Economia

Transporte de cargas

Cade julga 9 aéreas por cartel no Brasil

Cade julga 9 aéreas por cartel no Brasil

Redação

28/08/2013 - 14h15
Notícia sem imagem

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) começa a julgar nesta quarta-feira (28) a participação de nove empresas aéreas na formação de um cartel no transporte de cargas no Brasil. O caso foi aberto em 2006 após a alemã Lufthansa, que confessou a participação no esquema, usar o programa de leniência - "delação premiada" - para fazer a denúncia.

O processo investiga um esquema ilícito na cobrança do adicional de combustível, com combinação de preços e datas de reajustes, e que envolveria Air France, KLM (atual Air France-KLM), ABSA (atual TAM Cargo), Alitalia, American Airlines, United Airlines, VarigLog, Swiss International Airlines e Lufthansa durante o período de 2003 a 2005.

Com o acordo, a concorrência entre as empresas não era estimulada e elas ofereciam tarifas mais altas para os clientes. Segundo a denúncia da Lufthansa, as companhias trocavam informações para elevar o adicional de combustível - taxa que existiu a partir de 1997 e depois foi proibida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em 2010 - até o limite permitido pela legislação.

Por meio do acordo de leniência, a Lufthansa se comprometeu a cooperar com as investigações em troca de imunidade administrativa e criminal e não deverá receber, portanto, multas. A Swiss, por ter sido adquirida pela Lufthansa um ano antes da delação, também não deve receber punição. A imunidade para ambas, no entanto, não é automática.

"No julgamento do processo pelo Tribunal do Cade, caso seja constatado que o acordo foi integralmente cumprido, o beneficiário poderá ter a extinção da punibilidade", informou o Cade em nota.

Pena de até 20% do faturamento
Segundo Eduardo Jordão, professor de direito administrativo da FGV do Rio de Janeiro, a delação premiada é uma arma essencial da política antitruste.

"Esta é a racionalidade econômica por trás do instituto da delação, quer dizer, de aumentar os custos dos cartéis e gerar uma instabilidade dentro dele. Com isso, seus membros precisam investir em vigilância interna e estão permanentemente temerosos de que alguém vai denunciar o esquema. Esta instabilidade diminui a lucratividade de um cartel", afirma Jordão.

Em fevereiro deste ano, o Cade celebrou um termo de compromisso com o grupo Air France/KLM e com duas pessoas físicas. No acordo, as partes se comprometeram a encerrar as práticas investigadas, confessaram participação no caso e se comprometeram a pagar o total de 14 milhões de reais em multas. As outras empresas, porém, não devem ser poupadas de uma condenação.

A lei prevê pena de 0,1% a 20% do faturamento bruto no ramo de carga no último ano anterior à instauração do processo administrativo pelo Cade. Já os executivos e funcionários responsáveis pela infração cometida também são punidos e pagam multa entre 1% e 20% do valor da multa aplicada à companhia aérea.

Contactadas, as assessorias de imprensa da American Airlines, dos grupos Air France/KLM e Lufthansa/Swiss International Airlines informaram que não vão se pronunciar sobre o caso. A TAM Cargo, por meio de nota, afirmou que "não se manifestará, pois o processo está sob judice no Cade" e a United Airlines, também por meio de sua assessoria, assinalou que cumpre "todas as leis de concorrência e vai continuar se defendendo vigorosamente nesse assunto". A VarigLog está em processo de falência, e a Alitalia não retornou o contato até o fechamento da reportagem.

Na Europa, delação similar
A Lufthansa já havia delatado esquema similar na Europa e nos Estados Unidos. Com isso, em novembro de 2010, a Comissão Europeia multou 11 companhias aéreas de carga, no valor de 799 milhões de euros, por participarem de um cartel para a fixação de preços entre dezembro de 1999 até fevereiro de 2006. A Lufthansa e a Swiss International Airlines, por terem sido as delatoras do caso, ficaram isentas de multa.

As companhias que participaram do cartel coordenaram o preço de diversos elementos que interferem na fixação de preços, como os encargos por combustíveis e seguros. De acordo com a Comissão Europeia, os acordos consistiram em numerosos contatos entre as companhias, tanto a nível bilateral, como multilateral, e afetaram voos desde e dentro da União Europeia.

Segundo Márcio Cammarosano, professor de direito administrativo da PUC-SP, a notícia de acordos de delação premiada e de cartel em outros países podem, por exemplo, incentivar a investigação dessas empresas no Brasil.

"Por isso que quando uma grande empresa procura um órgão como o Cade para se confessar e realizar um acordo de leniência, isso já constitui um indicador de que ela estava com receio e admitia a possibilidade de ser descoberta por iniciativa de investigação dos órgãos competentes. E, antes que sejam descobertas, elas se antecipam para obter benefícios da delação premiada", conclui Cammarosano.

Loterias

Resultado da Super Sete de ontem, concurso 919, sexta-feira (06/11): veja o rateio

A Super Sete tem três sorteios semanais, às segundas, quartas e sextas, sempre às 20h; veja quais os números sorteados no último concurso

07/11/2026 08h56

Confira o rateio da Super Sete

Confira o rateio da Super Sete Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Loterias

Resultado da Dupla-Sena de ontem, concurso 3029, sexta-feira (06/11): veja o rateio

A Dupla-Sena tem três sorteios semanais, às segundas, quartas e sextas, sempre às 20h; veja quais os números sorteados no último concurso

07/11/2026 08h55

Confira o rateio da Dupla-Sena

Confira o rateio da Dupla-Sena Foto: Arquivo

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).