O aumento dos preços de produtos e serviços em Campo Grande está maior que a previsão feita pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o Brasil. Além disso, a tendência de alta voltou a ser notada em maio, em estudo feito pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas da Uniderp (Nepes).
A inflação acumulada nos últimos 12 meses na Capital é de 9,43%, enquanto o teto estabelecido pelo CMN é de 6,5%. O Índice de Preços ao Consumidor na cidade fechou o mês passado em 0,73%. Nos meses anteriores, havia queda consecutiva dessa mensuração. A inflação acumulada para Campo Grande nos últimos cinco meses é de 4,40%.
O Nepes divulgou que a inflação registrada em maio é a maior do período desde 2008. "Há oito anos não havia uma inflação tão alta para o mês de maio. Desse modo, a inflação acumulada dos últimos 12 meses voltou a crescer”, explicou o coordenador do núcleo, Celso Correia de Souza.
Os grupos saúde e transporte foram os que mais puxaram a alta. Vestuário aparece também com destaque. Os preços dos medicamentos pesquisados elevaram-se, na média, em 3,95%. Já nos trasportes, a média da inflação foi de 1,44%.
Os preços dos remédios pesquisados foram aumentados depois de autorização do governo federal. Os principais reajustes foram no antigripal e antitussígeno (12,74%), anti-infeccioso e antibiótico (12,63%), antidiabético (12,57%), psicotrópico e anorexígeno (12,54%).
“O preocupante é que a inflação, que vinha com uma tendência de queda desde janeiro, voltou a crescer em maio, fato que pode atrapalhar os planos do governo que previa uma inflação acumulada para o ano de 2016 em torno de 7%”, indicou o pesquisador Celso Correia.
Ele ainda ressaltou que o reflexo dessa realidade no cotidiano das pessoas é que quem tem menor poder aquisitivo está com maior dificuldade para viver.
O QUE MAIS INFLACIONOU
Alimentação - 16,98%
Educação - 12,02%
Despesas Pessoais - 9,72%
OS 10 VILÕES DA INFLAÇÃO EM MAIO
Hipotensor e hipocolesterínico, com inflação de 12,47% e contribuição de 0,07%;
Óleo diesel, com inflação de 1,14% e contribuição de 0,06%;
Leite pasteurizado, inflação de 4,92% e participação de 0,06%;
Anti-inflamatório e antirreumático, com variação de 12,45% e colaboração de 0,05%;
Aluguel apartamento, com acréscimo de 0,96% e contribuição de 0,04%;
Anti-infeccioso e antibiótico, com aumento de 12,63% e participação de 0,04%;
Psicotrópico e anorexígeno, com variação de 12,54% e colaboração de 0,03%;
Sabão em pó, com acréscimo de 2 ,28% e contribuição de 0,03%;
Etanol, com reajuste de 0,96% e participação de 0,02%;
Hidratante, com elevação de 5,52% e colaboração de 0,02%.
AS CARNES QUE FICARAM MAIS CARAS
Ponta de peito - 3,15%
Músculo - 2,66%
Picanha - 1,68%
Fígado - 1,66%
Cupim - 1,50%
Alcatra - 1,11%
Filé mignon - 0,83%
Vísceras de boi - 0,41%
O coordenador do Nepes da Uniderp sugeriu que a falta de boi gordo para abate repercutiu no aumento de preço de alguns cortes. "Também é oportuno destacar que as exportações brasileiras de carne bovina estão em alta, fazendo com que os preços permaneçam firmes", disse Celso Correia.