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AGENDA CULTURAL

Programação tem Circo Balão Mágico, teatro com Débora Falabella, show de Michel Teló e mais

Programação conta com seis sessões do Circo Balão Mágico, monólogo protagonizado por Débora Falabella e show gratuito de Michel Teló, entre outros

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Inspirado no universo do grupo Balão Mágico, fenômeno infantil das décadas de 1980 e 1990, o Circo Balão Mágico mistura nostalgia, música e números tradicionais circenses. A atração está instalada na Avenida Duque de Caxias, próximo ao aeroporto de Campo Grande.

Entre as atrações estão trapezistas, mágicos, equilibristas a mais de oito metros de altura, apresentações de bambolê, acrobatas, além do clássico globo da morte, com cinco motos simultaneamente dentro da estrutura metálica.

O palhaço Choquito também integra o elenco da temporada, que aposta em apresentações voltadas para toda a família.

As sessões acontecem de segunda a sexta, às 20h, aos sábados, às 18h e às 20h, e aos domingos e feriados, às 16h, 18h e 20h.

Os ingressos promocionais começam em R$ 10, para crianças, e R$ 20, para adultos no setor popular. No setor VIP, os valores partem de R$ 15, para crianças, e R$ 30, para adultos.

A temporada segue até o dia 31. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site oficial www.circobalaomagicooficial.com.br.

circo  balão mágico Circo da Simony está instalado na Avenida Duque de CaxiasCIRCO Balão Mágico - Circo da Simony está instalado na Avenida Duque de Caxias
Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

SEMANA S

A Semana S do Sistema Comércio acontece até domingo, com programação gratuita em diversas cidades de Mato Grosso do Sul. A iniciativa mobiliza unidades do Sesc-MS, Senac-MS, Fecomércio-MS e sindicatos empresariais, oferecendo cursos, palestras, oficinas, atendimentos gratuitos, atividades culturais e ações de lazer.

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas previamente pelo site da Semana S: mkt.sescms.com.br.
Em Campo Grande, um dos principais polos da programação, a abertura acontece hoje, no Senac Hub Academy, com foco em qualificação profissional, empreendedorismo e inovação. A programação reúne mais de 30 workshops nas áreas de beleza, saúde, gestão, tecnologia da informação, comunicação e gastronomia.

Entre os palestrantes confirmados estão o especialista em educação financeira Gustavo Cerbasi, que fala sobre inteligência financeira nos negócios, às 18h, e o comunicador Marcelo Tas, que apresenta palestra sobre comunicação na aceleração digital, às 19h.

A programação também inclui atividades voltadas ao setor produtivo, com temas ligados à gestão financeira, inteligência artificial para RH, gerenciamento de riscos, hotelaria e empreendedorismo.

Amanhã, a programação segue no Parque das Nações Indígenas, com atividades gratuitas voltadas à população. Estão previstas recreação infantil, massoterapia, orientações de saúde bucal, bioimpedância, atividades físicas, oficinas itinerantes e exposições de empresas parceiras do Clube de Benefícios do Sesc.

A noite de sábado será encerrada com apresentação da Orquestra Jovem Sesc-MS, às 18h, e show gratuito de Michel Teló, às 19h. O Sesc Mesa Brasil também fará arrecadação de alimentos não perecíveis para famílias em situação de vulnerabilidade.

Neste domingo, a programação termina com o Circuito Sesc de Corridas – Etapa Horto Florestal, com caminhada de 3 quilômetros e corrida de 5 quilômetros. A largada será às 7h, em frente ao Senac Hub Academy. As inscrições são pagas e podem ser feitas pelo site www.kmaisclube.com.br 

“PRIMA FACIE”

Após temporadas esgotadas e mais de 150 mil espectadores em todo o País, o espetáculo “Prima Facie” chega a Campo Grande para apresentações de hoje a domingo, no Teatro Glauce Rocha.

