A presidente Dilma Rousseff afirmou em entrevista ao programa especial GloboNews Eleições que no futuro, seus quatro anos de governo ficarão marcados pelos investimentos em infraestrutura. Para ela, seu período à frente do Executivo criou as condições para que a economia do Brasil torne-se a partir de agora mais competitiva. A presidente também criticou o pessimismo em relação ao país, o que, segundo ela, dificulta a resolução de problemas e pode se tornar uma "profecia autorrealizável".
"Acredito que a característica principal desse momento, desses quatro anos, quando se olhar para trás, que será visto, é o fato de que nunca se investiu tanto no país em infraestrutura, como nós investimos agora", disse a presidente à jornalista Renata Lo Prete, que no programa entrevista os principais candidatos à Presidência. Dilma afirmou que o governo encaminhou os investimentos públicos e privados em aeroportos, portos e rodovias.
Para entrar num "ciclo de competitividade" na produção de bens, a presidente disse que o Brasil deverá aplicar recursos em ferrovias e hidrovias, na ampliação da banda larga e também na educação, que "tem de ser nossa obsessão", com foco no ensino técnico e na inovação, assinalou. Outra medida necessária, segundo disse, "é superar todos os ranços da burocracia". "Nós somos o país que gostava muito do carimbo e do selo", afirmou. "Há que ter essa reforma do Estado, a extinção da burocracia como prática e método de relação do Estado com a sociedade, com os empresários, com as pessoas".
Crise e pessimismo
Confrontada com dados da macroeconomia – como o baixo crescimento do PIB, a inflação perto do teto da meta, os juros maiores que no início do governo e sinais de menor criação de empregos – Dilma atribuiu à crise internacional as dificuldades atuais. "As taxas de crescimento de todos os países estão extremamente baixas", mencionando desaceleração nos Estados Unidos, na Europa e países emergentes, como China e Índia. "O que acho terrível no Brasil é que alguém possa supor que nós podemos ter um comportamento de crescimento econômico compatível com outro momento internacional. Nós não somos uma ilha. Esses efeitos nos atingem".
Ela ressaltou, contudo, que o Brasil não precisou demitir "milhões e milhões de pessoas", como ocorreu em outros países e que o nível de emprego deve se manter. Dilma disse que o país tem condições de crescer a taxas maiores e "dar um salto". No momento seguinte, a presidente criticou o pessimismo sobre o Brasil. "O pessimismo não é uma boa reação à crise. O pessimismo é uma péssima reação à crise", afirmou.
"O risco do pessimismo em economia é de ser uma profecia autorrealizável. Em alguns casos, isso pode acontecer. Mas o que eu acho mais grave no pessimismo é ele diminuir a capacidade das pessoas de entender a realidade, e superar os desafios, resolver os problemas encaminhando soluções", completou. A presidente apontou como exemplos previsões negativas sobre a realização da Copa e sobre o abastecimento de energia.
Tarifas de luz
Ao falar sobre a política energética, Dilma negou erro de planejamento no aumento recente das tarifas de eletricidade. Ela disse que a alta se dá em razão da seca, que diminui os reservatórios das hidrelétricas e obriga a acionar as termelétricas, com produção mais cara. Ela ressaltou, no entanto, que o aumento poderia ser maior caso o governo não tivesse, no ano passado, condicionado a renovação de contratos com as geradoras e distribuidoras à diminuição dos lucros. "Nós conseguimos reduzir a tarifa em 20%. Isso foi vantajoso, porque naquela época nós não sabíamos nem ninguém sabia se ia haver um tempo, um clima chuvoso ou não. E vivemos a maior seca, em alguns lugares, dos últimos 50 anos, em outros, dos últimos 100 anos".