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ESTIAGEM

Baixa navegabilidade reduz exportações pela hidrovia em Mato Grosso do Sul

Estado deixa de movimentar 50% do volume de cargas em razão da seca nos rios
18/08/2020 10:30 - Da Redação


Os portos de Corumbá, Ladário e Porto Murtinho estão suspendendo as operações em agosto em razão do baixo nível do Rio Paraguai, um dos menores em 22 anos, causado pela seca extrema que ocorre na bacia. 

Essa paralisação da navegação comercial gera impacto nas exportações de Mato Grosso do Sul. O Estado deixará de movimentar pelo menos 50% do volume previsto de cargas de grãos e minério de ferro pela hidrovia em 2020.

A prolongada estiagem, no entanto, é apenas um dos fatores que implicam diretamente na limitada operacionalidade do rio, que integra um dos maiores eixos continentais de integração comercial do Brasil com seus parceiros latinos. 

Nas últimas décadas, a falta de investimentos do governo federal em infraestrutura colocou a Hidrovia do Paraguai – corredor estratégico para potencializar economicamente o Estado – em um modal de baixo rendimento.

“O cenário que estamos vivenciando agora, com as limitações de calado, expõe, na verdade, as mazelas do nosso sistema hidroviário”, afirma Jaime Verruck, titular da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro). 

Ele cita dois fatores que precisam ser atacados urgentemente: o alto nível de assoreamento do rio, com dragagem de manutenção, e a melhoria da sinalização náutica, hoje a cargo da Marinha.

Judicialização

Para o secretário, são limitações que, se resolvidas tecnicamente e com investimentos, hoje poderiam tornar a hidrovia plenamente navegável em condições mais críticas. 

“O governo do Estado criou uma linha estratégica e vem tratando isso conceitualmente com Brasília, em uma ação conjunta com o Paraguai e a Bolívia, no sentido de trazer a Hidrovia do Paraguai para o patamar de discussões dos grandes eixos rodoviários e ferroviários”, ponderou.

A Hidrovia do Paraguai tem 3.227 km, de Cáceres (MT) a Nova Palmira (Uruguai), cortando o Pantanal de Mato Grosso do Sul por mais de 1.200 km (Corumbá-Porto Murtinho). 

Pelo fato de atravessar um dos maiores biomas do mundo, a navegação comercial foi judicializada com embargos operacionais e suspensão de licenças ambientais e projetos de construção de portos. 

Por consequência, o governo brasileiro virou as costas para uma hidrovia natural.

Este ano, o Ministério dos Transportes não dragou os pontos críticos do Rio Paraguai em Cáceres, onde seu canal é estreito e sinuoso e sofre um processo acelerado de assoreamento. 

A intervenção anual é licenciada pelo Ibama e prevista no acordo judicial que destravou a hidrovia dos embaraços desde seu embargo, em 2001. 

Sem a dragagem, não há navegação comercial enquanto um novo porto é construído em Cáceres e o antigo está sendo retomado.