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CULTURA

Projeto resgata capoeira Angola no Centro-Oeste por meio de aulas à distância e depoimentos de mestres

"Permeando a Capoeira Angola no Centro-Oeste" será realizado de hoje até o dia 28 de março
02/02/2021 13:00 - Naiane Mesquita


Ao se pensar em capoeira, uma roda movimentada costuma ser a primeira lembrança. Mas, durante a pandemia do coronavírus, o contato físico precisou ser reduzido e as atividades adaptadas. No caso do projeto Permeando a Capoeira Angola no Centro-Oeste, que será realizado de hoje até o dia 28 de março, as aulas ocorrerão on-line e gratuitamente, uma forma de manter viva a tradição.  

“Durante a pandemia, o meu grupo de capoeira continuou dando aulas on-line. Os desafios são vários, porque querendo ou não você não tem o contato com o outro, a movimentação tem que ser mais lenta, tem que repetir toda hora o exercício, justamente porque você não está em contato físico com os alunos”, explica Rafael Leite de Sá, professor de capoeira e um dos coordenadores do projeto.  

Ao lado de Marcos Vinicius Campelo Júnior, Rafael integra o grupo de capoeiristas Anunciando a Consciência Negra com os Meninos de Angola, dos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul.

Para ele, adaptar-se é um processo importante e que sempre acompanhou a capoeira. “O capoeirista sempre se reinventa, sempre se reinventou, não chega intacto. Ele se adapta a diversas situações, é um cameleão”, pontua.  

O projeto terá aulas de prática de capoeira angola às terças-feiras e oficinas de encontro de saberes, com mestres e capoeiristas convidados, às quintas-feiras. “Qualquer pessoa pode participar, de qualquer faixa etária, sendo capoeirista ou não sendo”, frisa o professor.  

As transmissões virtuais seguirão esse cronograma, exceto no segundo encontro, que será amanhã, às 20h (horário de Brasília), e também na data de encerramento, que está marcada para as 16h do dia 28 de março, domingo.

Na abertura, que será realizada hoje, será apresentada uma vivência de capoeira angola realizada pelos coordenadores. Já amanhã será a vez de um bate-papo com os mestres Pequeno e Guerreiro, capoeiristas de Mato Grosso do Sul.

Na próxima semana, além da aula de terça-feira, também terá uma oficina de saberes, na quinta-feira (11), com o mestre Leninho, do Distrito Federal. Neste dia, Leninho apresentará a construção de instrumentos da capoeira angola.  

Capoeira Angola

Outro ponto interessante é que o projeto trabalha uma modalidade específica, a capoeira angola. Também chamada de “capoeira mãe”, o jogo de Angola é a origem dessa prática cultural que mescla luta, dança, musicalidade, percepção de coletivo e filosofia de vida de forma única, sendo considerada a modalidade que mais se aproxima daquela executada pelo povo africano, que foi trazido para ser escravizado.

Na capoeira angola o uso de calçados é fundamental, uma referência à busca dos escravos pela liberdade, pois nos tempos de servidão o ato de utilizar calçados era privilégio dos homens livres.

“Do meu ponto de vista, a capoeira e o hip hop são duas das maiores manifestações da cultura negra. Não acredito que seja possível falar de capoeira sem falar da cultura africana, sem a preocupação de olhar a ancestralidade. Da mesma forma, é impossível olharmos para 2020 sem pontuar os desafios da pandemia ou lembrar do grande movimento antirracista Black Lives Matter. Dois pontos que pedem resiliência, assim como os valores passados em uma roda de capoeira”, conclui Rafael.

Serviço – os encontros on-line serão realizados de fevereiro a março, sempre às 20h (horário de Brasília). As inscrições podem ser realizadas por meio do formulário: https://forms.gle/s23exoq4YQhKjfaL9. O link para as atividades será disponibilizado mediante cadastro preenchido previamente pelo formulário. O projeto foi contemplado com recursos da Lei Aldir Blanc, por meio de edital do FMIC (Fundo Municipal de Incentivo Cultural), iniciativa da Sectur (Secretaria Municipal de Cultura e Turismo).