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SÉRIE

Série documental “Doutor Castor”, do Globoplay, mostra figura controversa

A produção mostra como o bicheiro mais famoso do país se tornou tão carismático
01/03/2021 17:15 - Márcio Maio/TV Press


Para quem não conhece a fundo a história de Castor de Andrade, a série documental “Doutor Castor”, lançado pelo Globoplay no dia 11 de fevereiro, tende a se tornar irresistível já nos seus primeiros cinco minutos. 

Afinal, chega a ser contraditório ver como alguém com um histórico tão ligado à contravenção consegue ter sua trajetória tão romantizada. 

Mas houve fatores que ajudaram nessa imagem, como o fato do mais famoso bicheiro brasileiro estar ligado a duas grandes paixões nacionais: futebol e carnaval. 

Dois universos determinantes para que Castor de Andrade se tornasse uma das figuras mais populares e carismáticas das décadas de 1970, 1980 e 1990, até morrer de um infarto fulminante em abril de 1997.

“Doutor Castor” é o primeiro documentário original produzido pela equipe do Esporte da Globo para a plataforma de streaming da emissora. 

Não à toa, a ligação de Castor com o futebol – ele foi o maior patrocinador do Bangu Atlético Clube – ganha um bom espaço na série, que tem quatro episódios com cerca de uma hora de duração cada um deles. 

Para preencher as quatro horas de material editado, inúmeras imagens de arquivo foram resgatadas, de diferentes décadas e algumas até inéditas. 

Misturadas a elas, depoimentos de mais de 30 pessoas aparecem, desde jornalistas a nomes ligados à Justiça, à política e à cultura, como a Juíza Denise Frossard, Agnaldo Timóteo e até o diretor de tevê Boni, pai de Boninho.

Nos dois primeiros episódios, é justamente o futebol e o carnaval que mais aparecem, junto com o caminho de ascensão de Castor. 

O terceiro foca um pouco mais no cenário político, enquanto o último mostra a derrocada do bicheiro – incluindo os crimes que marcaram sua família depois de sua morte, com o filho e o genro assassinados, em 1998 e 2020, respectivamente. 

Estrear dia 11 de fevereiro foi claramente uma estratégia para tentar amenizar a frustração do público acostumado a se entregar às transmissões dos desfiles durante o carnaval. 

Afinal, Castor Gonçalves de Andrade e Silva foi patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel – o que também é algo bastante explorado no programa do Globoplay. 

Para os mais jovens, no entanto, pode ser um pouco surpreendente dimensionar a força que o jogo do bicho tinha até meados da década de 1990 no Rio de Janeiro. 

E, mais ainda, entender como uma figura diretamente ligada a uma prática ilegal circulava tanto entre figuras mais cultas quanto os atletas e outras pessoas com prestígio.

Projetos documentais, assim como séries biográficas, já faziam parte da rotina da Globo no sinal aberto. 

Com isso, é natural que a aposta nesses gêneros para o catálogo do Globoplay ganhe força. Foi em 12 de março do ano passado que a plataforma estreou sua primeira série documental feita pelo jornalismo da Globo: “Marielle - O Documentário”. 

Ou seja, um dia depois de declarada a pandemia do novo coronavírus pela Organização Mundial de Saúde. 

E, diante das medidas de segurança impostas pelo “novo normal”, o formato pode se tornar cada vez mais frequente, ajudando a manter um fluxo de lançamentos de produções originais e inéditas no serviço de streaming. 

Ainda mais porque, na Globo, não falta equipe qualificada e material de arquivo para isso, em diversas editorias.