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AUMENTO

Arroz e feijão pesam no bolso do consumidor durante a pandemia

Base da alimentação do brasileiro, os produtos registraram aumento de até 16,5% entre fevereiro e maio no Estado
27/06/2020 10:00 - Súzan Benites


Base da alimentação nacional, o arroz e o feijão ficaram mais caros durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). É o que aponta o levantamento realizado pela empresa de tecnologia do varejo, InfoPrice. Entre fevereiro e maio, o arroz aumentou 6,91% e o feijão 16,59% em Mato Grosso do Sul. Além destes, leite e produtos de limpeza também ficaram mais caros. Entre as quedas, a pesquisa aponta que carnes, enlatados e massas ficaram mais baratos.  

De acordo com o cientista de dados da InfoPrice, Rodrigo Diana, o aumento dos alimentos se deu por alta da demanda e redução da oferta. “Houve uma queda da produção, principalmente por conta do clima, em algumas regiões do Paraná os produtores enfrentaram estiagem, outros locais registraram geadas e isso diminuiu a produção. Do lado do consumo, houve aumento. Com muita gente em isolamento, as pessoas passaram a comer mais em casa. Houve ainda o movimento de estocagem dos produtos no início da pandemia”, explicou.  

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o quilo do feijão saiu de R$ 5,45 em fevereiro, passou a R$ 7,48 em abril e recuou para R$ 6,08 em maio. Já o quilo do arroz custava R$ 2,83 em fevereiro e chegou a R$ 3,04 em maio. “No primeiro momento, percebemos mais a questão do estoque, até porque as pessoas estavam realmente ficando em casa. Então, de meados de março até a primeira semana de abril, a questão do estoque pesou um pouco mais, depois que as pessoas passaram a sair de casa, isso mudou, mas os preços estavam em alta. Além da pandemia, tem a questão da oferta dos produtos, especialmente do feijão, que já vem pelo segundo ano com redução da área plantada”, contextualizou a supervisora técnica do Dieese, Andreia Ferreira.

Além do arroz e do feijão, segundo a pesquisa, houve aumento de 11,28% no leite, no comparativo entre fevereiro e maio, e nos produtos de limpeza a alta foi de 2,35%. No lado das quedas, houve retração nos preços de carnes (-8,62%), massas (-4,18%) e enlatados (-2,72%). “Com a crise econômica no País, as pessoas tendem a enxugar os gastos e a gente percebe isso com as carnes, os cortes mais nobres, por exemplo, sofrem a redução nas vendas. Acompanhando a variação da curva do feijão, ele está entrando em uma estabilização dos preços para os próximos meses”, disse Diana.  

PESQUISA

O objetivo da pesquisa, de acordo com o cientista de dados, era entender o quanto a pandemia estaria ou não impactando os preços dos principais produtos da cesta básica da população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou pandemia do novo coronavírus em 11 de março, para não ter interferência de datas sazonais na pesquisa, o início da coleta de dados foi definido para 10 de fevereiro.  

Diana ainda reforça que os resultados obtidos são decorrentes de ponderações de médias nas oscilações dos produtos. “Nós não pegamos simplesmente o valor do produto em 10 de fevereiro, comparamos com o preço em 4 de maio e tiramos a média. Analisamos a variação dos preços, produto a produto em cada ponto de venda que pesquisamos, o que permite ter a certeza sobre o seu aumento ou a diminuição naquela localidade. A partir desses resultados, fizemos o agrupamento por categoria e também por região, de onde vêm os resultados médios apresentados para cada macrorregião do País. Isso nos permite ter uma abordagem muito mais assertiva e que reflete melhor a variação dos preços no varejo”.  

REGIÕES

A Região Sul foi a localidade na qual o arroz alcançou a maior alta no período analisado: 8,52%. Em segundo lugar, com maior avanço, está a Região Nordeste, com 7,04%. No Sudeste, a variação foi de 4,55%; e no Centro-Oeste, de 0,56%. A Região Norte foi a única a apresentar alteração negativa, com recuo de 3,07%.

O preço do feijão apresentou maior variação entre as regiões. O valor do grão saltou 18,61% no Sudeste, com variação similar no Nordeste (18,42%). Sul e Centro-Oeste também anotaram avanço, de 9,90% e 8,90%, respectivamente. A região Norte apresentou retração, de 11,79%.

A carne bovina foi o único produto que apresentou recuo em todas as praças pesquisadas. O preço da carne recuou 10,66% no Sul e 20,03% na Região Norte. A Região Nordeste apresentou recuo de 3,03%, Centro-Oeste (-2,66%) e Sudeste (-1,95%) também seguiram o movimento de baixa.

Vilão dos preços no início da pandemia, o álcool gel recuou bastante. O Sul é a localidade com maior retração: -25,09%. Centro-Oeste (-16,92%), Nordeste (-10,12%) e Sudeste (-9,06%) seguiram a mesma performance.  “Este movimento também é decorrente de medidas adotadas por diversos governos, que implementaram políticas de isenção ou redução de impostos do produto para facilitar o acesso da população”, comento o CEO da InfoPrice, Paulo Garcia.

LEVANTAMENTO

A pesquisa comparou a variação dos preços em 469 lojas físicas e 171.218 datapoints, que são um conjunto de informações que vão desde o nome do produto, seu preço, a loja em que ele se encontra, entre outras informações relevantes para precificação.

 
 

Felpuda


O sumiço de algumas figurinhas carimbadas da política não acontece em virtude da necessidade de isolamento como uma das formas de prevenção à pandemia. Em verdade, seria porque não têm mesmo o que e a quem falar. Com o advento das redes sociais, quem acha que fazer campanha eleitoral continua como na época do “eu prometo” está a um passo de ver o sonho de conquistar mandato se transformar em pesadelo. Pelo jeito, não estão nem conseguindo dormir.