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COLUNA PONTO DE VISTA

Um pouco mais de alma: "Caminho Zen"

Na busca autoconhecimento e contrastes culturais, Fernanda Lima viaja ao Japão
02/04/2020 11:40 - Geraldo Bessa/TV Press


Versátil e hábil em se aproximar do público, Fernanda Lima parece ser capaz de apresentar qualquer coisa. Por muitos anos, inclusive, essa postura tão funcional a deixou com um ar genérico, algo que só se dissipou a partir do “Amor & Sexo”, programa apresentado por ela que, entre altos e baixos, ficou no ar de 2009 a 2018. Com mais autonomia e personalidade como comunicadora, Fernanda acabou se distanciando um pouco da tevê para curtir a gravidez de Maria Manuela, sua terceira filha, nascida em outubro do ano passado. De forma discreta, quando ainda estava no sexto mês, a apresentadora foi ao Japão e, ao lado da Monja Coen e do diretor Alberto Renault, concebeu o recém-lançado “Caminho Zen”, do GNT. Inicialmente, a proposta do programa pode até parecer confusa, como se Fernanda buscasse o auxílio da Monja apenas para se redescobrir como mulher às vésperas de mais um parto. No entanto, a apresentadora utiliza não apenas seu carisma, mas todas as referências acumuladas ao longo dos anos para impor os contrastes sociais de um Japão tecnológico, artesanal e espiritualizado.

Sem os figurinos descolados e divertidos que o público está acostumado, Fernanda surge básica e sem grandes artifícios de maquiagem em um movimento que a deixa “em casa” e ainda mais perto do telespectador. Entre caminhadas, conversas e visitas aos templos budistas, o programa começa desmitificando a trajetória de Monja Coen, em um esquema que evita o sensacionalismo e foca mais nas escolhas e renúncias por seu atual estilo de vida. É a vivência feminina que está em destaque no “Caminho Zen”, em especial, das mulheres que vivem em uma sociedade ainda muito machista como a japonesa, onde grande parte das mães desistem de seus desejos profissionais para cuidar das crianças. Afinal, além de privilegiar a figura do homem no mercado de trabalho, manter as mulheres em casa chega a ser quase uma política social do país, que dificulta o acesso das crianças às creches e a reinserção da mulher nas empresas. É nesse momento que Fernanda mostra que o feminismo praticado no “Amor & Sexo” segue firme na luta por mais igualdade entre gêneros.

A direção de Alberto Renault vai se impondo aos poucos no programa. Criador de outros sucessos premiados do GNT como o programa de arquitetura “Casa Brasileira” e o literário “Palavras em Série”, Renault utiliza o mesmo formato recheado de leveza e músicas incidentais para dar o “clima” da produção. O programa passeia pelos templos e prédios de cidades como Tóquio e Nagoia como se contasse suas inspirações e histórias arquitetônicas. É nítido que a ambientação oriental acaba dando ares de programa de viagem aos cinco episódios, o que fica ainda mais forte com os diversos “takes” de Fernanda nos cruzamentos movimentados que evidenciam as divergências entre a calma e o alto índice populacional do país. Seguindo sua assinatura, Renault também coloca haicais e poemas no roteiro, provocando uma quebra estranha na fluidez do conteúdo, mas sem comprometer o resultado final. Na busca por um outro olhar sobre a vida, a estreia do “Caminho Zen” em meio a quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus mostra que o GNT está de olho na ansiedade e anseios de seu público.

 

Caminho Zen” - GNT, quartas, às 22h.

 

Felpuda


Pré-candidato a prefeito de Campo Grande divulgou vídeo em que político conhecido Brasil afora anuncia apoio às suas pretensões. O problema é que o tal líder já andou sendo denunciado por mal feitos em sua trajetória, sem contar que o pai do dito-cujo teve de renunciar ao cargo de ministro por ter ligações nebulosas com empresa de agrotóxico. Depois do advento da internet, essa coisa de o povo ter memória curta hoje não passa de coisa “da era pré-histórica”.