Em um ano marcado pelos efeitos da crise financeira internacional, o chamado "superávit primário", que é a economia feita para pagar os juros e tentar manter a trajetória de queda da dívida pública, recuou R$ 22,3 bilhões no acumulado dos oito primeiros meses de 2012, segundo números divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Banco Central.
De janeiro a agosto deste ano, o esforço fiscal do setor público consolidado (União, Banco Central, INSS, estados, municípios e empresas estatais) somou R$ 74,22 bilhões, com recuo de 23,1% frente a igual período do ano passado (R$ 96,54 bilhões).
A crise financeira internacional tem impacto mais forte nas contas públicas pelo lado da arrecadação. Com menos atividade econômica, a arrecadadação de impostos e contribuições federais também recua. Além disso, o governo promoveu desonerações para alguns setores da economia, como forma de estimular o crescimento econômico.
"Isso se deve à dinâmica diferente da atividade neste ano. Entramos [2012] com moderação de atividade, que vem desde o fim do ano passado. É um ano menos favorável em termos de obtenção de superávits. O cenário internacional e seus impactos na economia domestica se refletem nas receitas. E também temos as medidas anticíclicas, como desonerações em alguns segmentos [feitos pelo governo, como redução do IPI da linha branca e automóveis]", disse Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do BC.