Economia

SEGMENTO

Aumento do diesel pode inviabilizar o transporte rodoviário

Com custos elevados, caminhoneiros autônomos e transportadoras amargam prejuízos em MS

Com a escalada do preço do diesel no País, que já acumula aumento de 65,3% em 2021, o transporte rodoviário começa a se inviabilizar. 

Tanto transportadoras quanto caminhoneiros autônomos apontam amargar prejuízos com a elevação dos custos e da tabela do frete que não acompanha os reajustes do combustível.

Últimas notícias

O modal que atualmente é o principal responsável pelo escoamento da produção brasileira e abastecimento das cidades prepara uma paralisação nacional para segunda-feira (1º), cobrando melhorias para o setor e principalmente uma queda nos preços dos combustíveis. 

Em Mato Grosso do Sul, os profissionais se dividem quanto à greve. O sindicato que representa as transportadoras descarta a adesão, o representante dos autônomos também não apoia, mas diz que os profissionais estão livres para decidir a respeito da greve.

Dorival Oliveira, diretor administrativo do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Mato Grosso do Sul (Setlog), diz que o movimento é planejado pelos trabalhadores autônomos.  

“Não vamos parar na greve, mas muitos caminhões já estão parados porque não têm rentabilidade, assim, vai chegar um ponto em que vamos parar não por opção, mas por não ter o que fazer”, afirma.  

O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros em Mato Grosso do Sul (Sindicam-MS), Osny Bellinati, afirma que a adesão à greve dos caminhoneiros está sendo discutida no sindicato.  

“Se a gente parar vai prejudicar ainda mais o povo, que já está tendo de comer ossos, inclusive tem caminhoneiros passando dificuldade. Mas falamos que, se forem fazer, façam benfeito e vejam até aonde vai, porque da outra vez não adiantou tanto”, destaca. 

Bellinati ainda reforçou que o sindicato não apoia o movimento, mas não desestimula os profissionais que quiserem reivindicar.

TRABALHADORES

Com 12 reajustes anunciados pela Petrobras neste ano, o custo para trabalhar com transporte “está quase inviável” segundo os trabalhadores. 

Alguns já pensam em deixar a profissão, principalmente os autônomos que arcam com as despesas do transporte das cargas.  

Luiz Henrique Savulski trabalha há sete anos no ramo, é sócio de um caminhão e disse que é normal ter uma piora nos fretes no fim do ano, já que não é época de colheita. 

Contudo, com a alta no preço do combustível, hoje, ele sente muito mais no bolso os valores para realizar o transporte de cargas.  

“Esse frete vai dar R$ 10 mil, mas, agora mesmo, eu acabei de pagar R$ 6.130 na bomba [de combustível]. Antes dos últimos aumentos, eu paguei aqui nesse mesmo posto R$ 4,70 no diesel e agora ele está R$ 5,15. Tem semana que aumenta duas vezes”.  

Ele ainda detalha que o aumento não foi apenas no combustível, mas, também, na manutenção, pneus e peças do caminhão, que quase dobraram de valor.

“O pneu custava R$ 2.600 até o ano passado e agora está R$ 3.400, e é uma das coisas que mais gasta. Mas não tenho como parar de trabalhar, porque ainda tem a mensalidade do caminhão, o seguro, tem a casa para sustentar, então, não é uma opção simplesmente parar o serviço”.  

Em relação à greve nacional dos caminhoneiros, ele afirma que vai aderir. “Se houver alguma manifestação, eu pretendo apoiar, porque é mais fácil parar um pouco para que se resolva a situação do que tentar continuar de uma forma que está inviável”.  

Os elevados valores pagos para ter condições de trabalhar também fizeram alguns profissionais pensarem em desistir do ramo. Esse é o caso de Antônio Soares, de 54 anos, caminhoneiro há 33, que não vê outra saída a não ser deixar de lado o ofício de quase uma vida inteira.  

Trabalhando há 10 anos como autônomo, ele explica que antes dos sucessivos aumentos no diesel, a porcentagem do frete que ficava para o abastecimento girava em torno de 45%, mas, hoje, essa quantia está em 60%.

