Em apenas seis dias, o comércio varejista de Campo Grande, espera vender 47% do montante que será comercializado em todo o mês de dezembro. A estimativa é da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), que acredita que o pagamento do 13º dos servidores públicos estaduais, feito na última sexta-feira, no valor de R$ 140 milhões, associado ao do setor privado, cuja segunda parcela sai amanhã, deverá injetar, no mínimo, R$ 800 milhões na economia do Estado, podendo chegar a R$ 1,3 bilhão.
E a correria já começou. Ontem, muitos dos que receberam o 13º começaram suas compras. A região central de Campo Grande, por exemplo, registou movimentação bem superior à de um sábado comum. "Estamos vendendo pelo menos 50% mais que em qualquer outro sábado do mês", disse Letícia Gonçalves, gerente da Farfalla, loja de vestuário que teve que dobrar o número de atendentes para conseguir dar conta da demanda desta última semana que antecede o Natal.
Na loja Le Postiche, os estoques de malas para viagem cresceram 70% por conta da grande procura. Os que vão sair de férias entre dezembro e janeiro têm sido os principais clientes da empresa de bolsas e acessórios neste final de ano. "O movimento foi bem expressivo nos últimos dias, mas sabemos que a maioria deixa para última hora. Então acreditamos que nesta semana, as vendas devam superar as expectativas", comentou a gerente Nueli Silva.
Dispostos a gastar
Neste ano, segundo a associação, o consumidor tem se comportado diferente dos últimos anos em suas compras. Pesquisa feita pela entidade revelou que a população não pensa mais em crise, e está disposta a gastar, comprando presentes que custam, em média, R$ 100. "Temos um cenário econômico muito favorável, de segurança na economia e no emprego. As pessoas estão cada vez mais procurando produtos de qualidade e duráveis, que consequentemente custam mais caros", explicou o vice-presidente da ACICG, João Carlos Polidoro.
De acordo com o vice-presidente, as classes C e D são as que mais têm buscado produtos que vão além do básico, com algum valor agregado. "Elas estão mais exigentes", afirmou. E tamanha segurança tem sido confirmada pela forma de pagamento, mais de 50% dos consumidores deste Natal deverão fazer suas compras à vista, o que capitaliza empresas e evita o principal risco quando o assunto é crédito: o endividamento.