Norma ditada pela Comissão de Valores Mobiliarios (CVM) autorizou qualquer brasileiro a investir em parcelas de grandes empresas dos Estados Unidos, Europa e Ásia. Na lista estão gigantes tentadoras, como Facebook, Apple, Amazon, Microsoft e até mesmo a plataforma de streaming Netflix, mas será que realmente vale a pena?
Esse processo não exige a abertura de qualquer tipo de conta no exterior. As ações (chamas de BDRs) podem ser compradas diretamente com uma corretora ou plataforma digital.
O administrador e especialista em investimentos pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) Trajano Ellera Gomes disse ao Correio do Estado que esse tipo de negócio sempre esteve disponível, mas apenas para investidores qualificados, ou seja, que comprovavam ter mais de R$ 1 milhão em investimentos.
Essa abertura recente implica que agora não há mais reservas ou restrições. “Essa abertura permite, então, que o investidor possa comprar títulos representativos de ações de empresas estrangeiras sem que elas necessariamente abram seu capital aqui no Brasil, abrindo então essa nova fronteira para os pequenos investidores. Hoje o Brasil representa algo como 0,7% do PIB mundial, o que podemos pensar realmente como uma oportunidade para diversificar investimentos em outros países e mercados globais”, explicou à equipe de reportagem.
Segundo ele, é difícil fazer uma previsão considerando qual mercado será mais rentável, “mas podemos analisar quais setores ou negócios hoje têm uma possibilidade de valorização e crescimento maior”, pondera.
Empresas de tecnologia, conforme o especialista, saíram rapidamente da crise causada pela pandemia da Covid-19, então “esse mercado sabidamente é muito maior nos EUA, Europa e Ásia do que no Brasil, então, quem fez esse movimento mais cedo em 2020 conseguiu se recuperar, ou até mesmo superar os ganhos em investimentos quando comparados com 2019”.
Porém, quem pretende entrar no mercado financeiro agora precisam ter cuidado com a exposição e variação cambial. “As BDRs variam também de acordo com o sobe e desce das moedas dos países de origem, além da própria variação de valores das ações da empresa a qual elas se referem”.
Em resumo, ao aplicar o dinheiro em BDRs de uma empresa norte-americana, por exemplo, os ganhos serão potencializados pela alta do dólar, mas se a moeda desvalorizar, vai levar para baixo os resultados também e Trajano não acredita que a relação entre o dinheiro dos Estados Unidos e o real vai continuar aumentando até altas cifras. O melhor momento já teria passado, segundo essa análise e quem apostou as fichas quando um dólar valia em torno de R$ 4 acabou se dando bem.
“Hoje podemos considerar que essa variação cambial pode ser prejudicial”, afirmou ao Correio do Estado.
Dessa forma, embora a proposta possa parecer tentadora, o aconselhável é esperar um momento econômico melhor para adquirir BDRs. Quem pretende começar a investir na bolsa de valores, existem empresas brasileiras que podem ser um bom começo e com rentabilidade.
Além disso, as BDRs ainda têm algumas desvantagens, como o fato de o investidor não ser considerado sócio direto por ter comprado um recibo dela, além disso, há a possibilidade de ser cobrada uma taxa de 3% sobre os dividendos e sobre os ganhos vai incidir Imposto de Renda.