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Abate de bovinos cai 2,5% no terceiro trimestre, mas de frangos e suínos tem alta

Abate de bovinos cai 2,5% no terceiro trimestre, mas de frangos e suínos tem alta

AGÊNCIA BRASIL

17/12/2010 - 11h49
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O abate de bovinos teve uma queda de 2,5% no terceiro trimestre de 2010, em relação aos três meses imediatamente anteriores, segundo pesquisa sobre a pecuária divulgada hoje (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento registrou, no entanto, crescimento nos abates de frangos e suínos, na aquisição de leite pela indústria e na produção de ovos de galinha.

Nos meses de julho a setembro, 7,394 milhões de bovinos foram abatidos. Embora menor do que o do segundo trimestre do ano, o número representa um aumento de 2,6% na comparação com o do terceiro trimestre de 2009. No acumulado do ano, o abate de bovinos é 7,1% superior ao de 2009, inclusive nas parciais trimestrais.

De acordo com o IBGE, a queda observada no terceiro trimestre se deve à redução do abate de vacas, que caiu 10,9%, já que no mesmo período o de bois subiu 1,9%.

No desempenho regional, o Centro-Oeste, responsável por 35% do abate nacional de bovinos no trimestre, apresentou queda de 2,3% em relação ao mesmo período de 2009. Nessa região, o estado de Mato Grosso teve uma queda de 5,6% no abate de bovinos.

Já nas regiões Sul e Sudeste os resultados foram positivos, com destaque para os estados do Rio Grande de Sul, com 29% a mais de abates, e Paraná, com 25,1%. Em São Paulo, o crescimento foi de 3,6%.

Um outro item da pesquisa a apresentar queda no terceiro trimestre foi o referente à aquisição de peças inteiras de couro cru bovino, com redução de 6,1% sobre o resultado do terceiro trimestre de 2009 e de 2,4% em relação ao do segundo trimestre deste ano. O total de couro efetivamente curtido pelos estabelecimentos pesquisados pelo IBGE foi de 8,935 milhões de unidades.

A aquisição de leite pela indústria no terceiro trimestre deste ano cresceu 5,7% em relação à dos três meses anteriores e 6% na comparação com a do terceiro trimestre de 2009, somando 5,191 bilhões de litros. No acumulado do ano, a alta é de 8,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo 15,373 bilhões de litros. O estado de Minas Gerais responde por 25,9% da aquisição de leite, seguido do Rio Grande do Sul (15,8%).

O abate de frangos somou 1,283 bilhões de unidades no terceiro trimestre de 2010, uma alta de 3,8% sobre o trimestre anterior e de 1,3% em relação ao terceiro trimestre de 2009. O acumulado de 2010 registrou uma alta de 4,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo o IBGE, com esse resultado, a produção de frangos atinge um novo patamar, superando o desempenho de 12 meses atrás.

Um novo recorde também foi atingido pelo abate de suínos, que somou 8,305 milhões de cabeças, 2,9% a mais que o do segundo trimestre do ano e 2,5% maior que o volume do terceiro trimestre de 2009. O abate de suínos no acumulado no ano é 5,1% superior ao de 2009.

Para o IBGE, esse crescimento no abate reflete o aumento do consumo interno de carne de porco, uma vez que não está havendo uma alta nas exportações desse item.

A produção de ovos de galinha, crescente em todos os meses de 2010, alcançou 622,499 milhões de dúzias no terceiro trimestre, um aumento de 1,8% em relação ao verificado no trimestre anterior e de 2,4% sobre o resultado do terceiro trimestre de 2009. De janeiro a setembro, o aumento foi de 4,5% em relação à produção do mesmo período de 2009, atingindo 1,839 bilhão de dúzias.

A Região Sudeste concentra mais da metade da produção nacional de ovos e, entre os estados, São Paulo, Minas Gerais e o Paraná são os maiores produtores nacionais. O IBGE destaca o crescimento da avicultura em Mato Grosso, onde a produção de ovos cresceu 49,5% na comparação com a do terceiro trimestre de 2009.

