Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

CORONAVÍRUS

Sul-mato-grossenses relatam rotina de isolamento no exterior

Morando em outros países, sul-mato-grossenses relatam o isolamento social e a luta contra a Covid-19 pelo mundo
08/04/2020 07:00 - Naiane Mesquita


 

Espalhados pelo mundo, sul-mato-grossenses também acompanham e enfrentam as consequências da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).  

Nos Estados Unidos, país com o maior número de casos atualmente – mais de 300 mil confirmados e 10 mil mortes –, o confinamento se tornou regra número 1 de sobrevivência.  

Em Nova Iorque, um dos locais mais atingidos pela pandemia, o casal Lígia Oizumi e Alex Oliveira permanece em casa, saindo apenas para serviços essenciais. “Moro em Great Neck, a 30 minutos de trem de Manhattan, que é principal ponto turístico dessa região, onde ficam a Times Square e o Central Park”, explica Lígia.  

Lígia é escritora, enquanto o marido, Alex, ministra aulas de jiu-jítsu. Durante a quarentena, ambos diminuíram as saídas de casa e apenas ele vai até o supermercado e cumprir funções do trabalho, como ir à academia gravar aulas on-line para os alunos. “Aqui na região onde estamos, chamada de Long Island, o número passou de 29 mil casos e 580 mortes”, explica.

A última vez em que Alex precisou ir até Manhattan encontrou a Times Square praticamente vazia. “A última vez foi em 16 de março. Na Times Square tinha poucas pessoas, estava irreconhecível, normalmente é supercheia e, do nada, não tem muita gente. As pessoas estão respeitando, sim, a quarentena aqui, e quando saem usam máscaras para se proteger”, aponta.  

Segundo Lígia, os casos nos Estados Unidos aumentaram de uma hora para outra. “A cidade recebe muitos turistas, então, uma hora eram poucos casos e, de repente, aumentou muito. Eu estou em casa há mais de um mês e meio. Quando começaram as conversas, eu já parei de ir a alguns locais onde teriam muitas aglomerações. Em 18 de março, a prefeitura divulgou uma lei fechando os comércios com muitas aglomerações, deixando apenas os serviços essenciais”, pontua.  

Grávida de quatro meses, Lígia continua com o pré-natal em dia e com a esperança de dias melhores. “Estamos bem calmos, a gente vem assim de uma busca, de uma espiritualidade e de um estudo longo. Entendemos que essa situação não está no nosso controle e podemos fazer a nossa parte, que é a quarentena, seguindo as regras de saúde. Não adianta ficarmos desesperados por algo que não temos como ajudar em outros aspectos, não somos cientistas para procurar a cura nem governante para atuar nas leis”, frisa.  

Isolamento

Na Bélgica, país da Europa que tem Bruxelas como Capital, a sul-mato-grossense Cecília Koshiikene, 30 anos, observa o tempo passar da janela de casa. Morando há quatro anos no país, ela atua como especialista de conteúdo em uma empresa de software e desde março está em isolamento.  

“No dia 12 de março, o governo cancelou as aulas e pediu para que todo mundo que pudesse trabalhar de casa o fizesse. No dia 18, todo o comércio fechou e só ficaram abertos mercados e farmácias. Podemos sair apenas para comprar comida, remédio e para nos exercitarmos. Mas em todas as ocasiões temos que manter 2 metros de distância e só uma pessoa de cada casa pode ir ao mercado”, explica.  

O país tem mais de 22 mil casos e 2 mil mortos, a maioria idosos. Apesar de concentrar uma população mais velha, foi difícil o país compreender que o isolamento era uma coisa séria.  

“Algumas pessoas estavam mais preocupadas do que outras, principalmente italianos. Bruxelas é uma cidade muito internacional, a maioria das pessoas que eu conheço não são belgas. Mas, de maneira geral, muitas pessoas ainda não estavam levando a sério

No último fim de semana antes da quarentena, muitos bares deram festas pré-quarentena e o governo acredita que isso tenha aumentado os casos”, aponta.  

Sobre a quarentena, apesar do cansaço, a população pareceu entender a restrição. “A maioria parece estar cansada da quarentena, mas entende como um mal necessário”, frisa.  

Longe de casa, Cecília teme pelos pais no Brasil. “É difícil, principalmente vendo que o governo aí não tem um planejamento certo, fico preocupada com a minha família

Eu ia visitar eles em Campo Grande em maio, mas já cancelei minha viagem porque eu não quero colocar eles em risco”, acredita.  

 
 

França

A dificuldade de lidar com o isolamento parece ser o principal inimigo da quarentena pelo mundo. Na França, a atividade física nas ruas de Paris precisou ser cancelada entre 10h e 19h. “Estou lendo o jornal Le Monde, que diz que a prefeitura de Paris pensa que há muitas pessoas nas ruas praticando esporte. Assim, a partir de hoje, 8 de abril, ela proíbe esporte na rua entre 10h e 19h”, conta a escritora sul-mato-grossense Mazé Torquato Chotil, que mora em Paris há 35 anos.  

Na Espanha, até os vizinhos de condomínio apontam quem tentam escapar um pouco do apartamento. “Estamos há 25 dias em casa e o governo anunciou que prorrogará até o dia 26 de abril”, conta a empresária Márcia Toledo, 45 anos.  

Defensora de um isolamento apenas para pessoas em situação de risco, Márcia acredita que o tempo é longo demais em casa, principalmente para as crianças. Com uma filha de 7 anos, o jeito é tentar ser criativa.

“A gente mora em um apartamento e imagina as coisas que a gente está fazendo para tentar que a criança não se aborreça. Ontem, eu não aguentei, decidi que vamos subir e descer as escadas todos os dias, moramos no quarto andar. Todos os dias vamos fazer isso e ela já mudou o humor dela”, aponta. A Espanha atualmente está em segundo lugar no número de casos, com140 mil contaminados e 13 mil mortos.  

Jardim

Os números na Cidade Luz continuam altos, com 607 mortes nas últimas 24 horas. Mas, mesmo assim, Mazé, de 61 anos, continua calma. “Nenhuma ansiedade. Pela manhã, leio os jornais, faço um pouco de ginástica após a caminhada das 7h/8h, falo de vez em quando com minha equipe de trabalho, a fim de manter o contato, depois cuido um pouco de casa, mas estou aproveitando o tempo para escrever, rever alguns textos da gaveta, gravar alguns vídeos para minhas redes sociais, ligar para a família e amigos na França e no Brasil a fim de saber como estão”, diz.  

Na lista de afazeres, sobra um tempo para o jardim. “Aproveitando a primavera que chega para plantar tomate, flores e outras coisas na minha sacada, que durante o inverno fica em estado de hibernação”, indica.

Felpuda


Dia desses, há quem tenha se lembrado de opositor ferrenho – em público –, contra governante da época, mas que não deixava de frequentar a fazenda de “sua vítima” sempre que possível e longe dos olhos populares. Por lá, dizem, riam que só do fictício enfrentamento de ambos, que atraía atenção e votos. E quem se lembrou da antiga história garantiu que hoje ela vem se repetindo, tendo duas figurinhas carimbadas nos papéis principais. Ô louco!