Economia

COMPULSÓRIO DE BANCOS

Medida do BC reduz ganhos de quem aposta no Real

Medida do BC reduz ganhos de quem aposta no Real

Redação

06/01/2011 - 13h32
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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou hoje que a medida anunciada na manhã de hoje pelo Banco Central de exigir compulsório de 60% sobre o equivalente das posições vendidas em câmbio dos bancos que ultrapassem US$ 3 bilhões, é positiva porque diminui a rentabilidade das instituições financeiras que apostam em uma valorização do real em relação ao dólar. A expectativa é que a medida consiga, no curto prazo, diminuir a valorização do real, atingindo o objetivo do Governo. Entretanto, o economista afirma que, uma vez que os fundamentos – diferencial das taxas de juros e crescimento da economia – não serão alterados, no médio prazo, o movimento de apreciação do real deve continuar.

Existe expectativa de que o dólar volte a ganhar valor não só em relação ao real, como também ante outras moedas, mas isso seria causado pela melhoria do mercado de trabalho nos EUA. Sobre esse tema, vale lembrar que na última sessão, a criação de postos no setor privado ficou bem acima das expectativas, enquanto a projeção para os próximos dados do setor que serão publicados na sexta-feira também é positiva.

No jargão do mercado financeiro, "estar vendido" sinaliza realização de negócios que exigem a entrega futura de dólar ou pagamento da variação cambial. Na prática, isso representa a aposta dos bancos de que o real vai se valorizar. Estar "comprado", por consequência, sinaliza a expectativa de depreciação da moeda brasileira.

"A medida vai no cerne da questão. Hoje a cotação está se fazendo mais no mercado futuro do que no à vista", disse o ministro. De acordo com ele, apesar da medida estar em estudo desde 2008, ainda não havia chegado o momento para que fosse implementada. Mantega destacou que ao fim de 2009 os bancos tinham posição comprada. "A concentração na posição vendida é um movimento recente que se intensificou em novembro e dezembro de 2010."

Segundo Mantega, a atuação do Banco Central não impede que a Fazenda continue tomando medidas com o objetivo de conter a alta volatilidade do câmbio. "Vamos continuar observando. O dólar é flutuante e não dá para arriscar. No momento temos verificado que há flutuações internas e externas", afirmou.

As declarações foram dadas quando Mantega chegava ao Ministério da Fazenda, após participar de reunião com a presidente Dilma Rousseff e outros ministros.

Mudanças

O economista André Perfeito, da Gradual Investimentos, avalia que o Governo deixou claro que existe uma meta para o câmbio e, mais importante, cita uma possível alteração na condução da política econômica do País.

Para o analista, a ação do BC veio dentro do contexto onde o real valorizado é considerado negativo para o crescimento econômico pelo Governo. “Esta medida tem como objetivo avisar ao mercado que existem mais instrumentos do que a simples intervenção no câmbio para conter a apreciação do real e que o BC está disposto a fazer isso”.

Segundo Perfeito, existe a possibilidade de que esteja em curso “uma alteração importante na condução política econômica do País”. Para ele, a medida desta manhã pode sinalizar que, em meio a relutância do Governo em aumentar os juros, o instrumental tradicional de política monetária – taxa básica de juros – deve ser substituído por ferramentas de ordem quantitativa, onde se destacam o aumento do recolhimento compulsório e o aperto fiscal.

Assim, ao mesmo tempo em que o controle do câmbio é tema central na pauta do Governo, existe a utilização de instrumentos novos de política monetária. “O Governo nunca vai admitir isso, mas é exatamente o que ele está comunicando ao mercado”, diz o economista. "Se o Governo quer alterar as principais variáveis econômicas, não vemos problemas nisso, só acreditamos que isso deve ser comunicado de maneira mais clara à sociedade. Fazer o contrário só irá trazer ruídos desnecessários", completa. Perfeito finaliza afirmando que parece que “a política monetária ficou refém da política cambial”.
 

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