Com a abertura de nova licitação em julho, a construção da ponte sobre o Rio Paraguai, que ligará os municípios Porto Murtinho e Carmelo Peralta, começa a partir de 2022.
De acordo com o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), a ponte será a porta de entrada da Rota Bioceânica, agora com seu cronograma retomado para o desenvolvimento da região, que deixará de ser o fim de linha para se transformar no centro da integração latino-americana.
“Estamos selando um compromisso, essa ponte proporciona mais do que a integração física, mas a abertura de uma nova rota de circulação de mercadorias e riquezas, além de fomentar o turismo e estreitar nossas relações culturais”, explicou Azambuja.
O acordo previsto entre Brasil e Paraguai definiu que a travessia será construída com recursos da usina hidrelétrica Itaipu Binacional Paraguay. A obra é orçada em US$ 84 milhões e deverá ter início no ano que vem.
Para o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, a abertura do novo processo licitatório e o início da construção da ponte trazem tranquilidade ao mercado, em especial aos empreendedores que pretendem investir em Porto Murtinho.
“Estamos selando um compromisso que foi momentaneamente adiado, mas que agora tem seu cronograma retomado, a ponte vai sair, até porque ela é a essência da Rota Bioceânica”, apontou Verruck.
Levantamento realizado pela Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) aponta que o Corredor Bioceânico terá potencial para movimentar US$ 1,5 bilhão por ano em exportações de carnes, açúcar, farelo de soja e couros para os outros países por onde passará.
A expectativa é de que, concluindo o processo licitatório até o fim do ano, a obra seja entregue até julho de 2024.
SUSPENSÃO
Em abril, o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, anunciou a suspensão da licitação da ponte que será construída em Carmelo Peralta.
O adiamento ocorreu para que o dinheiro – cerca de US$ 30 milhões –, que estava sendo usado para a construção da ponte, fosse redirecionado à compra de remédios e insumos em função da crise de saúde instaurada por conta da pandemia da Covid-19.
O presidente alegou que o dinheiro era de extrema necessidade, visto que o país está passando por um de seus piores momentos da pandemia.
“Estou levando em conta as possíveis necessidades do nosso sistema de saúde. Damos prioridade ao que hoje é mais importante e por isso a instrução de postergar a licitação para a construção da ponte”, destacou Benítez na ocasião.
Com o agravamento da pandemia, o Paraguai está sob pressão máxima por conta do colapso no sistema de saúde. O país já registrou 313 mil infecções pela doença e 7.596 mortes foram confirmadas desde o início da crise sanitária.
A suspensão do processo licitatório surpreendeu o governo de Mato Grosso do Sul, que por conta disso acionou o Ministério das Relações Interiores para a publicação de um novo cronograma.
Verruck havia adiantado ao Correio do Estado que a licitação deveria ser retomada já no mês de junho, mas ontem (17), em um encontro com o diretor-presidente da Itaipu Binacional e outras autoridades, Azambuja anunciou que o empreendimento será relicitado a partir de 1º de julho.
PONTE
Considerada o principal projeto para efetivar a Rota Bioceânica, a ponte sobre o Rio Paraguai, que ligará as cidades Porto Murtinho e Carmelo Peralta, terá um investimento previsto de US$ 84 milhões.
Um dos objetivos da construção dessa ponte é o desenvolvimento das áreas que há muito tempo vêm sendo esquecidas pelas autoridades.
De acordo com o engenheiro responsável pela obra, Panfilo Benites, o projeto de execução já foi concluído. A ponte terá extensão de 1.300 metros, com um vão de 360 metros sobre o rio e uma altura de 22 metros.
Calculada para suportar grande tráfego de caminhões bitrens, a estrutura terá duas pistas de rolagem de veículos de passeio e caminhões, com 12,5 m de largura, além de duas passagens nas laterais, com 2,5 m cada, para o trânsito de pedestres e ciclistas.
A ponte vai interligar Mato Grosso do Sul aos portos chilenos e poderá encurtar a distância para a exportação de produtos para a Ásia e principalmente para a China.