Restos de poda de árvore, resíduos de rúmen bovino, pedaços de ovo choco, de soja queimada; tudo isso e tantas outras sobras da indústria da alimentação, de fábricas de refrigerantes, de restaurantes, de empresas do agronegócio... voltam para a terra em forma de adubo. A transformação é feita por uma empresa de Mato Grosso do Sul, a Organoeste Campo Grande, que se prepara para entrar em nova etapa: a do reaproveitamento completo do lixo urbano. À frente da iniciativa estão os irmãos Flávio e Ricardo Pereira, que desenvolvem uma tecnologia chamada Sistema Lixo Zero (SLZ), que reaproveitará a totalidade dos materiais descartados, separando a parcela de reciclados comerciais e transformando o restante em dois produtos: adubo orgânico e carvão em pó.
Ricardo explica que há, separadamente, diversos processos de transformação dos materiais lançados fora, como o lixo. “Nós [ele e o irmão] visitamos dezenas de empresas que trabalham com separação do lixo, indústrias de compostagem. O que estamos desenvolvendo é a soma e a melhoria das tecnologias existentes”, afirmou, enfatizando que a reunião das diversas formas de tratamento do lixo em um único sistema é algo inédito no Brasil.
Para compreender esse processo, é preciso, antes, entender a composição do lixo. A explicação vem, desta vez, de Flávio. “Todo lixo é formado por três partes: o reciclado comercial, que corresponde de 10% a 20%; a matéria orgânica, que representa de 50% a 60%; e o rejeito, que é o lixo do lixo (como sacolinhas de supermercado, copinho plástico, papel higiênico), que equivale a cerca de 30% de tudo que é jogado fora”, informou.
A reportagem de Osvaldo Júnior está na edição de hoje (19) do jornal Correio do Estado.