O último aumento do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) aumentou em 0,75 ponto o percentual da taxa básica de juros da economia, a Selic, de 3,50% para 4,25% ao ano. Isso acontece devido à disparada da inflação, que já ultrapassa o teto da meta estabelecida para este ano, contudo, como isso afeta o bolso dos consumidores?
De acordo com o doutor e economista, Michel Constantino, o aumento da taxa Selic traz diversos efeitos na economia, principalmente no comportamento de consumo.
“A taxa de juros mais alta incentiva investidores estrangeiros a aplicar dólar e outras moedas internacionais no Brasil, com uma maior oferta de dólar, o preço tende a cair e a inflação dos produtos ligados ao dólar também tem tendência de queda”, destacou.
A Selic já passou por três aumentos neste ano, em março, quando o Copom decidiu elevar a taxa pela primeira vez em quase seis anos, a taxa básica de juros passou de 2% para 2,75% ao ano. Em maio, subiu novamente, chegando a 3,5% ao ano.
A taxa maior aumenta os juros de financiamentos, empréstimos, consignados e outras formas de captar dinheiro de terceiros, e assim, as pessoas têm menores incentivos a fazer esses financiamentos e empréstimos.
A Selic já teve patamares mais altos, passou dos 14% em 2016, e chegou a 45% em 1999. Em chegou à casa dos 2% em meados de 2020 e assim se manteve até agora, no nível mais baixo das últimas décadas.
A previsão é que a Selic termine 2021 em 6,25% ao ano, segundo pesquisa do Banco Central com mais de 100 instituições financeiras.
SAIBA OS IMPACTOS PARA O CONSUMIDOR
Para o consumidor, o efeito da alta dos juros vai além da pressão na inflação. Com o aumento da Selic juros de empréstimos, investimentos e financiamentos imobiliários também são afetados.
O economista Marcos Rezende aponta que a Selic é utilizada pelos bancos apenas como uma referência. A partir dela, as instituições financeiras definem quanto vão cobrar por empréstimos às pessoas e às empresas.
Os juros do cartão de crédito, do consignado, do cheque especial e do carnê também podem sofrer alterações. diz que o impacto varia conforme o tipo de financiamento e instituição financeira.
Rezende explica que em um cenário de juros altos, o que impacta no desemprego e piora o consumo.
“ Quando os juros do país estão altos, o consumidor tende a comprar menos, porque a prestação de seu financiamento vai ser mais alta. Uma geladeira ou um carro ficam mais caros. Os bancos e financeiras podem cobrar quanto quiserem, de acordo com o mercado. E os juros pagos pelos consumidores são muito mais altos”, explicou.
Com isso, em um cenário de juros altos, as empresas investem menos, porque custa tomar empréstimos para produção. Isso aumenta o desemprego e piora o consumo.
Conforme o Estadão, com os três últimos aumentos da Selic, o Brasil voltou a registrar uma das maiores taxas de juros reais (descontada a inflação) do mundo a 1,92% ao ano.