A pressão renovada dos produtos alimentícios elevou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a 0,83% em novembro, a maior taxa mensal apurada pelo IBGE em mais de cinco anos. Os alimentos, sozinhos, contribuíram com 60% da variação e subiram 2,22%, o maior aumento em oito anos. No ano, o indicador oficial de inflação já acumula alta de 5,25%, ultrapassando o centro da meta estabelecida pelo Banco Central (4,5%).
O resultado marcado por recordes aponta também que o IPCA de novembro é o maior para o mês desde 2002. Para a coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, os impactos de alta no índice estão sendo impulsionados pelos problemas climáticos que afetaram a safra de alguns produtos agrícolas no Brasil e no mundo.
Também contribuíram para a elevação de preços o aumento da demanda externa e no mercado doméstico, neste caso, sob influência da elevação da renda dos trabalhadores. O item carnes, vilão da inflação no mês e no acumulado do ano, subiu 10,67% em novembro e contribuiu, sozinho, com 0,25 ponto percentual, ou cerca de 30% do IPCA do mês. Segundo Eulina, os preços das carnes estão sendo puxados para cima pela entressafra da carne bovina e o aumento da demanda. No topo da lista de contribuições figuram alimentos e serviços, como carnes (alta acumulada de 26,79%), empregado doméstico (11,02%), refeição (8,47%), colégios (6,64%) e ônibus urbano (7,47%).