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Brasil tem maior inflação na AL entre países com regime de meta

Brasil tem maior inflação na AL entre países com regime de meta

Redação

15/01/2011 - 08h53
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Depois de 17 anos de estabilidade econômica, a inflação ainda é uma carga pesada no Brasil. Entre os países da América Latina que adotam o regime de metas, o Brasil foi um dos que tiveram mais dificuldade para reduzir a inflação na recessão econômica após a crise mundial de setembro de 2008.

Além de registrar a maior taxa em 2010, foi o primeiro a ter que subir juros para conter reajustes de preços em razão da retomada de 2010.

O maior problema é que mais de um terço da inflação ainda é indexada e, portanto, vinculada à variação dos preços registrada um ano antes.

Combinam-se a isso três outros fatos importantes. Primeiro, o país tem uma das metas de inflação mais elevadas, o que, na avaliação de especialistas, é um convite à indexação na hora em que os contratos são negociados.

Além disso, os estímulos fiscais dados pelo governo nos últimos anos e a atuação de bancos e empresas públicas favoreceram o consumo e o gasto e, como consequência, novos reajustes.

"O resultado fiscal do Brasil não é tão ruim, mas tem mecanismos que enfraquecem a política monetária e fazem com que a ação precise ser mais forte", diz o ex-presidente do BC Gustavo Loyola.

Segundo ele, com operações do BNDES a custos mais baixos -desvinculados da taxa Selic fixada pelo BC- e a forte atuação da Caixa Econômica e do Banco do Brasil na concessão de crédito, "uma parte da economia não responde à atuação do BC para controlar a inflação".

Por isso, o BC tem que elevar mais rápido e mais forte os juros em momentos de risco de descontrole de preços.

Meta alta

Para completar, como a meta de 4,5% ao ano (podendo variar de 2,5% a 6,5%) é alta diante do resto do mundo, isso "sugere" sempre para trabalhadores e empresários que "a inflação vai ser maior no Brasil", iniciando um ciclo que se autoalimenta, segundo o economista do WestLB Roberto Padovani.

Diante desse cenário, a redução da meta de 4,5% ao ano -defendida pelo próprio presidente do BC, Alexandre Tombini- poderia ser feita já no ano que vem, segundo Loyola.

A avaliação é que, à medida que a inflação perseguida for menor, próxima a 3%, 2%, a necessidade de indexar contratos ficaria restrita às operações de longo prazo.

"Há um gatilho na economia que desencadeia a inflação inercial. Se a inflação for muito baixa, as pessoas não tendem a se preocupar muito em indexar os contratos."

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