A peça é protagonizada por Débora Falabella e dirigida por Yara de Novaes. O texto da dramaturga australiana Suzie Miller é considerado um dos mais impactantes do teatro contemporâneo recente.

No palco, Débora interpreta Tessa, uma advogada criminalista que construiu carreira defendendo homens acusados de violência sexual. A personagem, inicialmente confiante no sistema judicial, passa a questionar suas próprias convicções após vivenciar um episódio traumático.

A montagem discute temas como violência contra a mulher, desigualdade de gênero e os limites do sistema jurídico, conduzindo o público por uma narrativa intensa e emocional.

O espetáculo ganhou projeção internacional após montagem no West End londrino estrelada por Jodie Comer, vencedora do Laurence Olivier Award. Desde então, a obra passou por países como Estados Unidos, Alemanha, Turquia e Nova Zelândia.

No Brasil, a montagem se tornou um fenômeno de público e crítica. A atuação de Débora Falabella rendeu à atriz prêmios como Shell, APCA e Bibi Ferreira de Melhor Atriz.

As sessões acontecem hoje e amanhã, às 20h, e no domingo, às 18h. Os ingressos estão disponíveis no Sympla.

ÓPERA QUENN

Os fãs de rock amanhã terão uma noite especial com o “Jantar de Massas com Ópera Queen”, realizado no Salão Social do Clube Estoril.

O evento presta homenagem aos 35 anos da morte de Freddie Mercury e promete reviver clássicos eternos do Queen.

A banda Ópera Queen, considerada uma das principais covers do grupo no Brasil, apresentará sucessos como “Bohemian Rhapsody”, “We Will Rock You” e “Somebody to Love”.

A programação começa às 18h, com música ambiente. Às 19h30min, Roger Simons sobe ao palco, abrindo a noite. O jantar de massas será servido às 21h, e o show principal acontece às 22h.

Os ingressos estão disponíveis pelo Sympla.

OFICINA DE CROCHÊ

Em contraponto à correria cotidiana, o evento Desliga e Cria: Edição Café com Crochê aposta em uma experiência mais intimista e manual neste sábado, das 14h às 17h, no Café Bourbon.

A proposta é reunir pessoas interessadas em aprender crochê enquanto desfrutam de um ambiente acolhedor e desacelerado.

Mesmo quem nunca teve contato com a técnica poderá participar. Durante o encontro, os participantes vão confeccionar um porta-copo ou porta-xícara em crochê.

O ingresso inclui vale-café, ecobag, kit com fios e agulha, material de apoio e acompanhamento guiado durante todo o processo.

As vagas são limitadas e os ingressos estão disponíveis pelo Sympla.

AUGUSTO CURY EM DOSE DUPLA

A obra de Augusto Cury também chega aos palcos de Campo Grande com a peça “Nunca Desista de Seus Sonhos”, amanhã, às 20h, no Teatro Dom Bosco. Os ingressos estão disponíveis pelo Sympla.

A montagem, estrelada por Nizo Neto e Maximiliana Reis, mistura humor, drama e mensagens de esperança em uma narrativa sobre saúde emocional e autoconhecimento.

A trama acompanha a psicóloga Carol, personagem que ajuda pacientes utilizando conceitos da inteligência emocional, mas encontra dificuldades para lidar com os próprios conflitos pessoais.

A peça aborda temas como ansiedade, maternidade, relações familiares, dependência das redes sociais e busca por propósito.

Além da peça inspirada em sua obra, Augusto Cury estará em Campo Grande para uma palestra beneficente, hoje, às 19h, no Bosque Expo, localizado no Shopping Bosque dos Ipês.

Com renda revertida ao Hospital São Julião, o evento terá como tema “Gestão da Emoção na Era da Intoxicação Digital”.

