Economia

SEM CORTES

Dilma não reduz ceticismo sobre a inflação

Dilma não reduz ceticismo sobre a inflação

Redação

01/02/2011 - 07h47
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Apesar das promessas de cortes de gastos, da elevação dos juros e das medidas para elevar as cotações do dólar, o governo Dilma Rousseff encerrou seu primeiro mês sem conseguir debelar o ceticismo de investidores e analistas quanto aos resultados das políticas fiscal, monetária e cambial neste ano.

Segundo a pesquisa periódica feita pelo Banco Central entre bancos e consultorias, as expectativas para os três indicadores que balizam a política econômica ficaram estáveis ou pioraram tanto na comparação com o segundo turno das eleições quanto com o final do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Nenhum deles estava ou está em patamares desejáveis pelos parâmetros do próprio governo: as metas fiscais têm sido descumpridas desde 2009 e não se acredita que vão ser atingidas neste ano; a inflação ficou acima da meta em 2010 e, para o mercado, ficará de novo; o dólar barato produz deficit crescentes nas transações com o exterior.

Especialistas ouvidos pela Folha afirmam que a demora do corte efetivo do Orçamento é culpada pela piora das expectativas de inflação, mesmo com alta dos juros do Banco Central de 10,75% para 11,25% ao ano.

O economista-chefe do Besi Brasil (Banco Espírito Santo Investment), Jankiel Santos, elevou sua projeção para a inflação. No fim de 2010, a expectativa era que os preços subiriam 4,9% em 2011. Agora, espera IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 5,4%.

"No final do ano passado, esperávamos que o corte dos gastos seria anunciado no início deste ano."

Santos manteve as projeções para o dólar, a R$ 1,75 no final do ano (ontem, a moeda fechou cotada a R$ 1,67). Ele prevê superavit primário -a parcela das receitas poupada para o abatimento da dívida pública- equivalente a 2,8% do Produto Interno Bruto, abaixo da meta de 3,1%.

Meta

O economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, calcula inflação de 5,16% e só pretende reavaliar a estimativa depois da definição dos cortes de despesas. Ele não acredita no cumprimento da meta de superavit, que pelos seus cálculos dependeria de um corte de pelo menos R$ 65 bilhões.

Eduardo Yuki, do BNP Paribas, também elevou a projeção de inflação deste ano, de 5,5% para 5,8%. Além da indefinição orçamentária, pesaram na conta os preços dos produtos básicos, em especial dos alimentos.

"Ainda é muito cedo para ter uma avaliação do governo, mas seria importante já estar anunciado o corte do Orçamento", diz Yuki.

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