No dia em que começaram as negociações formais entre o governo e as centrais sindicais a respeito do reajuste do salário mínimo para 2011, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, acenou com a possibilidade de se atingir um valor intermediário, de R$ 560,00. "O aumento do salário mínimo para R$ 560,00 é o meio termo. Acho que não ficará em R$ 540,00", disse Lupi, acrescentando, porém, que a definição se dará no âmbito do Planejamento.
Segundo ele, os ministros da área social (Trabalho e Previdência, Carlos Eduardo Gabas) também devem conversar sobre o tema com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana que vem. "Vamos chegar a denominador comum. A Previdência está fazendo suas contas, eu estou fazendo as minhas contas... e dá para ser mais. Acho que R$ 560,00 é um patamar médio razoável, mas não depende só de mim", reforçou.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, saiu do encontro com os sindicalistas ontem, em São Paulo, insistindo na correção para R$ 540,00 (mantendo o critério em que se levam em conta a inflação e o crescimento do País no ano anterior). Já as centrais batem o pé por um aumento maior, de R$ 580,00.
Lupi fez questão de responder às críticas ao aumento do salário mínimo acima da fórmula acertada no passado com as centrais sindicais. "Essa história é antiga. No passado, quando se falava em aumento de salário mínimo, se dizia logo que isso ia quebrar o País. Nos últimos sete anos e meio do governo Lula, o salário aumentou 74% acima da inflação e, em vez de o País quebrar, foi a recuperação salarial que fez o País não ter crise", alegou. Quem quiser ser contra o aumento do salário mínimo precisará de outro argumento porque esse, segundo ele, não funciona mais.