Mercado internacional

Brasil e outros 121 países fecham acordo para aumentar investimentos estrangeiros

O acordo tem como objetivos simplificar as operações entre os países signatários, dar mais previsibilidade aos investidores e promover operações internacionais

25/02/2024 17h00

Segundo cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o AFID tem potencial para alavancar o PIB brasileiro em 2,1% .

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O Ministério do Desenvolvimento, Indústria Comércio e Serviços (MDIC) informou há pouco que Brasil e outros 121 países concluíram neste domingo em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, um acordo de facilitação de investimentos. Segundo o ministério, o acordo tem como objetivos simplificar as operações entre os países signatários, dar mais previsibilidade aos investidores e promover a conduta empresarial responsável nas operações internacionais.

"Há muito valor no estabelecimento de padrões globais mínimos para transparência, simplificação e facilitação de investimentos, além de prevenção de disputas", explica a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, que representa o MDIC na conferência de Dubai. "E nesse acordo há também cláusulas por meios das quais os países se obrigam a exigir do investidor compromissos sociais e ambientais".

"O Acordo sobre Facilitação de Investimentos para o Desenvolvimento (AFID, na sigla em inglês) vem sendo costurado desde 2017 com forte atuação do Brasil, que possui reconhecida experiência nessa área. Desde 2012, o Brasil vem concluindo Acordos de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) em nível bilateral e regional. Essa experiência fez do País um ator chave na formulação de propostas e nas negociações que vieram a ocorrer na OMC", cita o MDIC em nota.

"Segundo cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o AFID tem potencial para alavancar o PIB brasileiro em 2,1% num período de cinco anos, gerando mais de 160 mil postos de trabalho e aumento dos investimentos em 5,9%. Uma pesquisa realizada pelo Banco Mundial aponta que 82% dos investidores consultados consideram transparência e previsibilidade na conduta de órgãos públicos como um fator importante ou criticamente importante para a definição a respeito de onde investir", informa ainda o ministério.

A assinatura do acordo antecede a abertura da 13ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), que terá início amanhã e prossegue até a quinta-feira (29). A delegação brasileira em Abu Dhabi é liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e conta com a participação do Ministério da Agricultura e do Ministério do Desenvolvimento Agrário, além do MDIC.

Amanhã, durante a conferência, o Brasil ainda irá aderir a um outro acordo, segundo o MDIC, o Arranjo Global sobre Comércio e Gênero (GTAGA, na sigla em inglês), do qual fazem parte Canadá, Chile, Nova Zelândia, Argentina, Colômbia, Costa Rica, Equador, México e Peru. Neste caso, o objetivo é promover políticas que aumentem a participação das mulheres no comércio internacional.

Confira a lista de países que assinam o AFID:

Afeganistão, Albânia, Angola, Antígua e Barbuda, Argentina, Armênia, Austrália, Bahrein, Barbados, Belize, Benin, Bolívia, Brasil, Burundi, Cabo Verde, Camboja, Camarões, Canadá, República Centro-Africana, Chade, Chile, China, Congo, Costa Rica, Djibuti, Dominica, República Dominicana, Equador, El Salvador, União Europeia (27 países), Gabão, Gâmbia, Geórgia, Granada, Guatemala, Guiné, Guiné-Bissau, Honduras, Hong Kong, Islândia, Indonésia, Japão, Cazaquistão, Coreia do Sul, Kwait, Quirguistão, Laos, Libéria, Macau, Malawi, Malásia, Maldivas, Mali, Mauritânia, Ilhas Maurício, México, Moldávia, Mongólia, Montenegro, Marrocos, Moçambique, Miamar, Nova Zelândia, Nicaragua, Níger, Nigéria, Macedônia do Norte, Noruega, Oman, Panamá, Papua-Nova Guiné, Paraguai, Peru, Filipinas, Qatar, Rússia, Arábia Saudita, Seicheles, Serra Leoa, Singapura, Ilhas Salomão, Suriname, Suiça, Tajiquistão, Tailândia, Togo, Uganda, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, Uruguai, Vanuatu, Venezuela, Iêmen, Zâmbia e Zimbábue.

