Economia

SERVIÇO PÚBLICO

Ministério dá primeiro passo para renovar concessão da Energisa

Após novo contrato, a partir de 2028 a correção das tarifas será pelo IPCA, que historicamente sobe menos que o IGPM, usado hoje

Em publicação extra no Diário Oficial da União, o Ministério das Minas e Energia deu nesta quinta-feira (22) o primeiro passo para renovação da concessão do serviço de fornecimento de energia elétrica nos 74 municípios de Mato Grosso do Sul atendidos pela Energisa. Após 30 anos, a concessão acaba dia 4 de dezembro de 2027, mas precisa ter o contrato renovado até meados de 2025, no máximo.

E uma das principais mudanças para os consumidores, conforme nota técnica, é que a partir de 2028 as tarifas não serão mais corrigidas pelo IGPM (Índice Geral de Preço de Mercado) e passarão a sofrer reajuste pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo)

Conforme a presidente do conselho dos consumidores de energia da área atendida pela Energisa (Concen), Rosimeire da Costa, essa é uma mudança fundamental. De acordo com ela, nos últimos cinco anos, entre 2017 e 2022, o IGPM acumulado foi de 61,21%. No mesmo período, os preços corrigidos pelo IPCA subiram 28,42%. 

A nota técnica do Ministério das Minas e Energia deixa claro que a renovação da concessão, embora prevista em 1995, não é automática. Ela só ocorre se o governo federal entender que isso deva ser feito e que a detentora da concessão se enquadrar nas exigências do poder concedente. 

E, conforme Rosimeire, a Energisa atende a todas as exigências e certamente não teria dificuldades em se manter no controle do serviço no Estado. Porém, conforme a nota técnica, a empresa também precisa manifestar interesse. 

A reportagem do Correio do Estado entrou em contato com a assessoria da empresa e, em nota, informou apenas que "o Grupo Energisa esclarece que acredita no potencial  do estado do Mato Grosso do sul e continuará contribuindo para o seu desenvolvimento"

Mas, antes de começar a definir renovação do contrato ou abertura de licitação, o ministério estipulou prazo de um mês, a contar a partir desta sexta-feira, para que as empresas interessadas e a própria população se manifestem sobre as normas publicadas na nota técnica. 

Ao todo, a consulta contempla 20 distribuidoras com vencimentos entre 2025 e 2031. O objetivo da inciativa é promover um amplo debate com população sobre os critérios para prorrogação das concessões. 

“As contrapartidas sociais por parte das concessionárias como critério para prorrogação devem visar a melhoria na qualidade do atendimento aos brasileiros e brasileiras, que tanto priorizamos no MME, sob as diretrizes do nosso presidente Lula. Tais contrapartidas devem buscar a eficiência energética e, principalmente, os benefícios à população com aumento dos investimentos por parte das distribuidoras para melhorar a qualidade dos serviços do segmento de distribuição para a população”,afirmou o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira. 

Caso a Energisa não queira ou não consiga renovar a concessão, ela terá direito a indenização pelos investimentos recentes que a empresa fez. Porém, conforme Rosimeire, praticamente tudo já foi pago pelos consumidores. 

Por isso, entende ela, existe possibilidade de redução das tarifas a partir de 2028 já que, ao que tudo indica, a concessão será gratuita e por isso os consumidores não terão a obrigação de ressarcir a empresa pelo valor que ela pagaria à União se a concessão fosse onerosa. 

HISTÓRICO

Com ágio de 83% sobre o valor mínimo, no dia 30 de novembro de 1997 o governo do Estado vendeu a Empresa Energética de Mato Grosso do Sul (Enersul) e faturou R$ 625,55 milhões. 

A expectativa inicial do mercado era de que houvesse uma espécie de concessão onerosa e a empresa que oferecesse o maior valor ao poder público ficaria com o direito de explorar com exclusividade o serviço e atender aos 1,1 milhão de clientes dos 74 municípios

Para efeito de comparação, em 1997 a empresa que venceu o leilão, a Escelsa (Espírito Santo Centrais Elétricas), desembolsou o equivalente a 570 milhões de dólares. Pela cotação atual seriam em torno de R$ 2,8 bilhões de reais para explorar o serviço por 30 anos.

