Volume de dinheiro emprestado para clientes do crédito consignado em folha aumentou quase R$ 132 milhões em Mato Grosso do Sul, entre março e junho deste ano, passando para R$ 5,71 bilhões, de acordo com dados do Sistema de Informação de Crédito (SFC) do Banco Central. Apesar do aumento no valor da carteira de crédito, o número de contratações na modalidade teve crescimento discreto: saiu de 834.452 para 838.268 operações, aumento de 0,45%. Na avaliação de empresas que atuam no setor em Campo Grande, a movimentação tem sido mantida principalmente pela portabilidade de crédito e demanda de novos aposentados.
De acordo com Neide Salentino dos Santos, supervisora de crédito da MS Cred, que trabalha exclusivamente com o consignado em folha, a portabilidade de compra de dívida e também as novas contratações aumentaram bastante, principalmente neste segundo semestre. A estimativa é de crescimento de 30% no volume total de operações contratualizadas neste ano pela empresa, em comparação com o mesmo período de 2017.
Entre os fatores que têm favorecido esse cenário, está a redução na taxa de juros da modalidade. “A gente trabalhava com 2,24% e a taxa foi para 1,9%”, informou.
Para o fim do ano, a expectativa também é positiva. “Nossa expectativa sempre é a melhor, em função da demanda por compras e também por viagens”, completou.
Fabrício Duarte Alves, proprietário da FDA Cred, também aponta que o mercado passa por expansão, por conta do endividamento do cliente e do aumento de aposentados. “O leque de clientes está crescendo”, pontuou. Mesmo assim, ele avalia que essa tendência não se refletiu sobre as novas contratações. “Para mim teve uma redução, a queda é de até 40% (nas novas operações) mês a mês”, comentou. Segundo o empresário, as taxas estão em torno de 2% para o consignado, enquanto na portabilidade baixou para 1,5% — “pode ser que isso (portabilidade) esteja movimentando o mercado”, avaliou.
CLIENTES
Para o presidente da Associação de Aposentados e Pensionistas de Campo Grande, Valdir Miranda Osório, a estabilidade no número de contratações de empréstimo consignado apontada pelo Banco Central no Estado está relacionada ao grau de endividamento do próprio cliente. “Querer fazer empréstimo, os nossos associados querem, mas o problema é que ele estão todos endividados. Procuram e não conseguem, porque já estão no limite. No máximo, fazem a renegociação. Nesse ano, (o número de contratos) foi bem menor do que no ano passado”, avaliou.
Conforme números repassados pelo dirigente da entidade, em média a associação atendia de 2 mil a 3 mil pessoas por mês, para concessão de crédito consignado; hoje, a média está entre 1 mil e 2,5 mil por mês. “Em 2004, quando começou o empréstimo consignado, foi um grande negócio, porque o aposentado pegava o dinheiro para pagar contas, compromissos. Mas quem entra no consignado não sai mais”, comentou.
Osório também questiona as taxas de juro do próprio mercado. “Na verdade, quando vai se fazer o cálculo, a queda do juro não chega ao consumidor. Hoje, 2,7% é o juro para o novo empréstimo e acima de 3% para renegociar, dependendo da financeira que vai fazer o negócio”, comentou.
FGTS
Em relação à modalidade de consignado com uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que começou a ser oferecida nesta semana, inicialmente pela Caixa Econômica Federal, a supervisora de crédito da MS Cred acredita que vai haver um grande impacto para o setor. “Está todo mundo na expectativa. Os clientes já estão ligando para saber se será feito também pelas financeiras. Até agora não sabemos os critérios (para participação da iniciativa privada), mas se não for exclusivo para as agências (Caixa), vamos trabalhar, com certeza”, finalizou.
Na própria associação de aposentados e pensionistas da Capital, também tem havido procura por informações a respeito dessa nova modalidade de empréstimo, de acordo com o presidente da entidade. “As pessoas tem vindo (na associação) para se informar. Nós estamos orientando para procurar informação e avaliar o melhor plano, lembrando que tem que haver saldo”, completou.