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NOVO OLHAR

Escritor carioca lança livro sobre a espiritualidade de Machado de Assis nesta quinta-feira na Capital

Ruy Fabiano analisa o conjunto da obra de Machado de Assis com base nessa questão da espiritualidade
07/10/2020 11:00 - Naiane Mesquita


Considerado um dos maiores escritores brasileiros, Machado de Assis ainda desperta o interesse de pesquisadores e leitores ávidos apaixonados pelo seu preciosismo, valorizado também no exterior.  

O legado é tão profundo que recentemente uma nova edição para o inglês de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, lançada em junho de 2020, pela editora Penguim Classics, esgotou em apenas um dia nos Estados Unidos. 

Parte do sucesso se dá ao texto de Dave Eggers, responsável pelo prefácio da edição, elogiando a obra brasileira no The New York Times.

Espiritualidade de Assis

Também inspirado pela trajetória única de Machado de Assis, o jornalista carioca Ruy Fabiano, 66 anos, escreveu o livro “A Espiritualidade em Machado de Assis”, publicado pela editora Vera Cruz e será lançado em Campo Grande no dia 8 de outubro, às 19h30min, na Plataforma Cultural, na Avenida Calógeras, 3015.

“Diversas obras classificam Machado de Assis como um cético, um ateu, principalmente pelo conteúdo das últimas obras dele, relacionado à fase mais madura do escritor, ou seja, nos cinco romances finais, em que seus personagens estão inseridos em situações de ceticismo em relação ao ser humano. Nesta fase, os personagens demonstram uma ironia melancólica”, explica Fabiano.

 
 

No entanto, para o escritor que se debruça sobre a obra do autor desde os 15 anos, Machado de Assis vai além do ceticismo em seus escritos. 

“Eu analiso o conjunto da obra de Machado de Assis com base nessa questão da espiritualidade. Não vou dizer que esse tema nunca foi abordado pelos pesquisadores, mas é um aspecto pouco discutido e, por isso, muitas vezes é negado. A principal biógrafa de Machado de Assis, que escreveu a obra dele nos anos de 1940, Lúcia Miguel Pereira, afirma que ele é ateu. Porém, em alguns diálogos, há indícios de uma visão diferente, por exemplo, uma vez que o questionaram sobre o fato de ele ser ateu. Machado de Assis ficou indignado com a pergunta, afirmando que não”, ressalta o jornalista.  

Com base nesses materiais e nas análises de diversos textos de Machado de Assis, incluindo poemas e crônicas, Ruy Fabiano escreveu o livro. “Eu quis mostrar que Machado de Assis vai além da crítica, que é, de um modo geral, atribuída a ele”, acredita.  

Apesar de não associá-lo a uma religião, Ruy demonstra que o escritor incluía questões relacionadas à espiritualidade em seus textos, que surgiam, principalmente, na busca pelo sentido e pela razão de ser.  

“Toda essa epopeia está presente em sua obra”, acredita.  

Ruy frisa ainda que Machado de Assis tinha uma relação estreita com o catolicismo, tendo, inclusive, sido coroinha na infância. “Ele escreveu vários textos, textos de devoção e espirituais, admirava muito a literatura judaica e a cristã, cita muitos textos bíblicos e gregos”, pontua.  

Outro indício, segundo Ruy, é o carinho que Machado de Assis nutria pela mulher. “Ele ficou quatro anos viúvo. A esposa dele morreu quatro anos antes dele, e segundo os relatos, Machado de Assis falava muito sobre reencontrá-la após a morte”, frisa.

Porém, o escritor ressalta que essa proximidade não significa que Machado de Assis era religioso. “Ele não tinha uma ligação com a instituição religiosa. Ele demonstra uma descrença com as instituições, porque via as pessoas usando o espaço e o cargo para conquistar o poder pessoal”, indica.

Serviço – O evento acontece no dia 8 de outubro, às 19h30min, na Plataforma Cultural da antiga estação ferroviária de Campo Grande. Além do lançamento do livro em Campo Grande, o escritor também realiza uma palestra na cidade, intitulada “Literatura, Memória e Ancestralidade”.  

De acordo com as orientações do Protocolo de Segurança: obrigatório o uso de máscaras e será feita a aferição da temperatura corporal na entrada, além da disponibilização de álcool gel aos presentes e a posição das cadeiras respeitando o distanciamento social. O livro custa R$ 35,00.

 

Felpuda


Ex-cabecinha coroada anda dizendo por aí ser o responsável por vários projetos para Campo Grande, executados posteriormente por sucessor. 

Ao fim de seus comentários, faz alerta para que o eleitor analise atentamente de como surgiram tais obras e arremata afirmando que não foi “como pó mágico de alguma boa fada madrinha. 

Houve muito suor nos corredores de Brasília”. Então, tá!...