A palestra abordará ansiedade, hiperconectividade e impactos emocionais provocados pelo excesso de estímulos digitais. Antes do encontro, o público acompanhará apresentação da Sinfônica de Campo Grande com a Orquestra Indígena, sob regência do maestro Eduardo Martinelli.

Os ingressos podem ser adquiridos pelo site oficial www.saojuliao.org.br.

SESC TEATRO PROSA

Hoje, às 19h, o público poderá conferir o show musical de Karla Coronel, que apresenta sua obra autoral com influências da MPB contemporânea e ritmos urbanos, abordando questões sociais, étnicas e afetivas.

Já amanhã, às 16h, haverá o espetáculo infantil “Será que Meu Pé Sabe?”, do Grupo Casa. A peça trata de adoção e afeto, contando a história de uma família que se constrói a partir do amor.

Ingressos podem ser retirados gratuitamente pelo Sympla.

Diálogo

Doze mil e duzentas autuações por descumprimento de horários, outras... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta terça-feira (9)

09/06/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Davi Roballo - escritor brasileiro

"Quem quiser encontrar o sentido da vida, deve preparar-se para nunca o encontrar, pois ele tem mil faces e muda constantemente".

 

FELPUDA

Doze mil e duzentas autuações por descumprimento de horários, outras 3,4 mil por omissão de viagens e 197 ônibus circulando acima da idade permitida pelo contrato. Os números ajudam a explicar a crise enfrentada pelo Consórcio Guaicurus. Durante audiência pública, foram reforçadas as conclusões já apontadas pela CPI da Câmara. O relatório dos vereadores recomendou a substituição imediata dos veículos irregulares e até intervenção na empresa. Os levantamentos da comissão confirmaram falhas operacionais recorrentes e outros problemas.Mas nadica de nada foi feito!...

Ampliando

A Câmara dos Deputados aprovou projeto que amplia direitos de pessoas com diabetes tipo1, além de reforçar o acesso a medicamentos pelo SUS. O texto passou pelo Senado, sem alterações.

Mais

O enquadramento como pessoa deficiente irá dependerdos critérios do Estatuto da Pessoa com Deficiência. Concessão do Benefício de Prestação Continuada também exigirá avaliação. 

DiálogoFoto: Divulgação/Alems

O maior tatu do mundo poderá ganhar uma data especial em Mato Grosso do Sul. Tramita na Assembleia Legislativa projeto de lei que institui o Dia Estadual do Tatu-Canastra, a ser celebrado em 13 de agosto. A proposta busca fortalecer ações de preservação da espécie, considerada vulnerável devido à perda de habitat, incêndios florestais e degradação ambiental. O tatu-canastra pode atingir até 1,5 metro de comprimento, pesar cerca de 50 quilos. Ele tem hábitos noturnos, baixa população e reprodução lenta, fatores que aumentam seu risco de extinção. A data escolhida coincide com o Dia Internacional do Tatu e conta com respaldo técnico do Instituto de Conservação de Animais Silvestres. A proposta é do deputado Rinaldo Modesto.

Diálogo Geraldo Maiolino - Foto: Arquivo Pessoal 

 

DiálogoDra. Fabiane Parizotto - Foto: Arquivo Pessoal

Mexidão

Ainda repercute o vídeo de Fábio Trad, pré-candidato ao governo, no qual dispara críticas contra lideranças evangélicas e senadores alinhados ao bolsonarismo. Na defesa de Lula e da indicação (rejeitada) de Jorge Messias ao STF, misturou religião, política e até referências bíblicas. Sobrou para os parlamentares, chamados de "fariseus". Nem as Escrituras escaparam da sua artilharia verbal. Quando alhos, bugalhos e ideologia dividem o mesmo discurso...

Vitrine

A audiência pública promovida pelo deputado Pedro Kemp, em Corumbá, transformou-se numa vitrine de críticas ao projeto de concessão da Hidrovia do Rio Paraguai. Foi feito o alerta que dragagens permanentes e até explosões de formações rochosas podem alterar a dinâmica natural do rio. O receio é que o ciclo  de cheias e vazantes do Pantanal seja afetado diretamente. Para os participantes, falta transparência e sobram dúvidas. 

