Em mais um episódio da luta contra a pressão inflacionária, o governo fez hoje o que os investidores já previam: voltou a intervir no mercado de câmbio. Com um leilão de contratos de swap cambial reverso, que funcionam como uma compra de dólares no mercado futuro, o Banco Central conseguiu mudar a tendência negativa do dólar, que operava na casa de R$ 1,95, empurrando a cotação para cima.
Foram vendidos 10 mil contratos, o equivalente a US$ 502 milhões. A absorção pelo mercado ficou bem abaixo da oferta do BC, que contemplava 37 mil papéis, ou US$ 1,85 bilhão. Mesmo assim, a moeda terminou o dia cotada a R$ 1,971 no mercado à vista, ligeiro avanço de 0,05%.
"O mercado já esperava por este movimento do BC, por isso, quando as negociações abriram, a queda do dólar não foi tão expressiva, ficando em torno de R$ 1,95", avaliou o operador de câmbio Reginaldo Galhardo, da Treviso Corretora. Segundo ele, a cotação da moeda deve oscilar em torno de R$ 1,97 nos próximos dias.
As perspectivas de que a autoridade atuaria novamente no mercado de câmbio aumentaram após o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, medida oficial de inflação no país) mostrar alta de 0,86% em janeiro. Trata-se do maior nível para o mês desde 2003 e o mais alto índice mensal desde abril de 2005.
Além disso, a FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgou hoje que o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) teve alta de 0,88% na primeira quadrissemana de fevereiro, após ter fechado janeiro com elevação de 1,01%.