A oposição acusou ontem o governo federal de ter realizado o leilão do campo de Libra, mesmo com a participação de apenas um consórcio, com o único objetivo de produzir superávit primário. Os oposicionistas afirmaram que o campo se tornou um "negócio" para o Palácio do Planalto de olho na reeleição da presidente Dilma Rousseff e que ficou evidente que há descrédito dos investidores.
Presidenciável, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que o leilão trouxe o reconhecimento do governo "ainda que tardio e envergonhado da importância do investimento privado para o desenvolvimento do país". O tucano disse ainda que a concorrência evidenciou que há desconfiança dos investidores em relação ao Brasil.
"O atraso na realização do leilão e as contradições do governo vêm minando a confiança de muitos investidores e, no caso da Petrobras, geraram uma perda imperdoável e irrecuperável para um patrimônio construído por gerações de brasileiros", afirmou.
"Nos últimos seis anos, assistimos o valor da empresa despencar, a produção estagnar e o país gastar somas crescentes importando combustíveis, tudo por conta da resistência petista ao vitorioso modelo de concessões. Perdemos tempo, deixamos de gerar riqueza e bem-estar para os brasileiros e desperdiçam os oportunidades", completou.
"O interesse do governo não é produção do petróleo, é produção de superávit primário. O governo precisa desesperadamente não é de plataforma eleitoral para a presidente Dilma, mas dos R$ 15 bilhões dos cofres da União para poder ostentar um superávit primário menos ruim", disse o líder do PSDB, senador Aloysio Nunes Ferreira (SP).
Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), o governo também realizou o leilão mirando os R$ 15 bilhões de bônus que será pago pelo consórcio vencedor. "Certamente, o que move o governo é a busca do superávit. O governo está de olho no bônus que aferirá com a privatização desse patrimônio denominado Libra", afirmou o tucano.
Crítico do governo, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse que o governo Dilma é "neoliberal", e não progressista, como alardeado na campanha da presidente. "A única coisa que o governo realmente queria era realmente o tal bônus, os R$ 15 bilhões para satisfazer a ganância dos bancos na realização do superávit primário. Foi um papelão, um verdadeiro striptease do governo", disse.
Aloysio classificou o leilão de "tiro n'água" por considerar que, da expectativa inicial de 40 empresas participarem da disputa, apenas um consórcio entrou no páreo. "Fazer o leilão a qualquer preço, custe o que custar, pague o que pagar, foi o que aconteceu. Infelizmente. É um furo n'água."
Defesa
Em defesa do leilão, o senador Jorge Viana (PT-AC) disse que o modelo de exploração do pré-sal adotado pelo governo vai garantir à Petrobras e aos cidadãos brasileiros os direitos do campo de Libra. "Se não tivéssemos adotado o sistema de partilha, daria para se questionar se o petróleo ainda é nosso. Mas com os aperfeiçoamentos que foram feitos com o modelo de partilha dá para dizer que o petróleo é nosso."
O petista disse que o "bilhete premiado" do pré-sal, com a possibilidade de em dois anos o governo fazer "ajustes" na sua exploração, vai trazer riquezas ao país em longo prazo. "Agora é seguir e trabalhar para que o pré-sal comece a ser um bom negócio para alavancar o país do ponto de vista econômico."
Para o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), o leilão foi vitorioso e vai garantir geração de emprego e desenvolvimento para o país. "Quem apostou no fracasso quebrou a cara".