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NOVELA

Visual em dia de Jéssica Ellen

Na pele da divertida Adele de “Totalmente Demais”, ela relembra seu mergulho no universo da moda
04/06/2020 14:00 - Geraldo Bessa/TV Press


 

Jéssica Ellen brinca que nasceu para questionar. No trabalho, por exemplo, a atriz costuma sempre pensar no significado de cada um de seus passos na música e na atuação. “Acho que é preciso ter coerência com o que a obra diz e o que eu quero falar. Por sorte, tenho tido oportunidades de contar e cantar histórias com mensagens importantes e que quero abordar no momento”, explica. Essa postura criteriosa acaba deixando Jéssica muito segura sobre seus desempenhos no passado. É por isso que ela tem prazer em se rever na pele da moderninha Adele na versão especial de “Totalmente Demais”. Exibida originalmente em 2015, a trama assinada pela dupla Rosane Svartman e Paulo Halm voltou a ocupar o horário das sete por conta da pandemia de Coronavírus. “A história é leve e divertida, mas tem profundidade e um jeito muito peculiar de tratar temas sobre a diversidade. Minha personagem, por exemplo, foi crescendo ao longo da história e não teve qualquer clima estranho sobre o fato de ela ser lésbica. Estou amando rever. É como uma volta no tempo”, valoriza.

Tendo a moda como um dos temas principais do enredo, “Totalmente Demais” marcou o encontro de Jéssica com o universo “fashion” de estilistas, fotógrafos, modelos, desfiles e concursos de beleza. Logo que soube que daria vida a uma booker, espécie de agente e responsável por montar elenco de modelos para eventos ou campanhas, a atriz ficou curiosa com o cotidiano de profissionais que atuam nos bastidores da indústria. “A figura do booker é muito importante no contato entre as agências e os clientes. São eles que transformam as ideias em realidade. Adele estudou moda e resolveu atuar mais nos bastidores”, conta. Ao lado de Max, papel de Pablo Sanábio, Adele trabalha na Excalibur e é uma das principais ajudantes na saga para transformar a simples Eliza, de Marina Ruy Barbosa, em uma supermodelo. No meio do caminho, acaba se apaixonado por Lu, assistente interpretada por Julianne Trevisol. “Minha personagem confundiu sentimentos. A novela teve diversos desencontros amorosos e ela demorou a superar o fora que levou. Não vou relembrar o fim, mas Adele acaba muito bem e amando”, lembra, acrescentando que foi por causa de Adele que acabou se tornando mais estilosa em seu cotidiano. “Passei a pensar mais no que usar e fiz ótimas amizades com estilistas”, assume.

Para Jéssica, os bastidores de “Totalmente Demais” repetiam a leveza da história que estava sendo contada. Por muitas vezes, ao gravar no cenário da Excalibur, ficava difícil segurar o riso ao contracenar com nomes como Juliana Paiva, Fábio Assunção e Juliana Paes. “A gente ria tanto que precisávamos parar e tomar água, porque não conseguíamos falar o texto de tão engraçado que era. Essa relação de afeto e cumplicidade fica muito evidente entre os personagens”, destaca. Outra lembrança importante para a atriz foi seu encontro com o público a partir da torcida pela felicidade da Adele no amor. “Ver que o público criou uma torcida pelo papel é muito gratificante. É doido pensar que a gente entra na casa das pessoas todos dias e elas acompanham. Como uma jovem atriz, trabalhando na construção da minha carreira, fiquei muito feliz de ter esse retorno do público. É isso que fortalece a gente, dá vontade de levar a nossa arte e continuar”, analisa.

Aos 27 anos, a atriz carioca está exatamente onde quer. Depois de estrear na televisão na temporada 2012 de “Malhação”, Jéssica enxerga em “Totalmente Demais” um ponto de virada em sua carreira. Foi a partir desse trabalho que ela acabou sendo chamada para outros tipos de destaque, como a Rose, da premiada série “Justiça”, exibida em 2016. Na sequência, também foi convidada para viver a corajosa Daiane de “Assédio”, minissérie produzida para a Globoplay e, posteriormente, exibida na tevê aberta. “Um trabalho leva ao outro e assim vou construindo minha trajetória. Fiquei muito feliz de ver ‘Assédio’ chegando a um público maior”, elogia. Em quarentena em casa, a atriz espera ansiosamente a volta das gravações de “Amor de Mãe”, onde vive a mocinha Camila. “Toda situação trágica é um convite para reflexão. Refletir requer tempo, pausa e silêncio. Quero estar inteira para quando tudo voltar ao normal. Morro de saudades de ‘Amor de Mãe’ e espero que tudo isso passe logo para voltarmos à programação normal”, torce.

Força bruta

A visibilidade de intérpretes negros em papéis de destaque na tevê é uma pauta urgente para Jéssica Ellen. É por isso que ela encara a forte Camila de “Amor de Mãe” como um papel político. “Camila luta por algo muito maior que ela. Sei da responsabilidade que tenho com esse papel. O fato de ela ser professora de uma escola em zona de risco, por exemplo, é muito pontual para o Brasil de hoje. É uma mocinha bem diferente do que o público está acostumado”, valoriza.

Para a atriz, a novela saiu do ar em um momento extremamente denso, recheada de dramas familiares e segredos prestes a serem revelados. Sem saber se a trama volta ainda este ano, Jéssica segue envolvida com Camila e tem diversas cenas da personagem já gravadas na memória. Em especial, a sequência dividida com Regina Casé onde, depois de perder o bebê que esperava, Camila reclama do racismo, do preconceito e do machismo que muitas mulheres sofrem no Brasil. “Fiquei muito feliz com a repercussão da cena, não esperava, de coração. Achava que ia ser uma cena boa por causa do texto, mas não imaginava que ia repercutir tanto. E repercutiu porque as pessoas não são fortes o tempo inteiro. Ninguém é forte o tempo inteiro”, ressalta.

Instantâneas

# Se não fosse atriz, Jéssica Ellen gostaria de ser professora de História;

# Antes da tevê, Jéssica trabalhou como camelô e auxiliar de serviços gerais em um restaurante.

# Além da carreira de atriz, Jéssica também investe em sua porção cantora. Em 2018, ela lançou seu primeiro álbum, o autoral “Sankofa”.

# Jéssica tem aproveitado a quarentena para compor e selecionar repertório para um segundo álbum, que planeja lançar no ano que vem.

Felpuda


Como era de se esperar, as pesquisas mexeram nos ânimos de candidatos, principalmente daqueles que apareceram com índices pífios.

E assim, muitos deles certamente darão novo rumo às suas campanhas eleitorais.

A maioria, é claro, tenta mostrar otimismo, e o que mais se ouve por aí é que “agora o momento será de virada”.

Como disse atento e irônico observador: “Tem gente por aí que poderá virar, sim. Mas virar gozação!”. Ui...