A retomada da economia sul-mato-grossense, a injeção de recursos dos auxílios federal e estadual, a chegada da Copa do Mundo e a implantação da tecnologia 5G têm animado os comerciantes de Campo Grande.
Conforme dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a intenção de consumo das famílias da Capital atingiu neste mês 98,7 pontos, embora, ainda na chamada zona negativa, abaixo de 100 pontos, é o melhor índice após maio de 2020, e, na série histórica, o maior resultado para setembro desde 2014.
“Quando analisamos os resultados, percebemos que as pessoas têm uma melhor percepção sobre o emprego atual e, sobretudo, uma perspectiva de consumir mais, o que comumente ocorre com a aproximação do fim de ano”, afirma Regiane Dedé de Oliveira, economista do Instituto de Pesquisa da Fecomércio-MS (IPF-MS).
A expectativa de alta na compra de televisores em Campo Grande já é real. A reportagem do Correio do Estado percorreu as ruas da cidade e conversou com lojistas sobre o período que antecede a Copa do Mundo.
Com o ânimo elevado por causa dos resultados das vendas recentes, as expectativas para os últimos meses do ano são altas. “A expectativa é a melhor possível. Estamos na contramão do âmbito nacional.
Campo Grande e Mato Grosso do Sul têm atingido números muito acima dos números nacionais”, declara o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL-CG), Adelaido Vila.
Entre os principais fatores para a animação está a chegada de datas importantes para o comércio, como a Black Friday em novembro, Copa do Mundo logo em seguida e Natal e Ano Novo.
Para o mestre em economia Eugênio Pavão, a tendência é de aquecer o comércio com o dinheiro que entra nos mercados. “Para MS, os auxílios e benefícios ajudam a economia a girar, aumentando o consumo, receita pública, etc.”, resume.
Uma das tendências que já decolam é a preparação que os consumidores estão fazendo para assistir a Copa do Mundo, comprando telas cada vez maiores.
ENTUSIASMO
De acordo com o gerente de uma loja do Magazine Luiza no Centro de Campo Grande, Cléber Cabanhas, a procura por aparelhos acima de 65 polegadas cresceu até 80% na comparação com outros meses do ano.
“Houve um aumento de procura pelas telas grandes. Televisores de 70, 65 e 55 polegadas saem mais. A gente entende que os clientes usam para o período para melhorar o aparelho da sala de estar”, revela.
Ronildo Silva, gerente comercial de uma loja da Gazin, também no Centro, comenta que as vendas estão melhores que o imaginado e que a preferência por telas maiores se concretizou. Ele afirma que as pessoas pararam de comprar TVs de 32 polegadas e passaram a comprar de 42 para cima.
“O período de Copa é utilizado para fazer a troca do televisor, o que na telefonia o cliente faz todo ano ou a cada dois anos, os televisores acabam sendo trocados de quatro em quatro anos”, analisa.
Cabanhas comenta que o pré-Copa também é utilizado para fazer um upgrade no cômodo todo, pois para alguns é necessário se adequar ao novo eletrodoméstico.
“Boa parte dos clientes não têm a estrutura certa para instalação. Então, temos cerca de 40% de alta nas vendas de produtos paralelos para a adequar o ambiente. Nesse sentido, o painel de suporte é mais importante”, comenta.
O gerente ainda cita que alguns clientes aproveitam para montar uma sala nova, e fazem troca de estofado, compram outros produtos para o cômodo, como alto-falantes e móveis.
Para Silva, o período de pandemia reforçou o valor da família. “Até por isso tem muita gente equipando a sala para reunir parentes e amigos com mais conforto, tanto que as maiores telas ficam na sala de TV”.
CRISE
Com as restrições impostas pela pandemia da Covid-19 somada às crises internacionais, como a guerra entre Ucrânia e Rússia, além da instabilidade política mais recente em Taiwan, o fornecimento de componentes eletrônicos e semicondutores para produção de eletrodomésticos, carros e aparelhos de tecnologia no mundo inteiro ficou defasado.
Analistas acreditam que a oferta nessa cadeia ainda segue desregulada, apesar de alguns citarem o segundo semestre de 2022 como o ponto final da crise. O mais provável é que o fornecimento desses componentes seja normalizado somente em 2023.
Ronildo Silva, da Gazin, diz que essa era a principal preocupação dele para este período de aquecimento nas compras. “Eu tinha receio grande com os preços dos aparelhos por causa da crise de componentes, mas os preços que temos hoje estão bem atrativos”, comenta.
No entanto, a oferta de aparelhos no Brasil foi prejudicada pelo menos até julho deste ano. Conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletrônicos (Eletros), em julho, a produção nacional de televisores teve queda de 13% na comparação com o mesmo período de 2021. Foram produzidas 98.003 unidades a menos.
CELULARES
O sinal 5G está liberado desde segunda-feira (19), em Campo Grande. A ativação da internet 5G na faixa de 3,5 gigahertz (GHz), que oferece maior velocidade, estabilidade e menor tempo de latência, aumentou o interesse de consumidores, e as grandes varejistas já planejam formas de atender à demanda, que deve subir em 2023.
Cléber Cabanhas comenta que esse interesse tem aumentado à medida que a informação sobre os modelos aderentes à tecnologia são mais difundidas.
“As pessoas, com certeza, estão dando preferência por um aparelho que já venha com essa tecnologia. A gente inclusive está trabalhando de uma forma mais detalhada com o nosso estoque para que esse produto não falte”, revela.
Ronildo Silva ainda vê que esses aparelhos estão sendo pouco procurados na Gazin. A percepção dele é que, como as redes entraram em operação muito recentemente, as pessoas mais bem informadas são as que procuram os aparelhos.
“A procura ainda é baixa por essa tecnologia, até porque não foi tão difundida ainda”, finaliza.