Economia

Proposta

Multa de 40% do FGTS pode passar a ser paga para o governo

Atualmente os recursos são pagos ao trabalhador demitido sem justa causa; proposições constam em estudo encomendado pelo Ministério do Trabalho

Nélida Navarro

21/12/2021 - 08h30

O Ministério do Trabalho e Previdência encomendou um estudo econômico ao Grupo de Altos Estudos do Trabalho (Gaet), a análise traz uma “nova reforma trabalhista”.

Entre os principais pontos propostos estão o fim do seguro-desemprego e a multa do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que hoje é paga diretamente ao trabalhador demitido sem justa causa, e passaria a ser paga ao governo.

Atualmente em caso de demissão sem justa causa, o empregador remunera o trabalhador com um valor equivalente a 40% do FGTS de sua conta. 

Com as mudanças propostas, o empresário continua a pagar a multa, porém os recursos vão para um fundo gerido pelo governo federal e não mais para o trabalhador demitido.  

Para o mestre em economia Eugênio Pavão, esta é uma proposição onde três agentes estão envolvidos (trabalhador, empregador e governo), mas um único é beneficiado: o governo federal.  

“O governo busca resolver seus problemas fiscais, mantendo os custos dos empresários e reduzindo direitos dos trabalhadores, está reforma não busca melhorar a vida do empresário enquanto reduz os benefícios dos trabalhadores demitidos”, avalia.  

“É uma forma de colocar “goela à baixo” os prejuízos para a parte mais fraca [o trabalhador]”, ressalta Pavão.

O estudo foi apresentado no fim de novembro ao Ministério do Trabalho. O texto reúne contribuições de magistrados, advogados, economistas e acadêmicos.

“O grupo analisou estratégias capazes de aprimorar e expandir a generosa, complexa e abrangente a legislação trabalhista e política de trabalho e renda (LPTR) brasileira. 

Para o grupo, é possível alcançar maior eficácia e equidade na garantia de trabalho decente e produtivo para todos, assegurando melhores e mais seguras condições de trabalho e remuneração, com atenção especial aos trabalhadores mais vulneráveis”, detalha o documento com mais de 260 páginas.

SEGURO

Na prática, a ideia é unir o seguro-desemprego e o FGTS em uma única conta. 

O dinheiro iria para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e, de lá, abasteceria as contas individuais do FGTS com salário mensal inferior a um mínimo e meio. Esse aporte teria tempo determinado: 30 meses.

Por exemplo, aqueles que ganham um salário mínimo de R$ 1.100, teriam o depósito de 16% por parte do governo, ou R$ 176 na conta de FGTS do trabalhador.

Os 8% que o contratante deposita mensalmente na conta do profissional seriam somados a essa conta. No período determinado de 30 meses, o fundo individual dele receberia o equivalente a 24% de seu salário, sendo 16% do governo e 8% do empregador.

No fim dos 30 meses, quando esse trabalhador estivesse com 7,2 salários mínimos nessa “poupança”, o governo deixaria de depositar. 

Apenas o empregador manteria o aporte mensal equivalente a 8% do salário de seus funcionários.

Em caso de demissão, o trabalhador poderia sacar mensalmente o equivalente ao valor do salário que recebia quando estava empregado, respeitado o teto de cinco salários mínimos. 

Ou seja, ao invés do seguro-desemprego os recursos seriam pagos com os valores desse fundo do FGTS.  

Ao Uol Notícias, o economista José Márcio Camargo, que participou do estudo, defende que seria o fim da duplicidade de benefícios que o trabalhador recebe. 

“O Brasil é o único país do mundo em que o trabalhador tem dois mecanismos que o protegem contra o desemprego." 

"Um é o seguro-desemprego, em que ele recebe um salário quando é demitido. É o que tem nos EUA. O outro é o saque do FGTS, que acaba sendo uma espécie de seguro-desemprego também. A ideia é racionalizar”, detalhou.  

ROTATIVIDADE

Ainda de acordo com o documento, a intenção é elevar a formalização e reduzir a rotatividade no mercado de trabalho. 

“Esse dispositivo, além de assegurar a possibilidade de um aumento nos subsidios públicos à poupança precaucionária dos trabalhadores, retira deles qualquer eventual incentivo que a apropriação da multa possa lhe dar para trocar de trabalho”, diz o relatório.

O doutor em economia Michel Constantino acredita que a proposta busca simplificar o sistema de remuneração do trabalhador que foi demitido. 

E por outro lado, desincentivar trabalhadores que tenham muito tempo de trabalho e alto valor no FGTS a forçar demissão.  

“Esses dois pontos simplificam o sistema da legislação trabalhista e tentam melhorar a dinâmica entre o trabalhador e o empregado." 

"Eu creio que essa mudança seja positiva para os dois lados, principalmente porque o trabalhador fica mais livre para usar o recurso do FGTS. Por outro lado, a redução da multa gera incerteza e clima de redução de direitos”, detalha.

Segundo o relatório, “deve-se ressalvar, que os documentos não contam, necessariamente, com a concordância, integral ou parcial, do Ministério do Trabalho e Previdência ou mesmo do Governo Federal. 

Ou seja, os relatórios dos Grupos de Estudos Temáticos são de exclusiva e inteira responsabilidade dos autores”.

Assine o Correio do Estado

LOTERIAS

Resultado da Lotofácil de ontem, concurso 3820, terça-feira (03/11): veja o rateio

A Lotofácil é uma das loterias mais populares no Brasil, com sorteios realizados seis vezes por semana, de segunda a sábado; veja números sorteados

04/11/2026 08h08

lotofacil

lotofacil

Continue Lendo...

concurso especial

Caixa abre apostas para Mega da Virada com prêmio estimado em R$ 1 bilhão

Sorteio que tradicionalmente é realizado no dia 31 de dezembro será no dia 1º de janeiro no concurso especial deste ano

03/11/2026 10h00

Apostas da Megada Virada começam nesta terça-feira

Apostas da Megada Virada começam nesta terça-feira Foto: Agência Brasil

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).