Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

SÉRIE

“Shippados”, da GNT, explora frustações cotidianas das relações modernas

Em homenagem a Fernanda Young, o programa estreia um ano depois de sua partida
01/09/2020 14:41 - Márcio Maio/TV Press


Explorar as relações afetivas era um dos pontos fortes da maioria dos textos assinados por Fernanda Young. A autora, que trabalhou com o marido Alexandre Machado em grande parte de seus projetos para a tevê, morreu prematuramente em 25 de agosto de 2019, vítima de uma parada respiratória, aos 49 anos. Para homenageá-la, exatamente um ano depois de sua partida, o GNT estreou “Shippados”, última série de Young produzida para a televisão, pelo Globoplay. Curiosamente, o texto bebe da mesma fonte que seu primeiro grande sucesso, “Os Nomais”, mas de um jeito diferente. Em 2001, Vani e Rui, papéis de Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães, eram noivos que viviam grudados e enfrentavam os problemas do dia a dia de um casal. Em “Shippados”, porém, o público acompanha o começo da relação entre Rita e Enzo, vividos por Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch. 

Na história, os autores parecem encontrar meios sutis para estabelecerem uma reflexão sobre os relacionamentos modernos. Rita é uma moça que trabalha no balcão de informações de um grande supermercado. Infeliz com a vida, ela usa a internet para tudo, seja para pesquisar o paradeiro do pai, que sumiu quando ela ainda era criança, seja para desabafar suas frustrações em vídeos que grava para seus seguidores. Mas a vida online não se mostra tão bem-sucedida assim, principalmente na hora dos encontros românticos. É justamente em uma tentativa fracassada de encontrar um par que ela conhece Enzo, que enfrenta a mesma solidão amorosa e que tenta superar da mesma forma que Rita: procurando perfis que, segundo um aplicativo, têm quase que 100% de compatibilidade com ele. Desiludidos com as tentativas passadas, Rita e Enzo começam um namoro de um jeito totalmente atípico: com características presentes nas relações antes dessa digitalização da vida amorosa. Ou seja: com momentos certos para dar cada passo, como o primeiro beijo e a primeira transa.

Chama atenção a maneira como essas relações na internet são exploradas na série. Quase sempre, o que se percebe é um vazio e uma carência excessiva. Rita se expõe gravando vídeos na web, mas não tem amigos e vive uma relação tumultuada com a mãe, com quem divide um apartamento no Centro do Rio. Já Enzo mora com um casal de amigos naturistas e sonha trabalhar combatendo vírus disseminados na internet. Tatá e Eduardo, com carreiras sólidas no humor, conseguem equilibrar bem os momentos de comédia e de drama de seus personagens. Para isso, contam com a direção talentosa e segura de Patrícia Pedrosa, que também assina produções como “Cine Holliúdy”, que está sendo reprisada pela Globo, e “Todas as Mulheres do Mundo”, disponível para os assinantes do Globoplay. 

As escolhas estéticas da diretora ajudam nesse misto de frescor e melancolia que o texto tem. A maior parte das cenas se passa com pouca luz – seja em locações menos óbvias do Rio de Janeiro, como as ruas do Centro, ou nas casas dos personagens. Além disso, outro acerto está na trilha sonora, composta por canções do universo indie nacional. As músicas se encaixam perfeitamente com o ar jovem da produção e criam uma atmosfera perfeita para as incertezas e fantasias do casal principal, enquanto a dupla experimenta as agruras e as delícias do primeiro amor.

 
 

Felpuda


A lista do Tribunal de Contas de MS, com nomes de gestores que tiveram reprovados os balanços financeiros de quando exerceram cargos públicos, está deixando muitos candidatos de cabeça quente.  Conforme previsto pelo Diálogo, adversários estão se utilizando de tais dados para cobrar, principalmente nas redes sociais, deixando alguns gestores na maior saia justa e tendo que se explicar. O eleitor, por enquanto, só observa. E dê-lhe!