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ACESSIBILIDADE

Sistema Braille de escrita tátil ganha curso gratuito e inédito em Campo Grande

Criado na França no século 19, o sistema Braille de escrita tátil ganha curso inédito e gratuito em Campo Grande, aberto à comunidade em geral

Marcos Pierry

20/06/2022 10:00

Embora a turma seja pequena, de apenas 20 alunos, nem todos os participantes do curso de escrita Braille, que começa hoje na Biblioteca Estadual Dr. Isaías Paim, são pessoas com deficiência visual. 

O sistema Braille é um código universal de leitura tátil e de escrita normalmente utilizado por pessoas cegas, educadores, familiares e outros grupos de contato mais permanente com quem tem esse tipo de deficiência.

O mais comum, portanto, é que cursos do gênero sejam voltados para um público segmentado. Graças a uma iniciativa do professor João Guanes, em parceria com a biblioteca pública, que integra a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), Campo Grande torna-se uma das poucas cidades brasileiras a furar a bolha, ainda que em escala modesta.

NÚMEROS

O Brasil possui 6,5 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência visual, segundo as últimas estatísticas oficiais (IBGE, 2010). Desse total, pelo menos 500 mil são completamente cegos, condição de por por volta de cinco mil sul-mato-grossenses. 

Não há dados bem consolidados sobre o número de pessoas no País que dominam o Braille. Nos EUA, estima-se que menos de 10% dos cegos saibam usar o sistema.

HISTÓRIA

Desenvolvido na França entre 1825 e 1837 por um jovem cego, a partir de um sistema anterior, mais rudimentar, criado para uso militar, o Braille utiliza seis pontos em relevo dispostos em duas colunas e possibilita a formação de 63 símbolos diferentes. 

Esses símbolos são usados em literatura nos diversos idiomas, na simbologia matemática e científica, na música e na informática.

Louis Braille (1809-1852), aos 3 anos de idade, feriu o olho esquerdo ao manipular uma ferramenta pontiaguda. Uma infecção alastrou-se, fazendo-o ficar completamente cego dos dois olhos.

Com vocação para Professor Pardal, o ainda menino Louis foi se destacando com a desenvoltura apresentada na escola até, aos 12 anos, começar a mudar a história de quem não enxerga ao dar início no aperfeiçoamento do sistema militar de um capitão do exército francês, Charles Barbier (1767-1841).

INCLUSÃO

As pessoas que enxergam não precisam do tato para ler em Braille. Com o aprendizado do revolucionário sistema francês, por meio de cada combinação de seis pontos por cela, o indivíduo que vê pode ler textos em Braille apenas substituindo a simbologia cifrada por letras do alfabeto comum.

A escrita Braille é uma excelente ferramenta de inclusão social, que insere os cegos no universo da literatura ao mesmo tempo em que aproxima as pessoas que enxergam da realidade dos que estão impedidos dessa possibilidade, servindo, assim, para aproximação e interação de todos.

O principal objetivo do curso é popularizar o acesso à escrita Braille para ampliar a compreensão do universo que envolve o cego, permitindo a desconstrução dos estigmas e fomentando a acessibilidade.