Abastecimento

Hidrelétricas perdem espaço para eólica e solar e já precisam desperdiçar energia

A energia hidráulica é hoje responsável por 53% da capacidade instalada do país

24/02/2024 22h00

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O cenário é uma ladeira abaixo. Há quatro décadas, 90% da matriz elétrica do Brasil vinha de hidrelétricas --Itaipu, por exemplo, foi construída nessa época. Desde então, essas usinas viram sua representatividade cair, ainda que continuem sendo a principal fonte brasileira.

A energia hidráulica é hoje responsável por 53% da capacidade instalada do país; em sete anos, a fatia terá caído para 42%, segundo estimativas oficiais.

A razão principal do declínio está na migração de investimentos para outras fontes de energia, como eólica e solar, cada vez mais baratas. Com isso, há momentos em que as geradoras hidrelétricas precisam até desperdiçar água, que verte sem produzir energia.

O ano passado registrou recordes desse tipo de processo. Só em fevereiro, as hidrelétricas brasileiras deixaram de produzir 16 gigawatts, cerca de 21% da demanda total daquele mês em todo o país. O valor não considera a energia que foi exportada para Argentina e Uruguai.

Em 1985, a matriz elétrica brasileira era composta basicamente por quatro fontes: água, carvão, petróleo e nuclear; ou seja, só uma renovável --a hidráulica--, ainda que fosse de longe a de maior expressão.

Hoje, são ao menos dez, sendo que seis são renováveis. Entre elas, as queridinhas dos atuais investidores: eólica e solar, que representam 11,5% e 11,8% de toda a capacidade no Brasil. Essas fatias, segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), devem ser de 11% e 18% em 2031.

A estimativa da capacidade de geração solar considera que toda a energia renovável produzida na geração distribuída em 2031 seja via painéis solares.

A mudança na fatia de cada fonte de eletricidade tem lógica financeira: até o início da década passada, as hidrelétricas eram campeãs em investimentos em geração centralizada, segundo a EPE. Mas o declínio começou em 2013, e em 2017, elas perderam lugar para as eólicas. Em 2020, último ano da análise, as hidrelétricas estavam atrás das eólicas, solares, termelétricas e biomassa.

"Na cabeça das pessoas, parece que as energias renováveis são só as eólicas e as fotovoltaicas. Como as hidrelétricas são seculares, as pessoas se habituaram com esse recurso no sistema como se ele não merecesse destaque na transição energética", diz Marisete Dadald Pereira, presidente da Abrage (Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica).

Em termos de emissões, a mudança na matriz brasileira não tem muitos efeitos. O IPCC (órgão de ciência climática da ONU) calcula que a energia solar emite, em média, 48 gramas de CO2 equivalente por quilowatt-hora (kwh), enquanto a hidráulica emite 24 gramas. É metade, mas em comparação com os grandes emissores é quase nada; o carvão, por exemplo, emite 820 gramas de CO2 equivalente por kwh.

Mas a mudança, segundo especialistas, ameaça a flexibilização do sistema nacional de energia elétrica. Isso porque o Brasil ainda não consegue, em larga escala, armazenar as energias eólica e solar produzidas no país.

Com isso, em momentos de menor demanda energética, são as hidrelétricas as responsáveis por diminuir a produção de energia, devido à maior facilidade técnica e porque as energias eólica e solar são mais baratas --nesses casos, as hidrelétricas escoam a água que seria utilizada para a geração de energia, num processo chamado vertimento.

Nessa lógica, quanto mais o sistema ficar dependente de energia solar e eólica, mais as hidrelétricas serão as escolhidas para reduzir a oferta de eletricidade quando a demanda cair -isso se não forem criadas formas de armazenamento de energia no país, como baterias.

