A Rodovia Romão Gomes, em Corumbá, e a BR-262, vias terrestres que ligam a Bolívia a Mato Grosso do Sul, devem registrar nos próximos dias um novo volume grande de caminhões. Isso porque o transporte de soja, ureia, couro, carne, combustível entre outros produtos deixaram de ser escoados pela hidrovia do rio Paraguai entre Bolívia e Brasil.
Com isso, a fronteira entre Puerto Quijarro e Corumbá passou a ser mais demandanda por meio terrestre, o que está gerando congestionamento do lado boliviano.
A fila de veículos ultrapassa o 1,5 km desde esta quarta-feira (20), com espera de mais de um dia para despacho aduaneiro.
Conforme apurado, a Hidrovia Paraguai-Paraná (HPP) deixou de ser uma opção de transporte para produtos vindos da Bolívia para o Brasil e deve causar um impacto de US$ 100 milhões, que é valor estimado a ser transportado até janeiro de 2022.
Por meio terreste, o custo das empresas aumenta. O sistema hidroviário no Brasil é uma das principais vias para o comércio exterior da Bolívia realizar a exportação via Oceano Atlântico.
A ferrovia na Bolívia está em funcionamento, mas sua utilização no Brasil não está adequada porque a Malha Oeste segue sem condições de uso comercial contínuo.
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O principal problema que barrou a utilização da hidrovia pela Bolívia está no Canal Tamengo, que fica na divisa do Brasil com a Bolívia.
Ele apresenta nível médio de 1,5 m a 2 metros e essas condições inviabilizam a navegação segura. A retomada desse sistema está prevista para ocorrer somente em janeiro de 2022.
Por nota, a Câmara Nacional de Indústrias Oleaginosas de Bolívia (Caniob) divulgou que a histórica seca no canal da Hidrovia Paraguai-Paraná impossibilita a realização de exportação.
A paralisação das operações ocorreu em setembro e atingiu principalmente o setor a partir de Puerto Quijarro, que fica na divisa com Corumbá.
Os fretes ficaram 20% mais caros com a utilização das rodovias, além de gerar congestionamento gigantesco na região fronteiriça e demora na entrega de cargas.
A Caniob informou que em 2019 movimentou 970 mil toneladas de produtos, equivalente ao valor de US$ 320 milhões na balança comercial.
Além dessas cargas, conforme empresas de transporte rodoviário em Corumbá, somente entre esta quarta-feira e quinta-feira, há 35 carretas que aguardam autorização boliviana para atravessar a fronteira e carregar diesel na Granel Química, porto que fica em Ladário.
A Receita Federal em Corumbá informou que ajustes no serviço de averiguação estão sendo feitos para tentar minimizar os impactos sobre os viajantes e transportadores.
Fisicamente, a região de fronteira tem capacidade reduzida para trânsito de veículos. Do lado brasileiro, há quatro faixas para veículos atravessarem e a ponte que separa os dois países comporta apenas uma carreta por vez para passar.
Do lado boliviano, há apenas três setores para veículos passarem.