Ainda que pelo terceiro trimestre consecutivo de queda na taxa de desocupação (11,2%), 12 milhões de brasileiros estão desocupados, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada hoje (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Essa é a menor taxa registrada para o período desde 2016.
Conforme o Banco de Tabelas e Estatística (SIDRA), no mesmo período de 2021 a taxa de desocupação estava em 14,5% e, segundo aponta a repórter Daniela Amorim (Estadão), o resultado para 2022 ficou dentro do que esperavam os analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam uma taxa de desemprego entre 10,7% e 11,8%, com mediana de 11,3%.
Adriana Beringuy é coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, e aponta a expansão do setor de comércio como forte influenciador dos resultados obtidos.
"Indica a manutenção da tendência de crescimento dessa atividade, principalmente, a partir do 2.º semestre de 2021. No trimestre atual, a população ocupada no Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (18,4 milhões de pessoas) já supera a registrada no período pré-pandemia (trimestre móvel de dez-jan-fev de 2020)”, aponta a coordenadora.
Importante ressaltar que a renda média real do trabalhador foi de R$ 2.489 no trimestre encerrado em janeiro, resultado que indica queda de 9,7% em relação ao mesmo período de 2021. A massa de renda real habitual — paga aos ocupados — somou R$ 232,594 bilhões no trimestre até janeiro, queda de 0,9% ante igual período do ano anterior, segundo o IBGE.
Ainda, vários setores registraram crescimento, como as atividades de serviços que influenciaram o resultado das pesquisas, com exceção dos segmentos de transporte, correio e armazenagem e do setor dos serviços domésticos.
Alta de 2% também foi registrada no número empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado. Entretanto, a coordenadora de Trabalho e Rendimento aponta que houve diminuição no setor de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: queda de 2,1%.
“Embora haja expansão da ocupação e mais pessoas trabalhando, isso não está se revertendo em crescimento do rendimento dos trabalhadores em geral”, conclui Beringuy.