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NOVELA

Reparação dos fatos em "Novo Mundo"

A trama lança outro olhar sobre tramas e personagens históricos sem prejuízo para o público
28/07/2020 17:00 - Geraldo Bessa/TV Press


Licenças poéticas em adaptações históricas sempre geraram uma série de controvérsias. Os mais puristas defendem contar a versão oficial, doa a quem doer. Outra parte do público embarca e aplaude versões mais lúdicas ou romantizadas sobre os fatos. No mais, diversos realizadores da tevê e do cinema têm investido em outras interpretações para histórias conhecidas do grande público, como Quentin Tarantino em “Bastardos Inglórios” ou Taika Waititi no recente “Jojo Rabbit”, onde ambos jogam doses de esperança aos horrores do Nazismo. Na teledramaturgia, “Novo Mundo” é um belo exemplo desta prática. O folhetim de Thereza Falcão e Alessandro Marson não foge dos diversos problemas e abusos do Brasil imperial. Porém, de forma charmosa e irreverente, recontam a história pontuando alguns questionamentos de como o destino poderia ter sido mais nobre com alguns personagens. Em especial, a Imperatriz Leopoldina, interpretada por Letícia Colin.

Reduzida a uma mulher sem grandes atributos físicos e intelectuais em produções como “Marquesa de Santos”, da Manchete, e “O Quinto dos Infernos”, da Globo, a nobre austríaca que veio para o Brasil para casar-se com Dom Pedro, teve sete filhos e morreu aos 29 anos. Os novos fatos descobertos em recentes biografias e a interpretação iluminada de Colin acabaram por fazer a personagem virar o jogo em “Novo Mundo”. Com uma postura astuta e independente, a novela mostra a participação da Imperatriz nas disputas de poder do período, sua contribuição para o movimento de independência e um singelo caso de amor com José Bonifácio, interpretado por Felipe Camargo. Sim, ela ainda sofre com as inúmeras traições de Pedro, papel de Caio Castro, mas até nisso os autores trataram de dar uma abordagem mais contemporânea e empoderada. Como resultado, a personagem caiu no gosto popular, fazendo com que Leopoldina e Pedro se tornassem o par romântico principal da trama, em detrimento dos insossos Anna e Joaquim, personagens de Isabelle Drummond e Chay Suede.

Reprisada por conta da pandemia no intuito de refrescar a memória do público para a estreia de “Nos Tempos do Imperador”, “Novo Mundo” surge com um respiro de ação em um horário tradicionalmente ocupado por novelas de época, mas que está sempre a serviço de tramas semelhantes e enfadonhas como “Tempo de Amar” e “Espelho da Vida”. Focada em valorizar o texto, a direção de Vinícius Coimbra consegue equilibrar os diversos momento de aventura com o tom folhetinesco e, de quebra, ainda entrega uma boa direção de atores, com destaque para nomes como Gabriel Braga Nunes, Ingrid Guimarães, Viviane Pasmanter e Sheron Menezzes, entre outros. Como uma espécie de reparação ao retratar uma outra visão da mesma velha história, “Novo Mundo” troca o sofrimento do passado por um satisfatório, bem-vindo e ágil final feliz.

 

 
 

Felpuda


Conversas muito, mas muito reservadas mesmo tratam de possível mudança, e não pelo desejo do “inquilino”.

Por enquanto, e em razão de ser um assunto melindroso, os colóquios estão sendo com base em metáforas.

Até quando, não se sabe, pois o que hoje é considerado tabu poderá se tornar assunto em rodinhas de conversas.

Como dizia o célebre Barão de Itararé: “Há mais coisas no ar, além dos aviões de carreira”. Só!