pensou em seguir os caminhos da mãe. “Mas logo que comecei a fazer para vender, o isolamento social começou. Só alguns amigos tinham comprado, e eu acabei parando de produzir. Agora faço apenas em casa. Quem sabe depois de tudo isso passar eu volte a vender”, conta.

As primeiras receitas foram encontradas na internet, mas o aperfeiçoamento veio pela mãe. “Eu cozinho desde os 7 anos, sou a mais velha de quatro filhos da minha mãe e a que cuidava de todo mundo, cozinhava para todo mundo, fazia bolo para os meus irmãos. Eu já tinha uma facilidade para mexer com receita de bolo e pensei: vou tentar também o pão. Procurei receita de pão fácil e foi a primeira vez que eu fiz. Depois pedi dicas para minha mãe e minha tia, até chegar na receita que estou fazendo agora”, aponta. Na lista de sabores tem abóbora, chia e o que mais a inspiração mandar.  

 
 

Leite ninho

A lista de afazeres de Dorisney Lima de Oliveira, 53 anos, está longa. Preocupada com os alimentos que toda a família está consumindo durante a quarentena, ela decidiu arregaçar as mangas e preparar pães quase todos os dias.  

A receita vem de muito tempo, da época em que os pães eram preparados na fazenda. “Estou com medo de comprar, tenho feito a cada dois ou três dias. Sei a receita há muito tempo, mas preparava mais quando estava na fazenda ou quando minhas sobrinhas estavam em casa”, conta.  

A lista de sabores é extensa e inclui pão doce e até de Leite Ninho. “Alguns com menos açúcar, porque meu marido tem diabetes. Também fiz de diferentes formas e tamanhos, estou variando. Agora vou testar de Leite Ninho”, explica. Como as fornadas são numerosas, Dorisney já distribuiu para familiares e amigos. “Meus cunhado e cunhada moram na mesma rua da minha casa e ganharam pães, assim como minha irmã”, frisa.  

Além dos pães, Dorisney também investiu na confecção de máscaras de tecido e faz questão de doar para os familiares. “E também para quem não pode comprar”, explica.

 
 

Primeira viagem

Entre os representantes de marinheiros de primeira viagem está o jornalista Hugo Norberto, 36 anos. “Foi divertido. A primeira fornada que fiz sozinho. Então têm os detalhes da receita, que você adapta conforme vai achando que está bom ou não”, explica. Na lista de dúvidas há espaço para tudo, tamanho da massa, tempo de assar e até a cor certa. “Quando a vó faz parece mais simples”, brinca.

A escolha para a primeira experiência foi um pão integral, receita da madrasta. “Ela faz essa mesma receita na casa dela. Quando fui visitar meu pai, pedi para ela me mandar”, explica. A ideia de encarar o fogão foi um processo longo e acabou tendo espaço durante o isolamento social. “Havia algum tempo que estava querendo fazer coisas em casa e evitar consumir de outros lugares. A arte da cozinha é algo que sempre curti. O material da próxima fornada já está adquirido”, confessa.

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.