Mato Grosso do Sul registrou número recorde na abertura de empresas em 2021. Foram 9.273 novos estabelecimentos, o maior total já aferido desde o início da série histórica, nos anos 2000.
Os dados são da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (Jucems) e ainda mostram crescimento de 17%, ante as 7.903 empresas inauguradas em 2020 – recorde anterior.
O resultado aponta que a cada hora, ao longo dos 12 meses do ano, um novo estabelecimento empresarial foi aberto no Estado. De acordo com o titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, a tecnologia tem sido importante aliada para agilizar as formalizações.
“A evolução tecnológica implantada pelo governo do Estado na Jucems a partir de 2015 alinhada com outros aprimoramentos importantes, como o advento e a implementação da Lei de Liberdade Econômica, permitiram que, mesmo em momentos desfavoráveis aos empreendedores".
"Em decorrência dos impactos da pandemia, registrássemos os dois melhores desempenhos na abertura de empresas em Mato Grosso do Sul nos anos de 2020 e 2021”, avalia.
O saldo de empresas constituídas também ficou positivo no ano passado. A diferença entre a quantidade de constituições e falências é de 5.125. Foram extintos 4.148 estabelecimentos. Em 2020, a diferença entre aberturas (7.903) e fechamentos (3.961) foi de 3.942 empresas.
Para o presidente da Jucems, Augusto de Castro, outro aspecto importante é o fato de atualmente existir a opção de atender os 79 municípios sul-mato-grossenses.
“Por meio dos escritórios regionais, a Jucems cobria 16 municípios do interior e Campo Grande. Com o sistema digital, todos os usuários são atendidos no local de instalação do seu negócio, sem a necessidade de deslocamentos e presença física para acessar todos os serviços da Junta Digital”, afirma.
Ainda de acordo com Castro, um dos principais gargalos na expansão dos empreendimentos sempre esteve ligado à burocracia. A meta é reduzir o tempo médio para a abertura de empresas para cinco horas.
“Começar um negócio, definitivamente, nunca foi um processo simples, mas hoje podemos garantir que em Mato Grosso do Sul a burocracia e o tempo de espera pela documentação não são obstáculos”, diz o presidente da Junta Comercial. Hoje o tempo médio de abertura de novas empresas é de sete horas.
SETORES
O setor que mais se destacou no ano foi o de serviços. Das 9.273 empresas constituídas em 2021, 6.022 são do setor, representando 65%, seguido por comércio, com 2.840 estabelecimentos (31%), e indústria, com 411 (4%).
Segundo o doutor em Economia Michel Constantino, o segmento é dinâmico, apresenta uma recuperação mais rápida e, por isso, destaca-se tanto na abertura de empresas quanto na geração de empregos.
“A riqueza toda do País, se a gente dividir em setores, os serviços são responsáveis por 60% a 70% do PIB [Produto Interno Bruto]. E o segmento é muito dinâmico, tanto para baixo quanto para cima. Então, ele muda muito de acordo com a forma que a economia está crescendo ou está tendo impacto”.
O economista Marcio Coutinho destaca que o setor não precisa de um investimento grande para a realização das atividades e, com isso, acaba atraindo mais empreendedores.
“Como o próprio nome diz, você vai prestar algum tipo de serviço e, para isso, diferentemente de outras atividades, não precisa comprar matéria-prima ou fazer estoque, o que facilita".
"Sem contar que, quando a economia estava ruim, as pessoas começaram a se virar, e é muito mais fácil você prestar algum serviço do que montar uma empresa colocando algum produto para vender”.
MUNICÍPIOS
Entre os municípios, o destaque fica por conta de Campo Grande, que foi responsável por 43,23% dos estabelecimentos formalizados no ano passado.
A capital do Estado abriu 4.009 empresas constituídas. Na sequência, Dourados registrou 985 constituições, seguida de Três Lagoas, com 381, Ponta Porã, com 315, e Naviraí, com 235.
“Temos acompanhado esse comportamento, não só na quantidade, mas na qualidade dos novos negócios. Demonstra a vitalidade de nossa economia, o que atrai mais investimentos, gera empregos, aumenta o consumo, melhora a performance do Fisco e estimula um ciclo de crescimento em todos os setores”, finaliza Verruck.
Outro destaque entre as cidades foi Ribas do Rio Pardo, aparecendo como o 9º município que mais registrou empresas abertas no ano passado (164).
Com a chegada da gigante da celulose Suzano, com investimentos de quase R$ 20 bilhões, outras empresas acabam se instalando no município, que fica a 100 quilômetros de Campo Grande.
Como adiantou o Correio do Estado na edição de 29 de novembro de 2021, o prefeito de Ribas do Rio Pardo, João Alfredo Danieze (Psol), afirmou que as empresas foram atraídas pelo empreendimento.
“Nós acreditamos em uma ordem de 100 empresas ao longo desse ano, envolvendo empresas de todos os portes – pequeno, micro, médio e grande – e qualquer tipo de atividade econômica”.
Ainda de acordo com o gestor, até o início de operação da planta, previsto para 2024, a expectativa é de aumentar o número de empreendimentos, moradores e arrecadação do município.
“A Suzano é a bola mestre do empreendimento, [já que] um investimento dessa envergadura precisa de outros empreendimentos, como alojamentos, hotéis, casas,
restaurantes, etc. Tem muitas empresas que estarão ao lado da própria fábrica. Até a finalização dela, em 2024, vamos ter várias outras empresas terceirizadas para fomentar seu crescimento, algumas temporárias, e outras, não”, detalha.