Os imprevistos podem levar consumidores que renegociam dívidas com as instituições financeiras a voltar para as estatísticas de inadimplência. Para o coordenador do MBA em Gestão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira, o alto índice de inadimplência pode ser explicado porque, na hora de renegociar, o consumidor e a instituição financeira não fazem uma análise adequada da capacidade de pagamento.
“O consumidor, querendo se livrar do problema, em boa fé, pode comprometer volume de recursos acima do que seria prudente”, diz. Ele acrescenta que quando for assumir um novo financiamento ou renegociar dívida, o consumidor deve analisar quais são as despesas já existentes e deixar sobras para imprevistos.
Em janeiro deste ano, a taxa de inadimplência do crédito renegociado chegou a 22,4%, em janeiro deste ano, bem maior que o total para pessoas físicas (7,9%). Esse percentual só é menor que o do rotativo do cartão de crédito (financiamento de parte do valor total da fatura e também de saques na função crédito) que ficou em 36,6%, em janeiro deste ano. Os dados mostram a situação de pessoas que renegociaram a dívida porque já estavam inadimplentes e daquelas que quiseram mudar o contrato. O BC considera inadimplência atrasos acima de 90 dias.
Dados do BC mostram que a taxa de juros do crédito renegociado é mais alta que a taxa total para pessoas físicas (crédito com recursos livres). Enquanto a do crédito renegociado chegou a 39,3% ao ano, em janeiro, a média para pessoas físicas ficou em 34,5% ao ano. Teixeira explica que a taxa é maior porque o cliente já tem histórico de inadimplência. Portanto, o risco para o banco é maior. “Fica embutida uma taxa de risco”, explica Teixeira.