O feriado prolongado de outubro tem causado divergência entre lojistas de Campo Grande para o Dia das Crianças. Enquanto a Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL CG) acredita que a data tem perdido fôlego, alguns lojistas têm expectativas de vender até 20% a mais que o ano passado.
Pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-MS) também aponta queda de 11% na movimentação financeira para a data.
De acordo com o presidente da CDL, Adelaido Vila, a entidade realizou um levantamento com 400 pessoas para saber sobre a pretensão de compras. Do total, 85% não pretende comprar e 25% querem presentear.
“A expectativa não é boa. O Dia das Crianças tem perdido fôlego, principalmente, em Campo Grande. O feriado atrapalha, a questão da própria situação econômica, a inflação dos alimentos, tudo isso tem impactado. Nós temos uma grande população que deve viajar no feriado, até porque a gente já não faz isso há muito tempo, então, isso deve dar uma impactada”, acrescentou Adelaido.
Ainda de acordo com o presidente da CDL, a expectativa era de que esses lojistas vendessem, no mínimo, 50% a mais neste ano do que em 2020.
Na segunda-feira (11), é comemorada a Criação do Estado de Mato Grosso do Sul e na terça-feira (12) o Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Com sábado e domingo antecedendo os feriados, muitos fazem uma “ponte” entre os dias e por isso há a preocupação com a movimentação de pessoas.
OUTRO LADO
Em contrapartida, existem aqueles que estão otimistas com a data, mesmo diante do feriado. Esse é o caso do proprietário da loja Brinquedão, na Rui Barbosa.
“A expectativa é boa. Estamos preparados, como todos os anos. Queremos vender de 15% a 20% a mais que no ano passado. A vacinação também é um ponto positivo a mais para o comércio, as pessoas podem sair mais de casa”, pontuou o proprietário Rodrigo Cardoso.
Na Pirlimpimpim, da Rua 14 de julho, a gerente Beatriz Ferreira espera vendas de, pelo menos, 10% a mais.
“A gente espera um movimento de, pelo menos, 10% do ano passado para cá. Mesmo com o feriado, muita gente faz a compra antecipada para poder viajar”, comemorou.
O gerente da Toni Toys, Guilherme Garcia, espera movimento 25% maior que no ano passado.
“No comparativo com o ano passado, que a gente estava em uma parte alta da pandemia, de um período de mais restrição, creio eu que a gente possa ter um aumento esse ano. A expectativa é de venda de 25% a mais do que a gente fez ano passado. O feriado para a gente ajuda, a gente tem movimento”.
Conforme informações adiantadas pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), mais de 70% dos empresários esperam vender mais.
Na avaliação da economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio-MS (IPF-MS), Regiane Dedé de Oliveira, o feriado pode provocar um turismo doméstico.
“Pode ser que aconteça um turismo doméstico, a troca das pessoas. De Campo Grande para o interior e do interior para Campo Grande”.
ECONOMIA
A data deve movimentar na economia de Mato Grosso do Sul, R$ 135,25 milhões, de acordo com pesquisa da Fecomércio. O valor é 11% menor do que no mesmo período do ano passado, quando foram injetados R$ 151,6 milhões no comércio.
Do total, R$ 103,28 milhões serão gastos em presentes e R$ 31,74 milhões em comemorações.
O valor médio do presente é de R$ 131,43 e o da comemoração R$ 124,40.
Em Campo Grande, por exemplo, a previsão de movimentação é de R$ 21.897.596,84 para presentes e R$ 17.597.351,01 para comemorações.
Entre os principais itens para presentear estão os brinquedos com 48,47% de preferência e roupas com 30,98%.
Dos entrevistados, 77,88% pretendem comprar em loja física; 1,88% a distância por Facebook, WhatsApp ou telefone; 12,94% pretendem comprar pela internet; e 3,65% querem fazer o próprio presente.
Na hora de comprar, o desconto é um fator decisivo para 43% dos entrevistados; 16.80% levam em conta o atendimento; 15% a variedade dos produtos.
“A gente vem de uma retomada da economia, os consumidores estão um pouco mais cautelosos. Mas de qualquer forma é um valor significativo, e é um momento também do comerciante cativar e captar esse cliente”, ressaltou a economista.