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ESTREIA

Sob o próprio teto, Bruno Mazzeo cria série

Com direção de Joana Jabace, a série “Diário de Um Confinado” foi produzida durante a quarentena
23/06/2020 12:00 - Caroline Borges/TV Press


 

A pandemia do novo coronavírus alterou e subverteu a ordem em diversas casas. Na residência de Bruno Mazzeo, a pandemia detonou uma criatividade intensa. Ao lado da esposa, a diretora Joana Jabace, o comediante enxergou um rico para explorar a realidade de forma cômica. A série “Diário de Um Confinado” foi criada, produzida e gravada inteiramente durante a quarentena, de forma remota, no apartamento onde o casal vive com os filhos, no Rio de Janeiro. A obra multiplataforma será exibida primeiro no Globoplay, no dia 26, depois na Globo aos sábados de julho, a partir do dia 4. E também em julho, estreia dia 6 no Multishow e ganha pílulas ao longo do mês no GNT.  “Como tudo o que escrevo, sobretudo quando escrevo sob o olhar da crônica, normalmente tem um pé na biografia, na minha e na de cada um que está participando do projeto comigo. Tem um ditado italiano que eu gosto muito que diz que ‘na arte, tudo é autobiográfico’, porque vem de sensações, de referências que recebemos do mundo, coisas que vivemos, que os amigos vivem. ‘Diário de um Confinado’ é um programa que busca uma identificação. Ao mesmo tempo, tem pitadas de uma loucurinha, que é o que a gente está vivendo, com sentimentos alterados. E é aí que entra a carga do humor”, aponta Mazzeo.

Para ser colocada em prática em dias de isolamento, “Diário de Um Confinado” seguiu todo o protocolo de segurança elaborado pela emissora, com uma série de cuidados para evitar a exposição dos profissionais. Para a produção, foi montada uma equipe multidisciplinar que conceituou e pré-produziu a série, com um importante diferencial: tudo deveria ser feito à distância. “Assistente de direção, produção de arte, montador, pós-produção, figurino, efeito especial. Todos os departamentos foram participando cada um de sua casa. Entramos de cabeça nesse desafio imbuídos de fazer dar certo e nos reinventarmos”, explica Joana, que buscou potencializar os talentos que tinha dentro de casa. “Temos na mesma casa um autor que também é ator e eu, que sou diretora. Usamos essa nossa especificidade a favor da arte. Acredito que o artista tem de se reinventar de acordo com as necessidades do tempo em que vive”, completa. 

A série faz uma crônica sobre o dia a dia de um cidadão, Murilo, papel de Mazzeo, que de repente se vê obrigado a tocar a vida dentro de casa. Seus compromissos pessoais e profissionais são todos remotos, como a terapia e o encontro com os amigos. “Em casa, com nossos dois filhos, tocamos todas as fases de uma produção: texto, filmagem, edição. Tudo é desafiador, desde uma prova de roupa, com a figurinista olhando o meu armário por vídeo de celular e nós, montando o personagem com as peças do meu guarda-roupa. A maneira de escrever, de produzir, os roteiros, as soluções são o grande diferencial deste programa. Fomos solucionando as impossibilidades em todos esses setores, inclusive criativamente na dramaturgia, dando agilidade às cenas, mesmo sem o recurso de uma fuga para a rua ou para outros cenários”, defende o ator.

Ao longo das gravações, Joana buscou uma produção artesanal, mas não amadora. Além de Bruno, a série conta com as participações de Arlete Salles, Debora Bloch, Fernanda Torres, Lázaro Ramos, Lúcio Mauro Filho e Renata Sorrah. Os atores convidados aparecerão em chamadas de vídeo, mas também farão eles mesmos a captação de suas cenas com um kit de gravação, preparado para uso individual. “Quero que a luz e o enquadramento sejam bacanas. É um projeto feito na minha casa, mas poderia ter sido feito num estúdio. O programa vai ter um look de dramaturgia, e nosso intuito é que o espectador embarque no universo do Murilo. Nosso diferencial é a dramaturgia e o conceito de direção”, aponta Joana.

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.