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CULTURA

Projeto registra a história de quilombo urbano por meio de entrevistas, criação de site e capoeira

Comunidade São João Batista foi a escolhida para receber as atividades do projeto
10/11/2020 07:30 - Naiane Mesquita


Ao longo dos anos, as histórias de famílias negras de Mato Grosso do Sul ficaram muitas vezes restritas ao universo da comunidade. O projeto Quilombo em Atividade busca romper essa barreira e dar voz àqueles que têm muito o que contar. Em cinco meses de trabalho, o projeto prevê seis atividades, que incluem pesquisa e registro audiovisual, construção de um site sobre o quilombo urbano São João Batista, uma vivência de capoeira angola e dois cursos – um voltado para professores, e outro sobre elaboração de projetos culturais.

“O objetivo principal do projeto é contribuir para a pluralidade da História brasileira, porque a gente sabe que boa parte dessa história não é contada nos livros”, afirma uma das idealizadoras do projeto, a artista visual Vanessa Bohn.

As entrevistas e o site serão utilizados na formação dos professores da comunidade. “Queremos auxiliar na inserção da história afro-brasileira em sala de aula, por isso a gente prevê um curso de formação para professores, que terá como base esse site em que estará todo o conteúdo da história oral do quilombo, trazendo a cultura afro-brasileira, mas local, do município de Campo Grande”, explica.  

Outro ponto do projeto é o desenvolvimento de um espaço de debates, que serão promovidos a fim de tocar assuntos presentes na rotina social e repercutidos na mídia, como a questão do racismo e a importância do fortalecimento da identidade racial como ferramenta de combate à violência e de garantia e promoção de direitos.

Nesse contexto ocorrem as aulas de capoeira angola, uma ferramenta de luta contra o racismo utilizada para defender a liberdade no passado e atualmente uma forma de fortalecer a identidade negra.

“O Rafael Leite de Sá e o Marcos Vinicius Campelo desenvolvem um trabalho de capoeira angola por meio do Meninos de Angola. É um grupo da cidade de Goiás. O Rafael realiza esse trabalho lá, e, agora que o mestre foi para a Europa, o Marcos realiza aqui. A gente começou a desenvolver esse projeto com os quilombos na cidade de Goiás, em conversa com o Marcos, que é pesquisador também. Ele teve essa iniciativa de querer trazer esse projeto para cá a fim de realizar a pesquisa e fazer essa troca com o quilombo. Nós fizemos uma pesquisa sobre onde seria, qual quilombo poderia ser. Vimos que o município tinha dois quilombos urbanos, o Tia Eva – mais conhecido – e o São João Batista, que a maioria das pessoas nunca ouviu falar, apesar de terem mais de 20 anos de atuação no município”, explica.  

Durante a conversa para implementar o projeto de aulas de capoeira angola, os integrantes do quilombo relataram atividades que gostariam de desenvolver. “Foram surgindo outras oficinas que propomos no projeto. Foi um projeto formulado por nós três a partir da vivência de cada um na sua área”, ressalta.  

O trabalho acabou sendo contemplado com recurso do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (FMIC 2019), oriundo da Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur).

Os primeiros passos para a execução dos trabalhos já foram dados, com a realização das entrevistas presenciais no quilombo. “A gente prevê cinco meses de duração, mas talvez a gente tenha de adiar as oficinas porque tem esse impasse de realizar elas on-line, e não é o ideal. A gente vai ver se consegue adiar, caso a situação pandêmica não se resolva até o ano que vem”, pontua Vanessa.  

 

 

 
 

Comunidade

A Comunidade Negra São João Batista foi criada pela matriarca Maria Rosa Anunciação, filha de negros ex-escravos, cujos ancestrais são originários da Bahia e de Minas Gerais. A tradição familiar era a de realizar uma festa em homenagem ao santo, sempre nos dias 23 e 29 de julho, desde 1922. A festa surgiu por conta de uma promessa feita por Maria Rosa ao santo São João Batista pela saúde de um dos nove filhos, que nasceu prematuro e com poucas chances de vida.

No início, a festa era celebrada em Coxim, onde Maria Rosa e sua família residiam. Em 1945, a família veio para Campo Grande em busca de oportunidades, e, então, a festa passou a ser realizada no município. Já nos anos 2000, a comunidade fundou a Associação Familiar da Comunidade Negra São João Batista (AFCN), no Bairro Pioneiros, e, em 2006, recebeu a certificação do quilombo pela Fundação Palmares.  

“Esse projeto tem um valor vital de força, luta e resistência porque vai trabalhar com crianças, adolescentes e adultos, buscando o desenvolvimento integrado”, afirma a presidente de honra da Associação Familiar da Comunidade Negra São João Batista, Rosana Anunciação.

 

 

Felpuda


Outrora bons de votos – faziam adversários temerem o confronto nas urnas –, agora, por mais que tentem, alguns políticos não conseguem, nem de longe, alcançar patamar de outros tempos e voltar ao que eram. 

O pior é que, a cada disputa, a preferência popular só vem diminuindo. Neste ano, a eleição municipal demonstrou que muitos já estão com prazo de validade vencido e rótulo gasto.

E faz tempo, hein?!