Questionando

Outro ponto que provocou reação foi o avanço dos investimentos antes mesmo da conclusão do licenciamento ambiental. Durante o debate, lembraram que bilhões de reais já foram destinados à estrutura logística ligada à hidrovia, enquanto estudos seguem em discussão. Também surgiram questionamentos sobre a baixa geração de empregos do modelo proposto e a ausência de representantes da sociedade civil nos órgãos de acompanhamento. Kemp defendeu mais estudos e pediu a suspensão da obra até que os impactos sejam esclarecidos. 

ANIVERSARIANTES 

Geraldo Palhano Maiolino;
Paulo Roberto Álvares Ferreira;
Rejane Amorim Monteiro Mishima;
Fabiana Martins Jallad;
Ludmila Guimarães de Almeida;
Aluízio de Albuquerque;
Nicolas Godoy;
Valentina Toshiko Nomura Oyadomari;
Adão Nerez Marques;
Ieda de Oliveira Freitas;
João Carlos Nocera;
Dra. Maristela Harume Ogatha;
Armando Eijo Oshiro;
Roger Azevedo Introvini;
Sergio Romero Bezerra Sampaio;
Sivalte Carvalho da Silva;
Ricardo Arguelho de Queiroz;
Raulindo dos Santos;
Roney Hudson Valentim Fagundes Moreira;
Nilza Batista Siqueira;
Emilio Chehade Ibrahim Elosta;
Dr. Waldemar Casuo Abe;
Eduardo Rafael Fregatto;
Ademir Dias;
Thais Alfonso Matos;
Lauro Takeshi Miyasato;
Manoel Barbosa;
Antonio Claudio Duarte Mendes;
João Batista da Silva;
Roberta Somensi;
Eulina Espíndola;
André Luiz de Souza Anzoategui;
Maria Rodrigues Correa;
Marcos Assunção de Freitas;
Henrique Pires de Freitas;
Marina Giacomini;
Regis Lamas de Morais;
Generoso Pereira de Arruda;
Elcy Figueiredo Nunes de Barros;
Paulo Batista;
Antonio Lucas Brito Lustosa;
Jair da Conceição;
Valeria Alves Leão;
Wilson Rosilho;
Dr. Claudio Vinicius Sorrilha;
Luiza Kanashiro;
Gilson Perrupato de Souza;
Joaquim Olegário Almeida;
Antonio Firmino Ferreira Melo;
Cícero Gomes Coimbra;
Jessé Duarte Passos;
Nilda Rodrigues Cubel;
Alexandra Vilalba Duarte;
Maria Tagliari;
Oldemar Sanches;
Erone Amaral Chaves;
Meire Takimoto;
Regina de Souza;
Jofeli Paes de Carvalho;
Márcia do Vale Fernandes;
Wanderley Barros de Almeida;
Noemia Barbosa Navas;
Dr. Patrick Costa Vieira;
Vera Rute Pereira;
Maria Antonia Oliveira de Souza;
Varlene Rodrigues da Silva;
Paulo Márcio Silveira;
Paolla Menezes Moreira;
Neide Furquim de Oliveira;
Fábio Portela Machinsky;
Ademar Trelha;
João Henrique Maia;
Helena Florípedes Assunção;
Mário Sérgio da Costa;
Dra. Luciana Ramires;
João Vieira de Almeida Neto;
Reynaldo Passanezi;
Cleide Aparecida de Souza Leão;
Mariana Bernardy;
Carlos Alberto Avalos Cabanha;
Suzy Margareth Guilherme Rosalino;
Silvio Bueno Pereira;
Neuzinete Aparecida Montalvão;
Elton de Campos Galindo;
Carla Roa de Medeiros Guimarães;
Aleixo Fernandes Brugeff;
Eduardo Humberto Fernandes Brugeff;
Paula Barcellos Rodrigues;
Dra. Cibelle Olarte Dittimar;
Dr. Lucio Rogério Costa de Paula;
Hélio Sacht;
Márcia Cristina Chita do Espirito Santo;
Luiz Aranha de Albuquerque Júnior;
Cleide Barbosa de Araujo Adania;
Eduardo Cação;
Daniel Hidalgo Dantas;
Karla Danielle de Albuquerque Arruda;
Wolney Sandim Borges;
Délcio Ruiz Barbosa;
Márcia Mariko Asano;
Eusa Helena Medina Yano;
Guilherme Kaiper Cruz de Faria;
Anapaula Souza Moreira Stagliano;
João Marcos Arruda Dassoler;
Mário Massahide Goto Junior;
Rosana Paradeira Satti Donega. 

