Economia
PROPOSTA

Bolsa caminhoneiro daria para percorrer 247 km no Estado

Voucher de R$ 1 mil seria suficiente para abastecer 137 litros de diesel comum com preço médio do combustível em MS

Rodrigo Almeida

01/07/2022 08:30

 

O auxílio proposto pelo Congresso Nacional para mitigar a alta do óleo diesel no País seria capaz de cobrir 247,2 quilômetros com o preço médio do combustível cobrado em Mato Grosso do Sul.

Segundo a pesquisa semanal de preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diesel S10 custa em média R$ 7,42 no Estado. Já o diesel comum é comercializado em média a R$ 7,28 o litro.

Para chegar ao valor, a reportagem do Correio do Estado usou como parâmetro um caminhão que consome um litro de diesel a cada 1,8 km percorrido, considerando a variedade comum do combustível.

Caso o mesmo veículo estivesse descarregado, a distância percorrida seria de 434,5 quilômetros, com autonomia de 3,2 km por litro.

Como base de comparação, um caminhão conseguiria sair de Campo Grande e ir poucos quilômetros depois de Fátima do Sul, pela BR-163. A distância entre os municípios é de 240 km.

Caso o caminhoneiro escolhesse utilizar o diesel S10, recomendado para veículos com data de fabricação posterior a 2012, a capacidade percorrida pelo mesmo tipo de veículo cairia cinco quilômetros, caso estivesse carregado, e três quilômetros descarregado.

“Para alguns, o auxílio vem em boa hora. O autônomo, que tem caminhão pequeno, que faz mudança e tem carreta pequena, será bom complementa a renda dele, se ele abastece 100 litros por semana, vai ajudar”.

“Mas o caminhão que precisa abastecer 600 litros, o valor dessa ajuda que eles estão falando não ajuda nem piora, dá um suspiro”, comenta Osni Belinati, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Estado de Mato Grosso do Sul (Sindicam-MS).

Segundo o dirigente sindicato, o maior problema no momento é a idade da frota do País. “O governo faz sempre errado, ele tinha de enfrentar o tema de outra maneira e renovar a frota no País. O caminhoneiro que anda com caminhão velho gastando dois km/litro, com um caminhão novo faria sete km/litro. Temos 900 mil caminhoneiros autônomos no Brasil, quanto de economia isso não resultaria?”, indaga.  

PREÇOS

Pela primeira vez na história, o preço do óleo diesel é maior que o da gasolina nas bombas. Com a renúncia fiscal feita pelo governo federal, a gasolina baixou cerca de R$ 0,50 nesta semana.

De acordo com o Diretor-executivo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo e Lubrificantes de Mato Grosso do Sul (Sinpetro-MS), Edson Lazaroto, “a redução dos impostos como PIS, Cofins e Cide totalizam R$ 0,68 centavos por litro no preço de custo”, explica.

No caso do Diesel, essa redução foi feita em março.

Segundo ele, a gasolina tem ainda mais espaço de queda no Estado. Com a promulgação da nova alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS), o preço cobrado em impostos pode cair ainda mais. A medida já foi aprovada no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro e espera decreto estadual para entrar em vigor.

“Deve ser sancionado pelo governador até o dia 1° de julho e pode cair ainda mais. Nas nossas contas, reduziria em R$ 0,70 no caso da gasolina”, aponta.

No caso do imposto estadual, ainda não há redução provável.

De acordo com a Federação Nacional de Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), a alíquota de MS está em 12%, o que significa R$ 0,60 arrecadados pelo governo do Estado.

O principal problema é que a guerra entre Rússia e Ucrânia, que retirou do mercado mundial milhões de litros de diesel, causou uma escassez de oferta. 

Como a estatal brasileira é capaz de fornecer apenas 80% do que o mercado interno consome, os demais 20% são importados de outros países, e assim o preço encarece ainda mais.

Andrei de Souza Lima comenta que a categoria reclama bastante dos preços. “Nunca imaginamos que o diesel ficaria no preço da gasolina. Tudo é transportado pelo caminhão, é indispensável. O preço do óleo afeta todo mundo e, se ele sobe, tudo sobe no mercado”, argumenta.

Em entrevista ao Blog Mobilidade do jornal Estado de São Paulo, o CEO do grupo Vamos, Gustavo Couto, revela que a frota de caminhões do Brasil é de 3,2 milhões de veículos, com idade média de 21 anos, uma das mais antigas e ineficientes do mundo.

“Caminhão velho consome mais combustível, gera mais poluição e maior risco a motoristas e sociedade como um todo. Isso sem falar da baixa produtividade”.