"Para gerar energia com essa água, seria necessário que o sistema dispusesse de mais flexibilidade; ou seja, ter mais ativos flexíveis", diz Tiago de Barros Correia, consultor de energia da RegE Consultoria e ex-diretor da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Ele defende a criação de baterias e a extensão das linhas de transmissão.

Alguns países, como a China, têm investido em hidrelétricas reversíveis, onde a água não utilizada para a geração de energia fica retida em um reservatório inferior e, durante o período de baixa demanda de energia, volta ao reservatório superior por meio de uma turbina.

Esse tipo de hidrelétrica é tido como importante processo de armazenamento de energia. O país asiático tem hoje 50 GW de potência nesse tipo de usina e está construindo outros 88 GW, segundo o site Global Energy Monitor.

Questionado, o Ministério de Minas Energia disse que "esse é um recurso importante que contribui para aumentar a flexibilidade operativa e de atendimento à necessidade de potência do mercado". A pasta, porém, não citou planos de construção dessas usinas.

Um relatório da AIE (Agência Internacional de Energia) aponta que o desenvolvimento da energia hidrelétrica no Brasil diminuiu devido à disponibilidade limitada de locais economicamente viáveis, à necessidade de diversificação e às preocupações ambientais.

"A geração hidrelétrica, do ponto de vista econômico, é muito atrativa, mas depende do potencial, que é uma queda-d'água preexistente", afirma Correia, da RegE.

"O que aconteceu foi que a gente esgotou os potenciais. Uma ou outra hidrelétrica ainda poderia ser construída, mas na fronteira do planalto com a bacia do rio Amazonas, onde não é barato construir, por não ter linha de transmissão e por a obra ser mais complicada", diz.

As complicações nas obras estão atreladas a questões ambientais, já que vários desses locais estão em áreas de preservação e terras indígenas, além de haver problemas de logística para transporte de equipamentos, materiais e trabalhadores. A construção de Belo Monte, no Pará, por exemplo, último projeto de grande porte no país, foi cercada de discussões ambientais --e serviu como pivô da saída de Marina Silva do governo Lula, em 2008.
O Plano Decenal de Expansão de Energia 2031, feito pela EPE, analisou 36 usinas hidrelétricas com registro para estudos de viabilidade na Aneel. Dessas, 20 estão em áreas protegidas ou com os estudos parados. Das outras 16, 8 poderiam começar a operar já nos próximos dez anos. Mas juntas elas totalizam potência de 2 GW --Itaipu tem 14 GW.

Das oito, as que poderiam gerar mais energia estão em Rondônia e Roraima, na floresta amazônica.
Por outro lado, o setor aposta na modernização das atuais hidrelétricas. Um estudo da EPE apontou que as usinas hidrelétricas brasileiras ainda têm capacidade de aumentar em 18,2 GW sua potência, se modernizadas e ampliadas.

As que podem alcançar maior geração estão no Paraná, em Pernambuco, em Goiás, em Minas Gerais, em Alagoas e em Sergipe (algumas nas divisas dos estados).

"Você não precisa ir à China ou à Europa buscar equipamento, você tem eles aqui no Brasil. As indústrias estão prontas para entregar isso", diz Pereira. É incerto, porém, o custo dessas operações. A EPE, em 2019, estimou que o valor variaria de R$ 122 por kW a R$ 634 por kW e, em alguns casos, o retorno financeiro poderia ser menor que as despesas.

A estagnação das hidrelétricas é uma realidade global, com exceção da China, dona das maiores usinas e líder de investimentos neste setor em países emergentes. Segundo a AIE, o país representará 40% do crescimento da capacidade global desse tipo de energia até 2030.

Mas o cenário interno não é dos melhores. E o setor sabe disse: "A gente precisa colocar as hidrelétricas como carro-chefe da transição energética, porque foram elas que possibilitaram a inserção maciça dessas fontes intermitentes, que são as eólicas e as fotovoltaicas. Se não fossem as hidrelétricas, talvez a gente não tivesse o êxito que a gente tem hoje de ter a participação dessas fontes", diz Pereira.

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