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COLUNA PONTO DE VISTA

Situação de emergência

Cobertura do coronavírus toma quase toda programação da tevê e explora diferentes ângulos do caos
26/03/2020 17:03 - Márcio Maio/TV Press


 

Chega a ser clichê, mas quando se conversa com profissionais ligados à televisão, a palavra “desafio” é sempre uma das mais pronunciadas. Pois bem, no que diz respeito ao jornalismo, nunca um período foi tão desafiador quanto o atual. A pandemia do novo coronavírus mexeu em todas as editorias, equipes e, principalmente, públicos. Com isso, cada emissora vem traçando as estratégias possíveis para, em meio a um caos mundial, informar, ganhar credibilidade e, consequentemente, uns pontos a mais de audiência enquanto boa parte da população brasileira se encontra trancada em casa 24 horas por dia.

Canais jornalísticos, obviamente, concentraram seus esforços praticamente integralmente ao assunto coronavírus. A Globonews já tem experiência em coberturas especiais e ininterruptas. Nos seus quase 24 anos de existência, transmitiu eventos como o ataque nos Estados Unidos de 11 de setembro de 2001 e a Guerra do Iraque, por exemplo. Agora, diante da pandemia, a emissora consegue dividir bem seu tempo entre os muitos desdobramentos que envolvem o avanço da Covid-19 no globo terrestre. Caso das consequências econômicas no país e no mundo, os problemas sociais, estruturais e governamentais que prejudicam o Brasil no combate ao vírus e as manifestações a favor e contra a postura do Presidente Jair Bolsonaro, que nem sempre pareceu alinhada com o peso que o próprio Ministério da Saúde passou a dar ao problema assim que as confirmações de infectados começaram a aparecer. Até pelo fato de contar com muitos comentaristas conhecidos, a Globonews sobressai com uma postura mais analítica.

A CNN, no entanto, começou escorregando. O canal estreou no domingo, dia 15, em plena movimentação de confinamento social nas principais capitais nacionais e, logo em seguida, em efeito de dominó, nas demais cidades. Teve acesso a diversas autoridades, incluindo o próprio presidente, mas com uma postura pouco questionadora. Pegou mal, até porque visão crítica é condição fundamental para o bom jornalismo, nada tem a ver com falta de respeito ao entrevistado – seja ele quem for.  

A grande surpresa, no entanto, veio da Globo. A emissora aberta direcionou toda a programação da manhã e do começo da tarde para o jornalismo. Claro, não tinha muito como ser diferente, visto que suas atrações envolviam plateia ou pessoas de grupo de risco à frente das câmeras e o esporte parou completamente em função da pandemia e do isolamento social da população. Com tantas horas dedicadas ao coronavírus, sobra espaço para tudo. As pautas envolvem desde as recomendações de prevenção, cuidados e estatísticas da pandemia no Brasil aos diversos movimentos solidários durante a quarentena. Um conteúdo que serve tanto para quem está de quarentena quanto para quem, por exercer funções consideradas essenciais, precisa sair para trabalhar. Análises econômicas não chegam a ganhar tanto espaço – essas pautas aparecem mais na Globonews mesmo. Em meio a esse confinamento social forçado e ao caos que se instaurou no país, a Globo tem conseguido dosar bem os momentos de reflexão e de informação com algumas pitadas de sensibilidade.

 

Felpuda


Dia desses, há quem tenha se lembrado de opositor ferrenho – em público –, contra governante da época, mas que não deixava de frequentar a fazenda de “sua vítima” sempre que possível e longe dos olhos populares. Por lá, dizem, riam que só do fictício enfrentamento de ambos, que atraía atenção e votos. E quem se lembrou da antiga história garantiu que hoje ela vem se repetindo, tendo duas figurinhas carimbadas nos papéis principais. Ô louco!