“A média de gasto hoje é: 60% fica em combustível e 25% a 30% nos gastos do caminhão e manutenção, então, estamos com 15% acima do consumo. Fora as peças do caminhão que são um absurdo de caras, pneu está caro, assim está quase inviável”.  

Volnei Piscini também lamenta e diz que outros aumentos não impactaram como agora, pois, subiram também os valores para a manutenção. 

“Não está compensando porque o aumento foi muito alto e o frete não está acompanhando, porque 60, 70% é de óleo diesel. Sobra 30%, de onde a gente tira pneu e manutenção, assim, zera [o rendimento]”, diz.

“A gente trabalha porque precisa. Mais da metade do frete é para abastecer, assim, não está compensando, então, se a gente parar é porque não tem dinheiro para abastecer, e não porque a gente quer”, ironiza Paulo Henrique Costa, caminhoneiro há 11 anos .  

Até para quem não é dono do caminhão e não arca com os custos, a alta do diesel está afetando negativamente na hora de fechar as contas.

“Está tudo subindo, e o patrão está pensando em parar, porque não está compensando para ele trabalhar com isso”, relata Carlos Eduardo da Silva, que é caminhoneiro há seis anos.  

CUSTOS

Conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diesel comum saiu do preço médio de R$ 3,64 (de R$ 3,48 a R$ 3,83) em janeiro para R$ 4,90 na semana passada – entre R$ 4,59 e R$ 5,34. Aumento de 34,61% nos postos de combustíveis do Estado.

O diretor do Setlog diz que a alta do combustível está pesando para as transportadoras particulares que, muitas vezes, estão deixando seus caminhões parados no pátio por não conseguirem dar conta de arcar com os custos.  

Dorival Oliveira ainda ressalta que não é apenas no rendimento do frete que os sucessivos aumentos impactam, já que os produtos que chegam aos supermercados também ficam cada vez mais caros à medida que os combustíveis aumentam.  

“A gente vê com tristeza que o Brasil, que é um País forte, está adotando essa política de manter o valor com os preços internacionais, que um americano ou europeu pode pagar, mas nós que recebemos e pagamos em real não damos conta”, analisa.  

Para ele, se o cenário não melhorar, há grandes chances das empresas fecharem, porque hoje o abastecimento representa 60% do valor do frete, e o poder de consumo da sociedade em geral também está bem baixo, o que faz a demanda diminuir, levando o preço e quantidade de fretes para baixo também.  

O presidente do Sindicam-MS, Osny Bellinati, disse que os valores dos fretes são acordados seguindo uma tabela de preços e que os profissionais precisam aprender a calcular a diferença entre custos e valor cobrado para o transporte de determinada carga.  

“Tem gente que faz viagem e ganha R$ 500 no fim, então, é melhor ficar parado do que fazer essas loucuras. Tem de saber colocar as coisas no lugar certo. Se o valor cobrado for abaixo da tabela, não carregue e denuncie para o sindicato ou para a ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres]”.

Em relação à alta do diesel, Bellinati disse que o sindicato está com o plano de buscar uma autorização do governo estadual para que uma rede de postos possa atender aos caminhoneiros autônomos com desconto direto na bomba.  

“Dependemos do governo e de achar uma empresa disposta a fazer isso. O governador tem retorno no ICMS, ele podia usar isso em benefício dos caminhoneiros”, explica. (Colaborou Súzan Benites)

Assine o Correio do Estado

Loterias

Resultado da Lotomania de ontem, concurso 2996, sexta-feira (06/11): veja o rateio

A Lotomania tem três sorteios semanais, às segundas, quartas e sextas, sempre às 20h; veja quais os números sorteados no último concurso

07/11/2026 08h57

Confira o rateio da Lotomania

Confira o rateio da Lotomania Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Loterias

Resultado da Super Sete de ontem, concurso 919, sexta-feira (06/11): veja o rateio

A Super Sete tem três sorteios semanais, às segundas, quartas e sextas, sempre às 20h; veja quais os números sorteados no último concurso

07/11/2026 08h56

Confira o rateio da Super Sete

Confira o rateio da Super Sete Foto: Divulgação

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).