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SÉRIE

Segunda temporada de “Coisa Mais Linda”

A produção mantém o frescor e expande questões femininas
27/06/2020 16:58 - Geraldo Bessa/TV Press


 

Poucos dias após a estreia de “Coisa Mais Linda” no catálogo da Netflix, a operadora de streaming se pronunciou que uma segunda temporada já estava em desenvolvimento. É com esse tipo de estratégia que a empresa consegue fidelizar fãs e ainda criar uma certa expectativa sobre o destino das produções. O fato é que a série, ambientada no final dos anos 1950, sempre embalada pela batida da Bossa Nova, logo se destacou entre as produções nacionais por conta de seu capricho técnico e linguagem muito próxima das novelas, o que se faz de melhor no Brasil. É por esse mesmo caminho que segue o recém-lançado segundo ano da produção, que chega exibindo um novo arco de histórias amparado pela morte de uma das protagonistas, atitude muito usual nas séries, mas rara nas telenovelas e que mostra que o roteiro não tem receios de evoluir.

Com a morte de Lígia, de Fernanda Vasconcellos, no final da primeira temporada, “Coisa Mais Linda” recomeça de forma claudicante. De luto pelos acontecimentos na fatídica noite de réveillon, as amigas Malu, Adélia e Thereza, papéis de Maria Casadevall, Pathy Dejesus e Mel Lisboa, precisam juntar todos os cacos espalhados para voltarem a viver. Um dos grandes méritos da série criada por Giuliano Cedroni e Heather Roth é o modo inteligente como o quarteto foi apresentado e aprofundado. Lígia ainda aparece em algumas cenas pontuais da nova temporada, mas é no acirramento da vida das três mulheres que a série ganha ainda mais estofo e mostra seu poder de misturar as dificuldades femininas com o tenso momento político que o Brasil vive em plenos anos 1960. Temas da primeira temporada, como direitos femininos, aborto, diferença de classes e violência doméstica ainda figuram nos novos seis episódios, mas foram expandidos. E, mesmo se tratando de uma série de época, “Coisa Mais Linda” continua tratando assuntos espinhosos pela ótica de hoje. Sendo assim, a violência doméstica abre uma bem-vinda discussão sobre feminicídio, os direitos femininos são discutidos a partir dos privilégios do marido no matrimônio. Por fim, as noções de moral e justiça mostram que o conservadorismo de ontem, infelizmente, tem seu espaço garantido no mundo de hoje.

Com direção dividida entre Caito Ortiz e Julia Rezende, é nítido que a segunda temporada teve um orçamento mais robusto para dar conta de cenários melhor elaborados e externas mais exuberantes. Com a ajuda de bons efeitos especiais, “Coisa Mais Linda” se afasta de possíveis licenças poéticas ao tratar as imagens no entorno de locações importantes como a Urca e o Copacabana Palace, retirando qualquer ruído contemporâneo que possa comprometer a naturalidade das cenas. Por fim, o investimento da Netflix também reforçou o elenco da produção, com nomes como Val Perré e Alejandro Claveaux em papéis importantes. O roteiro, entretanto, acertadamente continua a focar na força de seu elenco feminino. Casadevall, Pathy e Mel bisam seus bons desempenhos da temporada passada e agora ganham a companhia de Ivone, cantora vivida por Larissa Nunes. Com “ecos” de Elza Soares, a personagem é a porta de entrada da série para a “revolução” cultural provocada pela televisão e pelos festivais de música que movimentaram o país. Com desfecho digno de uma novela das nove, a conexão entre emoção e história promovida por “Coisa Mais Linda” parece ter ainda muito o que contar.

Felpuda


Nos bastidores, conversas, ou melhor, quase sussurros, dão conta de que compromisso assumido teria prazo de validade se acontecer a vitória de aliado.

A partir de então, o papo passaria a ser bem, mas bem diferente mesmo, pois, com acordo cumprido, novos objetivos passariam a ser fonte dos desejos, e sem nenhuma moeda de troca.

No caso, não haveria mais sequer um fio de bigode. Tipo, cada um na sua.