Com o gás de cozinha passando de R$ 100 em alguns municípios de Mato Grosso do Sul, utilizar o gás natural encanado passou a ser vantagem, mas apenas para quem vive em condomínios.
A Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul (MSGás) atende 127 residenciais, somando 10.645 unidades consumidoras, que pagam 30% a menos pelo produto na comparação com o gás liquefeito de petróleo (GLP).
“Toda vez que o gás natural é comparado ao GLP, a tendência é de que ele fique sempre mais competitivo, chegando normalmente a 30% de diferença”, afirma Rui Pires dos Santos, diretor-presidente da MSGás.
O balanço financeiro da estatal publicado em março deste ano apontou aumento de 8,6% no segmento não industrial e comercial, representado no volume de 3.405 m³/dia, crescimento motivado pelo incremento de clientes e pelo comportamento das pessoas, que, para manter o isolamento social ou economizar, passaram a cozinhar mais em casa.
Segundo informações da companhia, o custo para ligar uma casa à rede ainda é muito alto. Como nos condomínios a despesa é dividida entre todos os moradores, acaba valendo a pena.
Empreendimentos erguidos nos últimos anos já contam com sistema de encanamento interno próprio para o gás. Em vez de cada morador comprar o seu, botijões são conectados em uma espécie de central localizada dentro dos residenciais e distribuídos para todas as unidades.
Dessa forma, os custos gerados são apenas para conectar esse ponto até as tubulações da MSGás.
Contudo, já existem condomínios que recebem o gás natural desde a sua inauguração, como o Vertigo, localizado na Capital, que incluiu o abastecimento dos apartamentos desde a fase de projetos.
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COMERCIAL
No ramo comercial, já existem várias empresas utilizando gás natural. Uma das condições para instalação é que o estabelecimento deve estar localizado a uma certa proximidade do ramal de distribuição.
Em Campo Grande, a MSGás tem uma rede de distribuição de 209 quilômetros em avenidas como Afonso Pena, Mato Grosso, Nelly Martins e Coronel Antonino. A expansão mais recente garantiu o produto para a Avenida Júlio de Castilho.
“Até o fim do ano, devemos entregar novas expansões na rede de gás natural, contemplando mais consumidores”, pontua o diretor-presidente. Ainda em julho de 2021 a empresa inicia as obras na avenida Ana Luísa de Souza, no Bairro Pioneiros.
Com a pandemia, o consumo do público empresarial sofreu uma queda, já que para respeitar o isolamento social muitos clientes deixaram de sair para comer fora. O volume global distribuído afetado pela crise econômica despencou 15% em 2020 relação ao ano retrasado, totalizando 1,13 milhão de metros cúbicos diários.
O consumo não térmico, que engloba clientes dos segmentos residencial, comercial, cogeração, automotivo e industrial, sentiu as consequências negativas impostas pela pandemia e registrou o volume de 551.797 m³/dia.
Configurando uma retração de 5,1% quando comparado ao ano anterior, embora o ramo industrial ainda seja o grande forte da estatal e ajudou a assegurar o maior lucro da história da companhia ano passado (de R$ 84 milhões).
EXPANSÃO
É por isso que a empresa está finalizando os projetos para execução do primeiro trecho do ramal sul. A etapa do projeto vai fazer a ligação entre Campo Grande e Sidrolândia, com investimentos previstos em R$ 50 milhões.
Os novos ramais inicialmente podem registrar a chegada de clientes com o consumo estimado, com base apenas no mercado atual, de algo entre 300 mil e 600 mil m³/dia. A chegada do gás natural oferece uma fonte energética capaz de atrair novas indústrias e empreendimentos.
Ainda não há informações a respeito dos investimentos para as próximas fases do projeto de expansão. Sabe-se até o momento que Sidrolândia receberá uma estação para atender a primeira fase do ramal sul, que deve levar o gás até o município de Dourados, passando ainda por Maracaju e Rio Brilhante.