Naquela época, apenas 40% da Enersul ainda pertenciam ao governo de Mato Grosso do Sul, que mesmo assim foi obrigado a destinar boa parte de sua parcela ao pagamento de dívidas com a União. Cerca de R$ 100 milhões ficaram nos cofres do governo estadual. O restante das ações já estavam nas mãos da Eletrobrás. 

Depois da venda inicial, a Enersul trocou de mãos algumas vezes, mas desde então os consumidores daqui pagam na conta de energia todos os investimentos que a concessionária faz em redes de transmissão ou em subestações, conforme Rosimeire. Isso significa, segundo ela, que toda a estrutura da concessionária pertence à população de Mato Grosso do Sul.

Ainda conforme a presidente do conselho de consumidores, durante o Governo Temer ocorreu uma antecipação de concessões e com isso a administração federal engordou os cofres em cerca de R$ 17 bilhões. Parte deste dinheiro, destaca ela, acabou sendo repassado aos estados e municípios, o que também deve acontecer se o Ministério das Minas e Energia decidir fazer concessão onerosa em 2027.

ENERGISA QUER GRATUIDADE

Em publicação no site “canal energia”, no dia 17 de março, o vice-presidente de Regulação e de Relações Institucionais da Energisa, Fernando Maia, afirmou que “a renovação não onerosa é a que melhor saída porque atende aos critérios de continuidade e melhoria de serviços que são prestados à população. A onerosidade da concessão distorce o mercado, mas é melhor aguardar a definição de regras”,

Ele alega que ao exigir uma contrapartida, as empresas perdem capacidade financeira para investimentos e isso vai contra a modicidade tarifária. 

Apesar de estar aparentemente distante, ele destacou que é importante o início das discussões nesse momento. Isso porque quanto mais demora a definição das regras de renovação, mais comprometido fica o fluxo de financiamentos das distribuidoras.

NEGÓCIO LUCRATIVO

Balanço oficial divulgado pela Energisa em março mostra que a empresa fechou 2022 com lucro líquido de R$ 556,8 milhões, o equivalente a R$ 1,52 milhão por dia em Mato Grosso do Sul. No ano anterior, o lucro havia sido ligeiramente maior, de R$ 560,8 milhões. 

Boa parte deste lucro, R$ 194,4 milhões, foi distribuído entre os acionistas da empresa. Ou seja, não se destinou a investimentos na melhoria do serviço no Estado. Esse valor é bem superior ao gasto que a concessionária teve com os 2.613 trabalhadores ao longo do ano, que ficou em R$ 150,2 milhões, de acordo com o balanço oficial.

 

Loterias

Resultado da Super Sete de hoje, concurso 919, sexta-feira (06/11)

A Super Sete tem três sorteios semanais, às segundas, quartas e sextas, sempre às 20h; veja quais os números sorteados no último concurso.

06/11/2026 21h34

Apostador preenche volante do Super Sete, modalidade de loteria administrada pela Caixa Econômica Federal.

Apostador preenche volante do Super Sete, modalidade de loteria administrada pela Caixa Econômica Federal. (Foto: Divulgação/Caixa)

Continue Lendo...

Loterias

Resultado da Dupla-Sena de hoje, concurso 3029, sexta-feira (06/11)

A Dupla-Sena tem três sorteios semanais, às segundas, quartas e sextas, sempre às 20h; veja quais os números sorteados no último concurso.

06/11/2026 21h34

Apostador preenche volante da Dupla Sena, modalidade de loteria administrada pela Caixa Econômica Federal.

Apostador preenche volante da Dupla Sena, modalidade de loteria administrada pela Caixa Econômica Federal. (Foto: Divulgação/Caixa)

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).