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CONSUMO

Alta do dólar afasta brasileiros da fronteira

Com recorde na cotação da moeda estrangeira no mês de fevereiro, a cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero sente o reflexo negativo
02/03/2020 10:30 - Súzan Benites


 

A cotação do dólar americano registrou, ao longo da semana passada, novos recordes. A moeda chegou a ultrapassar R$ 4,50 na sexta-feira (28) e fechou em R$ 4,48, a oitava alta seguida e, novo recorde. Enquanto o dólar sobe, o comércio, na região da fronteira do Brasil com o Paraguai, já aponta redução considerável no consumo e no número de turistas que visitam Pedro Juan Caballero e Ponta Porã.

O dólar subiu 4,57% no mês de fevereiro, isso depois de ter registrado alta de 6,8% em janeiro. Assim, o real é a moeda com o pior desempenho no mercado internacional, no mês e no ano, considerando uma cesta de 34 divisas fortes e emergentes.

As frequentes altas na moeda norte-americana são registradas, desde o fim do ano passado, devido às oscilações do mercado financeiro, principalmente, por conta do alerta mundial em relação ao novo coronavírus.

O presidente da Câmara de Indústria, Comércio Turismo e Serviços de Pedro Juan Caballero, Víctor Hugo Barreto, explica que o efeito negativo já é visível. “Afeta bastante, porque encarece os produtos importados e com isso diminui o consumo massivo dos consumidores”.

O empresário diz, que o setor aguarda o preço do dólar, frente ao real, diminua para que os turistas voltem a frequentar o lado paraguaio da fronteira. “Por causa do preço os turistas não estão vindo à fronteira. Nosso comércio depende muito da relação dólar/real, com a cotação alta no Brasil com certeza prejudica o turismo de compras na fronteira”, reforçou Barreto.

O diretor da Associação Comercial e Empresarial de Ponta Porã (ACEPP), Amauri Ozório Nunes, que tem comércio nos dois lados da fronteira, diz que as vendas estão paradas do lado de lá da fronteira. “Do lado paraguaio está tudo parado, com o dólar alto o turista não vem mesmo. Está tudo parado, o dólar está em R$ 4,50 na média, isso afasta o turista porque fica inviável de vir comprar. O que ainda está sendo vendido, hoje, em Pedro Juan Caballero, são os pneus e os perfumes somente. Sentimos, principalmente, depois de quarta-feira (26), que o dólar disparou e as bolsas despencaram”, informou.

O diretor diz ainda, que do lado brasileiro está tudo dentro da normalidade. “Estamos vendendo a inflação acima do que se vendeu em fevereiro do ano passado. Acredito que por causa do problema do coronavírus está todo mundo quieto, sem comprar, sem fazer compromisso, por enquanto a gente não sentiu no lado brasileiro”.  

A presidente da Associação Comercial e Empresarial de Ponta Porã, ACEPP, Fabrícia Prioste, diz que o comércio de Ponta Porã teve bons resultados em fevereiro. “Tivemos um aumento considerável nas vendas neste fim de mês. Acredito também que não houve redução no número de turistas”, disse.

Para a economista do Instituto de Pesquisa da Fecomércio de MS, IPF/MS, Daniela Dias, o momento é mais atrativo para quem vem ao Brasil. “Fica mais interessante para os estrangeiros virem para o Brasil com a valorização do dólar. Já para os brasileiros se conduzirem até o Paraguai, por exemplo, essas pessoas vão precisar de mais reais para consumir esses produtos”, disse.  

VALORIZAÇÃO

Considerando que houve uma grande valorização do dólar frente ao real, o ponto de vista pode ser positivo quando voltado para as exportações, e negativo quando voltado para a importação e o turismo. “Ao mesmo tempo que o Brasil pode ser beneficiado com a exportação com a atratividade maior para os produtos, ele pode ser prejudicado com a compra de insumos. Muitos insumos utilizados na produção são oriundos do mercado internacional e eles ficam mais caros. Essa situação acarreta que o produtor precisa passar isso para os preços e isso acaba afetando o empresário que, ou diminui a margem de preço ou aumenta o valor para o consumidor”, explicou Daniela.  

A economista ainda explica que vários fatores influenciam no aumento do dólar frente ao real. “O dólar é influenciado pelo cenário internacional, o coronavírus, a renda externa, tudo influência. Ao mesmo tempo, temos a influência interna que é o que vai dizer se a nossa moeda está realmente desvalorizada. Que é a questão do crescimento do País, a política, os investimentos, a economia em recuperação e a queda nas bolsas de valores. Isso tudo tende a influenciar na desvalorização cambial”, contextualizou Daniela.

O economista Márcio Coutinho, explica que um dos motivos para que a moeda norte-americana esteja em alta é a baixa do juros no Brasil. “Um dos motivos é a taxa de juros baixa. Consequentemente o investidor procura outras alternativas. Existe ainda uma expectativa de crescimento menor da economia mundial, os investidores acabam procurando lugares mais seguros para investir, que não é o Brasil. E, para ir para fora precisa de dólar, e quanto maior a procura maior a cotação. E ainda temos o fator de especulações”.

Felpuda


Devidamente identificadas as figurinhas que agiram “na sombra” em clara tentativa de prejudicar cabeça coroada. Neste segundo semestre, os primeiros sinais começarão a ser notados como reação e “troco” de quem foi atingido. Nos bastidores, o que se ouve é que haverá choro e ranger de dentes e que quem pretendia avançar encontrará tantos, mas tantos empecilhos, que recuar será sua única opção na jornada política. Como diz o dito popular: “Quem muito quer...”.