Colaborou com Tatyane Gameiro

Lançamento literário

Suicídio indígena é tema do novo livro do poeta e teatrólogo Américo Calheiros

Obra do poeta e teatrólogo transforma em versos a dor provocada pelos altos índices de suicídio entre os povos originários e propõe reflexão sobre uma das mais graves questões sociais de Mato Grosso do Sul

08/06/2026 08h30

O título

O título "Suicígena" é um neologismo criado por Américo Calheiros que traduz a essência da obra Foto: RAQUEL DE SOUZA

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Amanhã será lançada uma obra que promete provocar reflexão e ampliar o debate sobre uma das mais delicadas questões sociais do Estado. O poeta, escritor e teatrólogo Américo Calheiros lança o livro “Suicígena”, publicação que reúne poemas inspirados na realidade enfrentada pelos povos indígenas de Mato Grosso do Sul, especialmente diante dos elevados índices de suicídio registrados entre essas populações.

O evento acontece a partir das 19h, na sede da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), em Campo Grande, com entrada gratuita e aberta ao público.

Publicado pela Life Editora, o livro surge como um manifesto poético diante de uma realidade que há décadas desafia autoridades, pesquisadores, lideranças indígenas e organizações de direitos humanos.

A motivação para a criação da obra nasceu do impacto causado pelos números divulgados pelo Relatório de Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Conforme os dados referentes a 2022, Mato Grosso do Sul registrou, em média, 24 casos de suicídio para cada 100 mil habitantes indígenas.

O índice é três vezes superior à taxa observada na população brasileira em geral, que no mesmo período foi de 8 casos a cada 100 mil habitantes, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Foi diante dessa realidade que Américo Calheiros encontrou na poesia uma forma de expressar sua inquietação e contribuir para que a temática alcance novos espaços de discussão.

O próprio título do livro sintetiza essa proposta. “Suicígena” é um neologismo criado pelo autor a partir da fusão parcial das palavras “suicídio” e “indígena”, dando origem a um conceito que traduz a essência da obra.

“É a síntese perfeita do espírito do livro, cuja ideia surgiu sob a égide dos suicídios indígenas em Mato Grosso do Sul, à medida que fui tomando contato, pela imprensa, desse fato e também das precárias condições de vida dos indígenas, que são o imediato pano de fundo dessa situação e fator determinante para a perda da vontade de viver das populações indígenas”, resume o autor.

Embora o tema central seja o suicídio indígena, Calheiros explica que o livro também se debruça sobre elementos que envolvem a cultura, a identidade e a resistência dos povos originários. Segundo ele, trata-se da primeira vez que sua produção literária aborda diretamente essa temática, motivada pela necessidade de ampliar a conscientização da sociedade.

“Foco de preconceitos dos mais diversos, de assoladora discriminação, do desinteresse e da desconsideração dos poderes constituídos, a população indígena foi, no decorrer da história, alvo dos maiores genocídios, que quase a exterminaram. Movido pelo sentimento que tudo isso me provocou, recorri à manifestação poética para tocar mentes e corações alheios à essa questão”, afirma.

