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CONSUMO

Preço da arroba do boi reduz, mas custo da carne se mantém em alta na Capital

Em um ano, o quilo da proteína aumentou 59% para o consumidor final, aponta Dieese
22/12/2020 08:00 - Súzan Benites, Thais Libni


O preço da carne bovina se mantém em alta nas casas de carnes, açougues e supermercados de Campo Grande. A arroba do gado registrou queda de 11% em relação ao mês passado, saindo de R$ 271 para R$ 241 em um intervalo de 30 dias. 

No entanto, para o consumidor, a alta se mantém. Um mês após pesquisa da reportagem apontar que a picanha chegou a R$ 87,98, o quilo do corte continua sendo comercializado pelo mesmo valor.  

Ontem, a reportagem pesquisou preços em supermercados, casas de carnes e açougues de Campo Grande, os mesmos consultados no dia 24 de novembro. Em todos os cortes, o maior valor se manteve o mesmo.  

Alguns cortes apresentaram aumento no menor preço encontrado. É o caso da capa de contrafilé, que custava entre R$ 27,80 e R$ 35,98 há um mês, nesta segunda-feira, o menor valor para o quilo foi de R$ 30,90, o maior se manteve em R$ 35,98. 

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Outro corte em que a mesma mudança foi percebida é o de miolo de paleta. No mês passado, o quilo ia de R$ 28,98 a R$ 39,98 e ontem variava entre R$ 30,90 e R$ 39,98.

Entre os cortes mais caros não houve alteração nos preços, na comparação com o mês passado. A picanha é comercializada entre R$ 49,90 e R$ 87,98. O filé-mignon varia entre R$ 46,90 e R$ 82,98.

Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que o preço da carne bovina subiu 59,15% em um ano em Mato Grosso do Sul. 

Em novembro de 2019, a média de preços dos cortes bovinos, como patinho, coxão duro e coxão mole, era de R$ 21,79. No mês passado, os mesmos cortes custavam R$ 34,67 em média.  

A supervisora técnica do Dieese em MS, Andreia Ferreira, acredita que os preços devem continuar em alta. “Pode ter uma redução, mas não acredito que voltaremos para preços como os do ano passado, pelo menos, não tão cedo”, considera.

QUEDA

Apesar da queda no preço da arroba do boi – na comparação mensal –, no intervalo anual há valorização de 33% no valor da arroba do boi e alta de 35% no preço da arroba da vaca. 

Conforme o boletim técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), a arroba do boi gordo está cotada, em média, a R$ 241 e da vaca a R$ 229,33. Em dezembro de 2019, a arroba do boi custava R$ 180,83 e da vaca R$ 169,50.  

O presidente da Associação de Matadouros, Frigoríficos e Distribuidores de Carnes (Assocarnes-MS), Regis Luís Comarella, também não acredita que os preços voltem ao mesmo patamar.  

“Houve uma queda de preço nesse mês com o fechamento do mercado da China, porque eles só voltam a comprar em janeiro. E também voltamos a ter gado a pasto, isso levou a queda da arroba, que caiu em média 10% em relação a novembro. Mas não volta aos preços praticados no ano passado”, informa e complementa: 

“Porque realmente houve uma redução na oferta de boi gordo e vaca, e isso fez com que a arroba se mantivesse em patamares mais elevados. Depende do consumo também, se a população tiver condições de pagar esse preço, ela [arroba] deve se manter em alta. Eu não acredito que se mantenha em todo o ano, a partir de fevereiro deve ter uma leve redução e depois deve subir só na entressafra de novo”, frisa Comarella.  

CONSUMIDORES

Durante a visita aos locais, os trabalhadores informaram que perceberam uma queda na movimentação e nas vendas. Os consumidores afirmam que não há como consumir o mesmo que antes, em decorrência dos preços altos.  

O aposentado José Benedito afirmou que não dá para fazer churrasco neste fim de ano. “A carne está muito cara, não tem como fazer churrasco nesse fim de ano para toda família não, o bolso não aguenta. Tem de optar pelas opções mais baratas, como frango e linguiça”, relatou.  

Já a Sirlene da Costa diz que a solução é comprar pouco. “Muito altos esses valores, os preços estão absurdos, não tem como comprar muito, tem de ficar comprando ‘picado’ se quiser comer”, disse.

Outro consumidor, que preferiu não se identificar, afirmou que para quem não vive sem a proteína animal tem sido difícil. 

“Sou um consumidor assíduo de carne, para mim a carne bovina é essencial, mas nesse momento eu estou tentando diminuir o consumo, porque não consigo pagar esses valores”, informou.

ABATES

Os principais motivos para o aumento nos preços é a redução da oferta de animais e aumento das exportações. 

Segundo o relatório de movimentação de bovinos da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Mato Grosso do Sul produziu 3,30 milhões de cabeças para abate, entre janeiro a novembro de 2020. 

O número representou queda de 13,65% em relação ao mesmo período de 2019.  

Do total de animais produzidos, 1,51 milhão foram vacas, o que representou queda de 18,8% em relação a 2019 e a participação foi 5,93% menor, equivalente a 45,75% do total de animais abatidos.  

Relatório do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) aponta que as indústrias inscritas no Serviço de Inspeção Federal (SIF) abateram 2,8 milhões de bovinos em Mato Grosso do Sul, entre janeiro e novembro de 2020, redução de 12,73% no comparativo com o ano anterior.

De janeiro a novembro, a exportação de carne bovina in natura totalizou US$ 652,7 milhões e 157,1 mil toneladas. Os números representam alta de 2,8% em relação ao valor de US$ 634,9 milhões de igual período de 2019 e queda de 8,18% no volume, frente as 171,1 mil toneladas do ano passado.