Bons ventos sopram a favor da inovação e de quem empreende no mundo virtual em Mato Grosso do Sul abrindo uma startup, conceito empregado para se referir às empresas de custo inicial relativamente baixo ou zero, nascimento rápido e altíssima velocidade de crescimento. A modalidade de negócio, que ganhou força no Brasil ao longo desta década, reúne hoje 46 empresas no Estado, de acordo com dados da Associação Brasileira de Startups (Abstartups). Os números são colaborativos — na prática, dependem do cadastramento espontâneo dos associados e não levam em conta o dinamismo da atividade, com empreendimentos que “nascem” e “morrem”a todo instante, condição característica das startups — mas dão uma ideia do potencial sul-mato-grossense no segmento.
Há oito anos no universo das startups, o emprendedor Flávio Estevam, de Campo Grande, pode ser considerado um veterano na atividade. Já criou mais de 60 negócios na internet e hoje está com dois deles em andamento. O mais longevo é o Namoro Fake, plataforma responsável pela contratação de relacionamentos fake (falso), que são exibidos no perfil do Facebook e já ultrapassou a marca de 40 mil clientes. “É um serviço fora da caixa e hoje está presente em 52 países”, conta.
O outro é o Dinneer, adaptação da palavra jantar, em inglês, que o próprio idealizador define como o “Airbnb” dos jantares, numa alusão ao site de serviço online comunitário para as pessoas anunciarem, descobrirem e reservarem acomodações em todo o mundo. A ideia, explicou, surgiu da própria experiência de morar fora do Brasil e não ter a possibilidade de poder provar a comida “de casa”.
“Para quem mora fora do Brasil, um prato de arroz, feijão e farinha muitas vezes vale mais que um prato de lagosta, então o valor agregado é muito maior. O Dinneer é uma marketplace para que as pessoas que amam cozinhar possam receber quem deseja experimentar comida brasileira”, explicou. Conforme o empreendedor, a nova plataforma já conta com 1.500 anfitriões no Brasil, além de 700 em outros 19 países. “São 700 brasileiros levando o gostinho da comida brasileira para outros países”, destacou.
Segundo Flávio, o Dinneer foi criado há 11 meses, está em fase de captação de investimentos e a meta é chegar a 100 países até o fim do ano. Na sequência, após atingir os brasileiros, a meta é ir para as outras nacionalidades. Juntos, os dois negócios geram empregos para seis profissionais, além da geração de riqueza para quem é cadastrado nas plataformas, informou. “No Dinneer, 90% (dos cadastrados) ficam com o dinheiro. São 2.500 pessoas beneficiadas com aquilo que nós chamamos de economia compartilhada”, completou.
INOVAÇÃO
Agora, novos e atuais empreendedores, como Flávio Estevam, devem ganhar estímulo extra para a abertura de novos negócios e captação de investimentos, com a abertura do primeiro Living Lab (Laboratório Vivo, ou aberto, em tradução livre) para startups do Estado. Inaugurado na última semana, com apoio de 30 instituições públicas e privadas, o novo espaço entra em operação já com 10 ideias em desenvolvimento.
*A matéria completa está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.