CONSCIENTIZAÇÃO

Em “Suicígena”, a poesia assume o papel de transformar estatísticas em experiências humanas, revelando as consequências do preconceito, da exclusão social e dos conflitos por terra que marcam a realidade de diversas comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul.

O Estado concentra uma das maiores populações indígenas do País, reunindo povos como guarani, kaiowá, terena, kadiwéu, kinikinau, ofaié e atikum, entre outros.

Nas últimas décadas, a disputa por territórios tradicionais e as dificuldades relacionadas ao acesso à saúde, à educação, ao trabalho e à preservação cultural se tornaram fatores frequentemente apontados por especialistas como elementos que contribuem para o agravamento de doenças mentais.

A obra de Américo Calheiros não pretende oferecer respostas definitivas acerca desse problema, mas provocar reflexão e incentivar o diálogo sobre a necessidade de políticas públicas mais efetivas.

“A sociedade mundial tem uma dívida incomensurável com os povos originários. Claro que as vozes indígenas já estão dizendo o que precisam e o que querem, só precisam, efetivamente, ser ouvidas. Se a minha poesia contribuir, que seja um pouco, com essa causa, fico feliz”, detalha Calheiros.

A apresentação do livro ficou a cargo da escritora e ensaísta Ana Maria Bernadelli, integrante da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, que define a obra como um exercício de sensibilidade e compromisso social.

“A poesia contida na obra não busca o consolo fácil nem a metáfora ornamental. Ela é lâmina afiada e brasa sobre a pele da indiferença. O poeta Américo Calheiros, ciente da responsabilidade de sua voz, transforma em palavra o luto e a dor dos indígenas que, despojados de suas terras, de seus deuses e de sua dignidade, veem na morte seu último refúgio”, define.

O AUTOR

Professor e teatrólogo, Américo Calheiros é formado em Letras pela antiga Faculdade Dom Aquino de Filosofia, Ciências e Letras (FUCMT) e realizou especialização na Escola Martins Pena de Teatro, no Rio de Janeiro. Há décadas radicado em Campo Grande, dedicou 18 anos ao magistério em escolas de primeiro e segundo graus da Capital.

Sua atuação, entretanto, extrapola a sala de aula e a literatura. Ao longo da carreira, participou ativamente da formulação de políticas culturais e do fortalecimento das artes no Estado.

Entre suas contribuições está a coordenação da comissão executiva responsável pelos festejos do primeiro centenário de Campo Grande.

Também criou o Grupo Teatral Amador Campo-Grandense (Gutac), iniciativa que ajudou a implantar o teatro como ferramenta educativa na Rede Municipal de Ensino, despertando em inúmeros estudantes o interesse pelas artes cênicas.

Américo ainda presidiu a Fundação Municipal de Cultura, Esporte e Lazer de Campo Grande (Funcesp) e a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), além de desenvolver diversos projetos culturais, entre eles, o programa Cesta Básica da Cultura, voltado à democratização do acesso às manifestações artísticas.

Sua produção literária reúne diferentes gêneros e temas, passando por poesia, contos e crônicas.

Entre os títulos publicados estão “Sem Versos”, “Memória de Jornal”, “Da Cor da Sua Pele”, “A Nuvem que Choveu”, “Poesia pra que Te Quero”, “Na Virada da Esquina” e “Campo Grande Aquarela de Luz – Patrimônio Vivo”.

O reconhecimento por sua contribuição à cultura sul-mato-grossense também veio por meio de homenagens institucionais.

Em setembro de 2010, recebeu da Assembleia Legislativa o título honorífico de cidadão sul-mato-grossense.

Em 2015, passou a integrar o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul e, atualmente, ocupa a Cadeira nº 7 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, anteriormente pertencente ao saudoso acadêmico padre Félix Zavattaro.

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