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TEVÊ

Talita Younan, atriz de “Malhação: Viva a Diferença”, aborda o assédio que sua personagem sofria na trama

Na pele da vilã K1, a atriz foi do drama à comédia, e conseguiu experimentar diversos tipos em um único papel
30/11/2020 18:00 - Márcio Maio/TV Press


Buscar personagens que fujam de estereótipos costuma ser rotina para a maior parte dos atores que trabalham na tevê. Para Talita Younan, no entanto, não foi preciso se esforçar muito nesse sentido quando gravou suas cenas como a vilã K1 de “Malhação: Viva a Diferença”. Na história, que está sendo reprisada pela Globo, a atriz conseguiu experimentar diversos tipos em um único papel.

A K1 passou por tudo nessa temporada. Foi malvada, sofreu assédio sexual, praticou bullying, evoluiu, virou fada, ajudou o namorado com a questão do alcoolismo, mostrou seu lado supercômico e também seus dramas”, enumera a jovem, que nasceu em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, e tem 28 anos. 

Um aspecto da trajetória da personagem, porém, se tornou mais marcante: o assédio que ela sofria do padrasto, Roger, interpretado pelo ator José Karini. Na trama, Kátia, vivida por Dig Dutra e mãe de K1, não acreditou na filha quando a menina faz uma denúncia na polícia. Mas, depois, ela pediu perdão à garota. 

Quando a história do assédio começou, K1 não se vestia mais do mesmo jeito. Se escondia atrás de roupas largas, que eram bem diferentes das que ela usava antes. E ela, que sempre foi muito solar, estava bem para baixo”, analisa, lembrando um pouco de seu trabalho de composição para marcar as fases distintas de K1.

Talita garante que se surpreendeu quando ficou sabendo que K1 abordaria um tema tão impactante na história. “Descobri quase ao mesmo tempo que o público. Desde sempre, eu soube que a K1 e a K2 (personagem de Carol Macedo) eram as vilãs da temporada. Mas não sabíamos que rumo elas iam tomar”, admite.

No fim, acabou que, para a atriz, a mensagem principal de K1 para o público foi mesmo a maneira como conseguiu se libertar de seu assediador. “Ela vivia um assédio dentro da própria casa e não conseguia se abrir, contar, desabafar, denunciar... Fiquei muito grata por viver isso, quando vi o retorno do público”, conta.

Segundo Talita, muitas eram as mensagens que ela recebia em função do drama de K1. Inclusive de pessoas que passavam pelo mesmo problema. “Pré-adolescentes e adolescentes me mandavam mensagem pedindo ajuda. Foi forte, mas foi especial saber que, com meu trabalho de atriz, pude informar, ajudar, incentivar em um assunto tão sério”, orgulha-se.

Mesmo agora, com a reprise no ar, a repercussão tem sido grande, segundo Talita. “Às vezes, eu sinto que está passando pela primeira vez, de tanta gente nova que chega nas minhas redes sociais”, diz.

Feliz por poder rever um trabalho tão importante de sua carreira, a jovem acredita que essa exibição está conquistando um público novo, que não tinha assistido antes. E enxerga o momento como muito propício para esse tipo de entretenimento. 

Acho que não foi escolhido à toa, em um momento tão delicado como esse que estamos vivendo. ‘Malhação: Viva a Diferença’ fala de tudo de uma forma muito real. Racismo, bullying, remédios para emagrecer, alcoolismo na adolescência, assédio, diferenças sociais, drogas, síndrome de Asperger, automutilação e muitos outros temas”, defende.